MODERNIZAÇÃO DA MALHA E PROJETO DE SUPER TREM

MODERNIZAÇÃO DA MALHA E PROJETO DE SUPER TREM

O setor de infraestrutura ferroviária de cargas no Brasil vive um período de intensa modernização técnica e expansão de ativos, impulsionado pela necessidade de garantir o escoamento eficiente de grandes volumes de commodities minerais e agrícolas. Nesse cenário de alta demanda e busca por ganho de escala, a MRS Logística consolidou um marco financeiro importante no início deste ano.

Foto 1: Guilherme Segalla de Mello, presidente da MRS, assina renovação do contrato de concessão até 2056 Crédito: Agência Infra/Divulgação
Guilherme Segalla de Mello, presidente da MRS, assina renovação do contrato de concessão até 2056
( Agência Infra/Divulgação)

A concessionária, responsável pela operação da Malha Regional Sudeste até o ano de 2056, atingiu a marca de R$ 753,6 milhões em investimentos estratégicos apenas no primeiro trimestre de 2026. Os recursos foram aplicados em projetos de engenharia para elevar a capacidade física, a confiabilidade operacional e a competitividade do transporte de cargas que conecta mineradoras de Minas Gerais aos portos do Rio de Janeiro, Itaguaí e Santos, além de obrigações regulatórias vinculadas à renovação antecipada do contrato de concessão e iniciativas de inovação tecnológica.

Foto 2: Renovação da via permanente para suportar incremento de carga por eixo
Renovação da via permanente para suportar incremento de carga por eixo (MRS Logística/Divulgação)

Via permanente

A engenharia ferroviária da MRS prioriza o desenvolvimento de uma superestrutura de via permanente robusta para suportar o incremento de carga por eixo planejado pelas mineradoras. Nos trechos de geometria severa e maior solicitação mecânica, a empresa avança na aplicação de trilhos de aços premium e superpremium. Os materiais possuem maior dureza superficial e requisitos rigorosos de tensão residual, reduzindo os efeitos do desgaste prematuro e da fadiga do metal. Esse esforço é complementado por uma gestão integrada da interface roda-trilho, sistemas avançados de lubrificação de frisos e a execução anual de 6.600 quilômetros de esmerilhamento preventivo de trilhos.

A evolução do sistema de via permanente estende-se também aos dormentes, com a substituição gradual por soluções de concreto e aço de elevada vida útil. Também estão sendo modernizados os Aparelhos de Mudança de Via (AMVs) e os sistemas de fixação elástica e soldagem. Paralelamente, o monitoramento preventivo ganhou escala com o uso de sensores ópticos, veículos instrumentados, vagões de ultrassom e sistemas automatizados de imagem, que realizam a medição contínua da geometria dos trilhos. Essa abordagem orientada pelo risco e pela condição exata do ativo transforma a manutenção em uma atividade preditiva, resultando na redução direta do custo do ciclo de vida da infraestrutura ferroviária e na segurança operacional das composições.

Super trem

O principal vetor de inovação e produtividade da MRS para os próximos anos reside no projeto de desenvolvimento do Super Trem. A iniciativa vai duplicar o potencial atual de transporte de cargas da concessionária, ampliando as composições de 136 vagões para 272 vagões, tracionadas por locomotivas de tração distribuída (Distributed Power), de forma a habilitar a circulação regular de trens com cerca de três quilômetros de extensão. A operação concentrará suas atividades ao longo de todo o corredor de minério da empresa, englobando a Linha do Centro e a Ferrovia do Aço, gerando ganhos significativos de eficiência energética e reduzindo as emissões de dióxido de carbono por tonelada útil transportada.

A implementação do projeto exige a superação de complexos desafios de engenharia mecânica e de tráfego ferroviário. A circulação de uma composição com cerca de 35 mil toneladas brutas em trechos com rampas acentuadas e curvas fechadas demanda um controle preciso dos esforços internos de tração e compressão. A MRS desenvolveu estratégias de condução computacional e distribuição de potência para manter esses esforços dentro dos limites estipulados de fadiga dos engates e vagões. Outro desafio técnico severo localiza-se na região da “Tunelândia”, na Ferrovia do Aço, um trecho de 95 quilômetros com alta concentração de túneis subsequentes. Para contornar a perda de sinal de rádio entre as locomotivas, a empresa implantou em conjunto com parceiros tecnológicos uma solução pioneira de telecomunicações que garante a transmissão contínua dos dados de controle.

Centro de Controle de Operações Integradas da Baixada Santista, parceria da MRS com a VLI, Rumo e FIPS, inaugurado em junho de 2026
Centro de Controle de Operações Integradas da Baixada Santista, parceria da MRS com a VLI, Rumo e FIPS, inaugurado em junho de 2026 (MRS Logística/Divulgação)

Eficiência operacional

A introdução regular do trem de 272 vagões ocorrerá de forma gradual a partir de 2027, condicionada à finalização do comissionamento completo dos novos sistemas de telecomunicação. Enquanto prepara a malha para essa nova realidade, a MRS mantém o monitoramento rigoroso de seus indicadores técnicos de eficiência operacional. Como o minério de ferro exige alta escala e regularidade absoluta, a principal métrica acompanhada de perto pela gerência é a Produtividade dos Trens. O indicador sintetiza os efeitos combinados do tempo de ciclo dos vagões, da carga útil real por eixo e da confiabilidade da frota. O controle minucioso do Ciclo dos Vagões monitora cada etapa individualmente, abrangendo a disponibilização para carga na mina, a circulação e o tempo de virada (turnaround) nos terminais portuários de destino.

A integração de dados e a previsibilidade logística são potencializadas por ferramentas de planejamento no conceito de S&OP Integrado (Sales and Operations Planning). Essa abordagem conecta a programação ferroviária com as condições operacionais e de estoque dos terminais em Santos, Itaguaí e Rio de Janeiro. Sistemas automáticos de otimização de fila priorizam a entrada de composições carregadas de acordo com a tipicidade dos materiais e a disponibilidade dos ship loaders nos portos. A operação alcança tempos médios de descarga rápidos em sincronia com os viradores de vagões e o uso de sensores eletrônicos e contadores de eixos ao longo das linhas amplia a visibilidade ponta a ponta da carga, mitigando gargalos e eliminando a incidência de taxas de demurrage de navios e trens.

Foto em destaque: Malha Regional Sudeste conecta mineradoras de Minas Gerais aos portos do Rio de Janeiro, Itaguaí e Santos (MRS Logística/Divulgação)

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