EXCELÊNCIA TÉCNICA ALINHADA À INTEGRIDADE FÍSICA

EXCELÊNCIA TÉCNICA ALINHADA À INTEGRIDADE FÍSICA

Em um setor onde o risco operacional é uma constante, a busca pelo “acidente zero” representa o maior desafio das corporações. Na Mineração Paragominas, produtora de bauxita da Hydro no Pará, essa meta deixou de ser um horizonte distante para se consolidar em indicadores práticos. Operando 24 horas por dia com mais de 3 mil trabalhadores, entre empregados próprios e terceirizados, a unidade alcançou em 2025 o seu melhor desempenho de segurança em quase duas décadas de atividade.

Os indicadores de Primeiros Socorros (FAC) e Eventos Reportáveis (TRI) atingiram os menores números da série histórica, com resultado de 0,2%. O marco é fruto de um modelo que equilibra produtividade e valorização da vida, provando que a excelência técnica caminha junto com a integridade física na indústria.

Clóvis Oliveira, vice-presidente de Operações de Mineração
Clóvis Oliveira, vice-presidente de Operações de Mineração (Hydro/Divulgação)

A sustentação de um ambiente seguro em uma planta classificada como grau 4 de risco (potencialmente muito alto) exige muito mais do que manuais e regras estáticas. Segundo Clóvis Oliveira, vice-presidente de Operações de Mineração da Hydro, a segurança dos empregados diretos e indiretos é um valor inegociável e uma prioridade máxima dentro da companhia. Esse compromisso se traduz diretamente em presença ativa no dia a dia da operação por meio da realização de reuniões operacionais de segurança e do levantamento do potencial de fatalidade das atividades, mantendo as equipes em constante estado de vigilância. Os líderes acompanham presencialmente as práticas operacionais em campo, o que cria um espaço de interação e feedback contínuo com os times.

Oliveira explica que a Hydro busca tornar a segurança intrínseca ao ambiente de trabalho, indo além do cumprimento de regras. Essa gestão próxima ajuda a mitigar fatores humanos cruciais, como a fadiga e o estresse. Durante o acompanhamento em campo, líderes e equipes conversam sobre as condições de trabalho de cada turno, identificando sinais de desgaste e ajustando as atividades antes que se tornem um risco. O reflexo direto dessa abordagem na qualidade de vida dos empregados é demonstrado pelos indicadores de jornada. A taxa de horas extras na unidade, por exemplo, é inferior a 0,4%. Além disso, os trabalhadores terceirizados têm o mesmo peso que os próprios, passando por integração antes de iniciar as atividades.

Hierarquia rigorosa

Para os riscos de alta severidade, o trabalho preventivo começa muito antes da execução das tarefas em campo. As análises e as reuniões de entendimento dos riscos fazem parte das práticas diárias, envolvendo os técnicos desde o planejamento até o levantamento do potencial de fatalidade. No tratamento dos riscos, a empresa segue uma hierarquia rigorosa: primeiro, a remoção do perigo; depois, a redução da exposição; e, então, a implementação de procedimentos. Para dar suporte a essa estratégia, a empresa investe continuamente em capacitação, dedicando anualmente entre 20 mil e 30 mil horas a treinamentos com simuladores.

 Retomadora de minério agora opera de maneira automatizada
Retomadora de minério agora opera de maneira automatizada (Hydro/Divulgação)

A busca por afastar o trabalhador das áreas de maior risco é impulsionada pela automação de frotas e operações remotas. A planta opera remotamente equipamentos como britadores, moinhos, peneiras, bombas, transportadores de correia e o mineroduto. A empilhadeira e a retomadora de minério funcionam de modo totalmente automático. Oliveira ressalta que os empregados estão sendo qualificados para operar à distância equipamentos que vão de drones a tratores, atuando como analistas de dados levantados de forma autônoma. Havendo qualquer desvio ou “quase acidente” (near miss), o caso é registrado e investigado minuciosamente via sistema específico para evitar recorrências.

Redução de riscos

Para os riscos relacionados a eventos climáticos extremos, a gestão combina o monitoramento meteorológico e operacional com a revisão contínua dos procedimentos de segurança e das premissas técnicas. Com base nesses dados, são atualizados os cenários de emergência, os critérios de acionamento, a comunicação, as rotas de fuga e os tempos de resposta previstos no Plano de Ação de Emergência de Barragens de Mineração (PAEBM), atualizado e protocolado junto aos órgãos competentes. Além disso, a mineradora realiza periodicamente seminários com a participação de entidades – Prefeitura, Defesa Civil e Corpo de Bombeiros, entre outros – para validar procedimentos, compartilhar rotas de fuga, testar protocolos e avaliar a capacidade de resposta a cenários severos.

 Trator de esteiras D11, da Caterpillar, pode ser operado de forma remota
Trator de esteiras D11, da Caterpillar, pode ser operado de forma remota (Hydro/Divulgação)

Por sua vez, os dois sistemas de armazenamento de rejeitos da empresa – barragem do Vale e Platô (RP1) – têm a gestão de seus requisitos regulatórios  conduzida de forma integrada, considerando a legislação e as diretrizes aplicáveis às operações, além dos compromissos e das boas práticas adotados pela empresa. Segundo Oliveira, os principais desafios nesse caso estão em acompanhar continuamente as mudanças regulatórias e articular os requisitos legais com os critérios técnicos, a gestão de riscos e o planejamento das atividades. Além das exigências da legislação brasileira e dos órgãos reguladores, a mineradora adota referências internacionais, como o Global Industry Standard on Tailings Management (GISTM). A conformidade com o padrão foi declarada em agosto de 2023, com base nos protocolos do ICMM, e validada em dezembro de 2024, após auditoria independente.

Em termos de sustentabilidade, o COO também destaca a adoção da metodologia Tailings Dry Backfill, uma inovação pioneira desenvolvida pela própria Hydro. A tecnologia permite devolver os rejeitos da mineração de bauxita diretamente para as cavas já mineradas por meio de caminhões, integrando-os ao processo de reabilitação ambiental. “Desde o início de sua implementação, em 2019, mais de 25 Mm3 de rejeitos foram gerenciados por esse método, eliminando a necessidade de construção de barragens convencionais e removendo o fator de risco estrutural mais crítico da operação”, avalia Oliveira.

Foto em destaque: Sistema de secagem dos rejeitos nos reservatórios da Mineração Paragominas (Hydro/Divulgação)

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