Na Appian Capital Brazil, a Atlantic Nickel opera a mina Santa Rita, em Itagibá (BA), com uma matriz energética majoritariamente limpa, aproveitando o potencial renovável do Brasil. O consumo médio de energia elétrica da operação de produção de níquel é de 200 GWh (Gigawatt-hora) por ano. A totalidade dessa energia é fornecida pelo Sistema Integrado Nacional (SIN), o que garante que cerca de 85% do consumo venha de fontes renováveis. Atualmente, a empresa está consolidando seu Plano de Descarbonização, que inclui a definição das metas oficiais de eficiência energética e de redução de emissões com os respectivos prazos de cumprimento e tecnologias a serem adotadas nos próximos anos.

Por sua vez, na Graphcoa, também subsidiária do grupo e produtora de grafite para a fabricação de ânodos de baterias de veículos elétricos (EVs), a mina Boa Sorte, sediada em Itagimirim (BA), adotou uma solução temporária para enfrentar deficiências da infraestrutura de energia regional, enquanto planejava uma matriz robusta e sustentável para a operação definitiva. Segundo Gilcimar Oliveira, diretor de ESG e Pessoas da Appian, devido à indisponibilidade física da rede da concessionária local (Neoenergia), entre janeiro e dezembro de 2025, o abastecimento de energia da unidade, durante o período de testes e ramp up de sua planta piloto de beneficiamento, foi realizado por uma usina termoelétrica (UTE) própria, composta por 5 geradores a diesel, totalizando um consumo de 365 MWh (Megawatts-hora).
“Já na futura usina de beneficiamento da Graphcoa, em Jordânia (MG), a alimentação se dará através da CEMIG (Cia.Energética de Minas Gerais), abrindo a possibilidade de compra de energia no Mercado Livre, preferencialmente de fontes renováveis ou parceiras do grupo. Nossa estimativa é de um consumo de energia altamente eficiente, de forma limpa e sustentável, de 525 kWh (quilowatts-hora) por tonelada de grafite produzida”, antecipa o executivo.

Monitoramento
Na Atlantic Nickel, o principal mecanismo de monitoramento macro e prestação de contas é o Inventário anual de Gases de Efeito Estufa (GEE), já que essas emissões são diretamente impactadas pelo consumo energético. As informações do relatório são auditadas e publicadas no Registro Público de Emissões da FGV (Fundação Getulio Vargas). “Através desse acompanhamento contínuo, identificamos que as áreas com maior potencial e oportunidades de melhoria energética são a operação de mina, em particular na movimentação de minério, e a planta de beneficiamento. É nessas frentes que concentramos nossos estudos de otimização”, explica Oliveira.
Na mina Boa Sorte, da Graphcoa, o sistema é totalmente digitalizado. Nas subestações, o painel geral de baixa tensão conta com multimedidores elétricos que monitoram a energia de toda a usina e de áreas auxiliares da mina Boa Sorte, realizando a leitura instantânea e o armazenamento de parâmetros críticos como tensão, corrente, fator de potência e distorções harmônicas. Todos os equipamentos de maior potência são acionados por sistemas inteligentes (inversores de frequência e relés), interligados ao sistema de controle central, operando continuamente apenas para os fluxos de processo crítico, enquanto os sistemas auxiliares são acionados exclusivamente sob demanda via instrumentação, evitando desperdícios de consumo.
“Os principais ganhos dessa infraestrutura de inversores e medidores inteligentes são a eliminação do desperdício operacional, pelo acionamento dos equipamentos apenas sob demanda, e a geração de dados robustos de seu consumo individual. Essa inteligência operacional garantirá que a futura planta de Jordânia já nasça com a máxima eficiência energética possível”, afirma o executivo.
Inovações
Outra tecnologia de automação adotada em Boa Sorte foi a de iluminação industrial em LED, possibilitando uma redução significativa no consumo da carga de iluminação, com menor necessidade de manutenção. Atualmente, a planta conta com várias frentes simultâneas de melhoria e otimização de processos mecânicos e elétricos, visando seu ajuste fino, em termos de comissionamento e automação.
Na Atlantic Nickel, o principal investimento em modernização foi direcionado para aumentar a taxa de recuperação metalúrgica da planta de beneficiamento. A ampliação do rendimento do processo tornou a planta mais eficiente, permitindo uma maior produção de níquel com a mesma base de energia gasta, o que otimiza significativamente seu consumo específico. Para Oliveira, a otimização da taxa de recuperação metalúrgica e da eficiência energética da planta impactou na melhoria direta do KPI (indicador-chave de desempenho) ambiental mais importante para a empresa: a redução das emissões de toneladas de CO2e (carbono equivalente) por tonelada de níquel produzida. “Em 2025, essa redução foi de 13% em comparação a 2024, o que torna nosso níquel ainda mais sustentável para o mercado global”, avalia o diretor.
Foto em destaque: Operação da Atlantic Nickel, na mina Santa Rita, em Itagibá (Graphcoa/Divulgação)
