INOVAÇÃO OTIMIZA RECURSOS E REDUZ CAPTAÇÃO

INOVAÇÃO OTIMIZA RECURSOS E REDUZ CAPTAÇÃO

O alinhamento entre tecnologias de baixo consumo de água, monitoramento contínuo e diversificação das fontes de abastecimento tem orientado a estratégia hídrica da Galvani para aumentar a eficiência operacional e fortalecer a resiliência de suas unidades diante da crescente pressão sobre os recursos hídricos. Com operações concentradas em regiões de elevada sensibilidade climática, especialmente no semiárido brasileiro, a companhia vem ampliando investimentos em reaproveitamento de água, gestão preventiva e soluções de engenharia capazes de reduzir a dependência de fontes convencionais de abastecimento.

Em 2025, a empresa consumiu aproximadamente 638 mil m³ de água em suas operações. Segundo Sylvia Tabarin, diretora de Relações Institucionais e Sustentabilidade da Galvani, a estratégia corporativa está baseada na otimização do uso da água, no monitoramento permanente do consumo, na ampliação do reuso e na adoção de tecnologias que reduzam a demanda hídrica dos processos produtivos.

O modelo é adaptado às características de cada unidade. No Complexo Industrial de Luís Eduardo Magalhães (CILEM), na Bahia, a água utilizada nas áreas administrativas é fornecida pela concessionária local, enquanto os processos industriais utilizam água proveniente de poços subterrâneos regularmente outorgados. Já na Unidade de Mineração de Angico dos Dias (UMA), também na Bahia, a água captada em poços artesianos atende principalmente às atividades de apoio, uma vez que o beneficiamento do fosfato é realizado integralmente a seco, dispensando o consumo hídrico nessa etapa.

De acordo com a executiva, a companhia tem direcionado seus investimentos para ampliar o aproveitamento de águas pluviais, expandir a reutilização de efluentes industriais, fortalecer o monitoramento hidrogeológico e desenvolver projetos concebidos para operar com reduzida demanda de água. Essa diretriz já foi incorporada à futura Unidade de Mineração de Irecê – UMI (BA), cuja rota tecnológica prevê circuito fechado de água e eliminação de barragens de rejeitos.

Nova fonte

Nos últimos anos, a Galvani evoluiu de um modelo voltado principalmente ao controle do consumo para uma gestão integrada dos recursos hídricos, baseada em indicadores operacionais, monitoramento ambiental e avaliação permanente de riscos. Entre os principais avanços dessa sistemática está entrada em operação da Estação de Tratamento de Água da Chuva no CILEM. A estrutura conta com reservatório com capacidade para 73 mil m³, permitindo captar, tratar e reutilizar água pluvial na produção de ácido sulfúrico, reduzindo significativamente a dependência da água subterrânea utilizada pela unidade.

Outro investimento relevante foi a ampliação da rede de monitoramento hidrogeológico, com a instalação de 24 novos poços destinados ao acompanhamento da qualidade das águas subterrâneas. Segundo Sylvia, essa estrutura fortalece a gestão preventiva dos aquíferos e amplia a capacidade de resposta da companhia frente às variações ambientais.

O controle operacional é realizado por meio de hidrômetros instalados nos principais pontos de consumo e integrados aos sistemas corporativos de gestão. Os indicadores permitem acompanhar continuamente os volumes captados, o consumo por unidade operacional, os índices de reutilização, a destinação dos efluentes e o desempenho dos sistemas de abastecimento.

A gestão é complementada por uma estação meteorológica instalada no complexo industrial, responsável por fornecer informações climáticas que subsidiam o planejamento operacional e apoiam decisões relacionadas à disponibilidade hídrica, especialmente diante dos efeitos das mudanças climáticas sobre a oferta de água.

Processos

A principal estratégia tecnológica da Galvani consiste em reduzir a demanda de água diretamente na origem do processo produtivo. Além da Estação de Tratamento de Água de Chuva implementada no CILEM, na UMA o beneficiamento do fosfato ocorre totalmente a seco, eliminando o consumo de água e de reagentes químicos nessa etapa do processo e dispensando o uso de barragens de rejeitos. Essa configuração reduz significativamente a pressão sobre os recursos hídricos e simplifica a gestão ambiental da operação. Outra iniciativa consiste no aproveitamento das águas pluviais acumuladas na cava da mina para a umectação das vias internas, reduzindo o uso de água subterrânea em atividades auxiliares.

A companhia também integra diferentes ferramentas de monitoramento e controle, reunindo infraestrutura de captação e reutilização de água, rede hidrogeológica, estação meteorológica, hidrômetros inteligentes e sistemas de gestão operacional capazes de fornecer informações em tempo real para o planejamento das operações.

Segundo Sylvia, a reutilização de efluentes industriais é adotada sempre que sua aplicação é tecnicamente viável, ampliando o aproveitamento dos recursos disponíveis e reduzindo a necessidade de novas captações.

Novos projetos

A futura Unidade de Mineração de Irecê (UMI), com entrada em operação prevista para 2027, representa a consolidação dessa estratégia desde a fase de engenharia do empreendimento. Atualmente em implantação, o projeto foi concebido para operar com uma rota de beneficiamento por calcinação, eliminando barragens de rejeitos e adotando um circuito fechado de água.

Na avaliação da diretora, a configuração reduz significativamente a necessidade de captação hídrica quando comparada aos modelos convencionais de beneficiamento mineral, além de ampliar a segurança operacional e a eficiência no uso dos recursos naturais.

Ao combinar tecnologias de baixo consumo de água, monitoramento contínuo, aproveitamento de águas pluviais e soluções de circuito fechado, a Galvani consolida uma estratégia voltada ao fortalecimento da segurança hídrica de suas operações. O modelo evidencia a crescente incorporação de critérios de eficiência e gestão de riscos aos projetos minerais, reforçando o papel da inovação tecnológica na adaptação do setor aos desafios impostos pelas mudanças climáticas e pela disponibilidade cada vez mais restrita de recursos hídricos.

Foto: UMI, em implantação, vai operar em circuito fechado de água e sem barragem de rejeitos (Galvani/Divulgação)

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