A busca por acidentes zero move a mineração em direção a operações inteligentes, resilientes e focadas na preservação da vida. Este Especial Segurança apresenta dois artigos técnicos e seis matérias com grandes mineradoras para discutir os rumos da governança de riscos, as inovações digitais e os fatores humanos na indústria.
Nos artigos técnicos, os especialistas trazem alertas e conceitos fundamentais para a evolução do setor. Antonio Neves Santana, cofundador e sócio da Nexial Partners, analisa a urgência da segurança de processos integrada, examinando o risco sistêmico em toda a cadeia mineração-porto e combatendo a “normalização do desvio”. Já Flávio Alves, da Accenture Brasil, aborda os cinco grandes domínios de risco (pessoas, processos, tecnologia, eventos externos e governança), defendendo que a segurança corporativa atual migrou para uma visão preditiva baseada em dados.
As matérias revelam que as empresas compartilham de pilares unificados em suas rotinas. São eles: Liderança e Psicologia – presença ativa dos líderes em campo, consolidação dos Diálogos Diários de Segurança (DDS) e garantia irrestrita do direito de recusa; Gestão de Terceiros – empregados próprios e contratados possuem o mesmo peso, com padronização de treinamentos, auditorias e comitês de cultura; Segurança 4.0 – retirada de trabalhadores da linha de frente das operações por meio de Centros de Operações Remotas (COR/CCO), Inteligência Artificial, automação de frotas e telemetria. Outras concordâncias estão nas áreas de Cibersegurança e Clima – proteção cibernética das redes de Tecnologia Operacional (OT) contra ataques e planos diretores de drenagem preventiva para enfrentar chuvas históricas –, e Conformidade e Entorno: alinhamento estrito às normas da ANM e adoção de diretrizes internacionais, como o GISTM e a ISO 45001, além de simulados práticos de PAEBM com a Defesa Civil e comunidades.
Embora busquem o mesmo objetivo, as companhias adotam táticas específicas para solucionar seus desafios operacionais.
A Anglo American destaca-se pelo monitoramento acústico de seu mineroduto via fibra óptica (OptaSense) e pelo controle da performance de contratadas sob metas rígidas e premiação de excelência.
GESTÃO HUMANA, PREVENÇÃO E INOVAÇÃO TECNOLÓGICA
A AngloGold Ashanti diferencia-se na retenção de conhecimento com o “Plano de Segurança para Novatos”, sinalizando recém-chegados com cores distintas nos capacetes, além de manter um Comitê de Resiliência Integrado.
CULTURA CORPORATIVA APOIADA NA LIDERANÇA ATIVA
A Atlantic Nickel concentra seus esforços na governança analítica preditiva de dados na barragem Santa Rita, operando com sensores de alta precisão (tiltímetros), InSAR e drones com mapeamento térmico.
CONEXÃO ENTRE INTELIGÊNCIA ANALÍTICA E GOVERNANÇA
A Ero Brasil avalia a prontidão dos operadores pré-turno contra a fadiga em suas minas subterrâneas e substituiu barragens pelo empilhamento a seco (dry stacking) e preenchimento com pasta.
PRODUÇÃO MINERAL SUSTENTÁVEL COM ZERO DANO
A Mineração Paragominas, da Hydro, implementou a metodologia pioneira Tailings Dry Backfill, devolvendo rejeitos para as cavas já lavradas e eliminando barragens convencionais em suas operações de bauxita.
EXCELÊNCIA TÉCNICA ALINHADA À INTEGRIDADE FÍSICA
Por fim, a Mineração Taboca mantém uma cadeia produtiva verticalizada com rastreabilidade rígida para coibir o garimpo ilegal, opera com energia limpa de hidrelétrica própria e planeja novas plantas de disposição em pasta para 2026.
VISÃO HUMANIZADA PARA AS ROTINAS CORPORATIVAS
