Poucas empresas trocam de vocação sem perder identidade. A SANY conseguiu. Nasceu em 1989 na China para erguer canteiros de obra e hoje é a mineração, e não mais a construção civil, que puxa a fila de investimento e inovação dentro do grupo. A guinada começou discreta, em 2019, quando a companhia desembarcou no Brasil com os primeiros equipamentos de mina. Bastou pouco mais de meia década para virar protagonista.
Quem administra esse avanço na América Latina é Thiago Brion, diretor de contas globais responsável por Brasil, Chile e Peru. Ele resume o pulo da SANY numa lógica simples de decorar, mas que não é de fácil execução: não adianta vender a máquina mais barata se o cliente sangra dinheiro nos anos seguintes.
Por isso a empresa monta filiais com estoque de peças, engenharia própria e contratos em que literalmente assume a manutenção da frota do cliente. O comprador tem o ativo, mas não põe a mão nele. É o Custo Total de Propriedade como argumento de venda, não como jargão de slide.
O capítulo mais ousado, porém, é elétrico. Em 2022, a SANY colocou para rodar na CSN os primeiros caminhões fora de estrada 100% elétricos do país, um pioneirismo que poucos fabricantes ousaram bancar. Sabendo que trocar diesel por bateria também é trocar cultura operacional, a empresa criou uma versão híbrida como ponte: 30% menos combustível, 30% menos CO2, para minas que ainda não estão prontas para o salto completo.
Energia eólica, fotovoltaica, baterias estacionárias e, agora, uma fábrica nova em Campinas (SP) dedicada a caminhões rodoviários elétricos completam um ecossistema que aponta para o futuro, e que a companhia constrói peça por peça.
O executivo comenta o cenário atual do setor mineral sem se render a ele: o ferro amoleceu de preço, sim, mas o Brasil segue rico o bastante para compensar, com cobre e ouro valorizados, níquel em ascensão e a corrida global por terras raras – mineral que só existe em escala relevante aqui e na própria China.
Na Exposibram 2026, onde volta a montar um dos maiores estandes da feira, a SANY não quer só mostrar máquina. Quer ouvir. A aposta de Brion é que o futuro da mineração se escreve em conversa de corredor, entre ESG, produtividade e custo, e não em vitrine.


