A gestão eficiente da água vem se consolidando como um dos principais pilares da mineração sustentável. Na Mina Chapada, da Lundin Mining, em Alto Horizonte (GO), a estratégia está baseada na recirculação da água de processo, reduzindo a dependência de fontes externas e fortalecendo a segurança hídrica da operação. O modelo integra tecnologias de tratamento, monitoramento contínuo e planejamento operacional, alinhados aos princípios da economia circular.

Segundo Lucas Salles, gerente de Recursos Hídricos da mina, a operação não realiza captação de água nova para o processamento mineral. Toda a demanda da usina é suprida pela recirculação da água proveniente da barragem de rejeitos, complementada pelas águas de drenagem das cavas e pelo aproveitamento das precipitações acumuladas no sistema operacional.
A única captação de água nova destina-se ao abastecimento humano e é realizada por quatro poços tubulares profundos, com consumo anual aproximado de 57 mil m³. Como resultado da estratégia adotada, cerca de 75% da água utilizada no processo produtivo é reaproveitada. Além disso, aproximadamente 2 milhões de m³ de efluentes tratados retornam anualmente à bacia hidrográfica, enquanto outros 5 milhões de m³ são devolvidos ao ciclo hidrológico por evaporação controlada.
Captação
Nos últimos cinco anos, a Mina Chapada consolidou um modelo de gestão hídrica voltado à eficiência operacional e à redução da dependência de recursos externos. Desde a descontinuidade da captação superficial no Rio dos Bois, em 2018, a operação mantém o processamento mineral totalmente abastecido por água recirculada.
A medida foi possível, diz Salles, em razão de melhorias implantadas entre 2021 e 2025, como novos sistemas de bombeamento entre cavas, estruturas hidráulicas e barragem de rejeitos, que ampliaram o reaproveitamento da água e reduziram os volumes de descarte. A entrada em operação da Estação de Tratamento de Efluentes Industriais (ETEI), no segundo semestre de 2025, também elevou a capacidade de devolução segura de água tratada ao meio ambiente. Ao longo desse período, o índice de recirculação permaneceu elevado, evidenciando a maturidade da gestão hídrica e a consolidação de uma estratégia baseada na eficiência do balanço hídrico operacional.
Soluções
O controle dos recursos hídricos é sustentado por um programa permanente de monitoramento ambiental que acompanha, em diferentes frequências, parâmetros quantitativos e qualitativos das águas superficiais e subterrâneas. As informações geradas subsidiam o balanço hídrico da operação, a avaliação de riscos e o atendimento às exigências ambientais.
A estrutura de gestão integra Estação de Tratamento de Água (ETA), Estação de Tratamento de Efluentes Sanitários (ETE), Estação de Tratamento de Efluentes Industriais (ETEI), tratamento proativo de efluentes, sistemas integrados de bombeamento entre cavas e barragem, controle de poeira por aspersão fixa e caminhões-pipa abastecidos com água de reuso. De acordo com o gerente de Recursos Hídricos, essas soluções atuam de forma complementar para maximizar o reaproveitamento da água, reduzir a necessidade de captação externa e aumentar a previsibilidade operacional diante das variações climáticas.

Os investimentos também proporcionaram ganhos ambientais e operacionais relevantes, como o aumento da recirculação da água de processo, a melhoria da qualidade dos efluentes tratados, a redução de riscos ambientais e o fortalecimento da disponibilidade hídrica da bacia por meio da devolução controlada de água tratada.
Projetos
A Mina Chapada mantém uma agenda permanente de inovação para ampliar a eficiência do uso da água. Entre as principais iniciativas estão o aprimoramento da segregação de correntes hídricas, a expansão do tratamento proativo de efluentes, a otimização dos sistemas de bombeamento e recirculação e a avaliação de novas rotas de tratamento para aumentar a remoção de contaminantes. A empresa também investe no fortalecimento das ferramentas de modelagem hidrológica, hidrogeológica e de balanço hídrico, permitindo antecipar cenários relacionados à variabilidade climática e apoiar a tomada de decisão operacional.
Outras iniciativas em avaliação incluem a ampliação da capacidade de descarte de água tratada, o aperfeiçoamento da segregação de efluentes industriais e a expansão dos sistemas de reaproveitamento entre as diferentes estruturas da mina. Segundo Salles, esses projetos encontram-se em diferentes fases de estudos técnicos, viabilidade e licenciamento.
Além das ações voltadas ao processo industrial, a Lundin Mining desenvolve programas permanentes de monitoramento ambiental, conservação de nascentes e gestão preventiva dos recursos hídricos, reforçando uma estratégia que integra governança, inovação, mitigação de riscos e melhoria contínua.
