A Lundin Mining iniciou uma nova fase estratégica na mina de Chapada, em Alto Horizonte (GO). Sob o comando do engenheiro de minas Itamar Machado de Magalhães — que assumiu a presidência da mineradora em janeiro de 2026, após 25 anos de carreira internacional em multinacionais como Glencore e Pan American Silver —, a empresa consolidou uma inversão no foco produtivo da planta. A unidade, aberta pela Yamana Gold em 2007 e adquirida pela Lundin em 2019, antes focava no ouro. Hoje, prioriza o cobre, registrando uma produção de 45 mil toneladas por ano (mtpa) do metal, além de 60 mil onças anuais (oz/ano) de ouro, aproveitando as cotações favoráveis do mercado global.
Para expandir as operações, Magalhães anunciou a aprovação de um investimento de US$ 110 milhões pela empresa. Desse total, US$ 45 milhões serão aplicados na implantação do Projeto Saúva, uma nova mina a céu aberto localizada a 15 km de Chapada e US$ 65 milhões na aquisição de um segundo moinho de bolas. O executivo explicou que o objetivo do moinho não é aumentar o volume total processado, mas realizar uma moagem mais fina para garantir maior recuperação do minério. O teor de Saúva é mais alto: possui 0,4% de cobre e 0,3 g/t de ouro, superando os 0,26% de cobre e 0,16 g/t de ouro de Chapada. A planta atual, que operava originalmente com 16 Mtpa de alimentação, já alcança 24 Mtpa e manterá essa capacidade através da blindagem do material das duas minas.
O cronograma detalhado pelo presidente aponta que o novo moinho está em fabricação e será instalado até o final de 2027, visando seu ramp up operacional em 2028. O licenciamento ambiental de Saúva junto a SEMAD-GO (Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Goiás) deve ser aprovado em 2027, com o início da produção estimado para o primeiro semestre de 2029. Com isso, a produção total de cobre da Lundin Mining subirá 30% (para 60 mtpa) e a de ouro saltará 70% (para 100 mil oz/ano). Embora a vida útil inicial de Saúva esteja estimada entre quatro e cinco anos, o conselho da empresa já autorizou uma campanha agressiva de exploração para expandir esse prazo. Já a mina de Chapada possui mais de 25 anos de vida útil garantida.
Em Saúva, a extração será totalmente terceirizada na fase inicial, utilizando transporte por caminhões, enquanto em Chapada a operação é própria, contando apenas com terceirização na remoção de estéril.
Operação
A estratégia de expansão territorial foi detalhada por Gustavo Marques, diretor de Serviços Técnicos e Pesquisa Mineral. Ele explicou que a empresa busca estender o corpo de minério atual em cavas superficiais e avaliar o potencial subterrâneo na região. Para sustentar esse crescimento, a Lundin Mining mantém 40 alvarás de pesquisa mineral ativos em um raio de 50 km ao redor de Chapada. O foco geológico, antes restrito à mina principal, agora visa encontrar extensões próximas a Saúva, onde já foram realizados cerca de 300 furos, somando 200 mil metros de sondagens. Marques afirmou que essa campanha exploratória se estenderá até o final de 2026 e pelos próximos anos.
No dia a dia do beneficiamento, Kleiber Rezende, diretor de Operações, detalhou que a estrutura de Chapada funciona de forma convencional, operando etapas de perfuração, desmonte, carga e transporte com equipamentos de grande porte. O processamento do minério passa por cominuição, britagem primária, moagem em moinho SAG, recirculação em rebritagem, moinho de bolas e flotação para a concentração do metal em três estágios: Rougher, Cleaner e Scavenger. Rezende ressaltou que os rejeitos são dispostos em uma barragem construída pelo método de linha de centro, que conta com monitoramento 24 horas, auditoria anual pelo ITRB (Independent Tailings Review Board) e cumprimento rígido dos padrões internacionais de segurança.
A inovação tecnológica também foi destacada pelo diretor de Operações. A Lundin Mining está aplicando Inteligência Artificial (IA) para agilizar decisões operacionais e utiliza energia 100% eólica. Rezende anunciou que, para reduzir combustíveis fósseis, a empresa testará nos próximos meses três caminhões movidos a bateria de um fabricante chinês no transporte de minério. Na exploração, a frota de perfuratrizes está sendo primarizada para avançar rumo à teleoperação e automação. Além disso, toda a água da barragem é recirculada, e águas pluviais são armazenadas em cavas para aproveitamento em períodos de seca. Em Saúva, a pegada ambiental será menor, pois o local abrigará apenas as frentes de lavra, sem planta de beneficiamento.
Sustentabilidade
A governança socioambiental e o impacto econômico local foram apresentados por Magalhães. O diretor-presidente pontuou que os projetos sociais da mineradora são estruturados para se consolidarem como legados sustentáveis para as comunidades. A Lundin Mining é a maior empregadora na região de Alto Horizonte, contando atualmente com 3 mil trabalhadores, dos quais 1.400 são funcionários diretos — contingente que aumentará com o Projeto Saúva. No aspecto de segurança do trabalho, Magalhães frisou que assinou um documento que dá a todos os colaboradores o direito e a obrigação de paralisar atividades diante de qualquer risco não controlado.
Ao concluir sua participação na Exposibram 2026 — evento em que esteve presente pela segunda vez, após a edição de Salvador em 2025 —, Magalhães celebrou a forte presença do público e defendeu a união do setor mineral. O executivo argumentou que a mineração é a base para o desenvolvimento das tecnologias modernas e essencial para o agronegócio nacional. Por fim, o presidente fez uma cobrança institucional, afirmando que o setor precisa aprender a comunicar melhor a sua importância, demonstrando à sociedade a existência de uma atividade mineral séria e responsável, atuando de forma transparente e construindo uma credibilidade inquestionável.
