Grandes reservas de itabirito e finos estocados em três décadas desencadeiam onda de aquisições e investimentos em Serra Azul. Foco é a exportação, mas também há projetos para agregar valor ao minério na região. Reunidas na AMISA – Associação das Mineradoras da Serra Azul, sete mineradoras de controle familiar, que produzem conjuntamente 5,7 milhões de toneladas/ano abastecendo com granulados quase que exclusivamente ao setor guseiro nos últimos 30 anos, passaram a investir em instalações de concentração para aproveitamento de pilhas de sinter feed (125 milhões de toneladas) e de 35 milhões de toneladas de rejeito, com pellet feed, acumulado em barragens. O projeto da AMISA começou a mudar com a onda de aquisições (ainda em andamento) iniciado com a compra de duas signatárias da associação – a AVG Mineração e a Minas Itatiaiuçu – respectivamente pela MMX Mineração (do empresário Eike Batista) e pela London Mining – grupo de investidores baseado em Londres.
Paulo Camillo Vargas Penna é presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram). Advogado, levanta bandeiras. Mineração em terras indígenas, marcos regulatórios para Unidades de Conservação e para o setor de agregados para construção civil, compensações ambientais, competência legislativa de órgãos colegiados (particularmente, o Conama) e flexibilização do monopólio de minerais radioativos.1
ITM: O senhor fala bastante em divulgar, informar e mostrar. A maioria das mineradoras não é ainda refratária a essas práticas?
Paulo Camillo: A questão é cultural. Lembro-me que, próxima da casa onde nasci, em Belo Horizonte (MG), havia uma mineradora de minério de ferro. No portão, de uns seis metros de altura, via-se uma placa: “Mineração. Afaste-se”. Como quem dissesse, “Cão Bravo. Afaste-se”. Esse já foi um traço geral da mineração e ainda há pequenas, médias e grandes mineradoras com essa cultura atrasada que queremos modificar..
Em 11 anos, MRS Logística triplicou o volume de carga transportada por antiga estatal e viabilizou corredores de exportação de minério e carga geral para os portos do Rio e Santos. Operadora está investindo R$ 700 milhões em 2007 e US$ 1 bilhão até 2010 em modernização e aumento da capacidade instalada. A MRS Logística se torna a cada dia mais estratégica para o desenvolvimento do setor minero-siderúrgico de Minas Gerais. Com uma malha relativamente curta – 1.674 km – e herdeira dos trilhos da antiga Santos-Jundiaí e da Central do Brasil, a MRS Logística desde que foi criada em 1996 tem investido ano-a-ano em modernização e viabilizado rotas de escoamento para exportação através dos portos do Rio de Janeiro, Itaguaí, Ilha Guaíba e Santos.
LEIA matéria na edição número 10 de INTHEMINE