NOVO PARADIGMA COM DEMANDA GLOBAL POR MINERAIS CRÍTICOS   

NOVO PARADIGMA COM DEMANDA GLOBAL POR MINERAIS CRÍTICOS  

Por José Antônio Bicalho, enviado especial da revista In the Mine

Diante de um auditório lotado, foi aberta na noite de ontem (domingo, 17/05) a 12ª edição do Simpósio Brasileiro de Exploração Mineral – SIMEXMIN, em Ouro Preto (MG), principal evento técnico da América Latina sobre pesquisa e prospecção mineral. Realizado no Centro de Convenções e Artes da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), o simpósio reúne executivos e representantes de empresas de exploração mineral e das principais mineradoras do país, geólogos, pesquisadores, entidades acadêmicas e representantes dos governos e organismos regulatórios.

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Marcos André Gonçalves, presidente da ADIMB: “novos paradigmas da mineração”

A afluência e a grande participação de profissionais nesta edição do evento se justificam. Conforme disse Marcos André Gonçalves, presidente da Agência de Desenvolvimento e Inovação do Setor Mineral Brasileiro (ADIMB), na cerimônia de abertura, “vivemos um momento de ruptura na pesquisa e na exploração mineral no país, no qual os paradigmas da mineração estão sendo modificados em função do crescimento da demanda global por metais críticos e estratégicos”.

Esse foi o tema dominante das falas dos presentes na mesa de abertura do simpósio: as oportunidades abertas ao Brasil, como um dos principais detentores de terras raras e metais críticos, e os desafios que esse legado natural impõe à pesquisa, à mineração e à estruturação de uma cadeia industrial nacional com produtos de maior valor agregado e tecnológico.

Produzir e exportar concentrados de minerais críticos, de acordo com a fala do professor José Alberto Cocota Júnior, diretor da Escola de Minas de Ouro Preto, é legítimo e é o que fazem, disse, as mineradoras em todos os principais países produtores do mundo, incluindo China, Canadá e África do Sul, entre outros. Ou seja, exportar concentrados é inerente ao negócio da mineração.

Mas, transformar a potencialidade mineral em desenvolvimento tecnológico, agregação de valor e estruturação de cadeias de valor mais extensas depende da iniciativa pública e da regulamentação para a criação de um ambiente de negócios positivo e de incentivo à pesquisa, prospecção, desenvolvimento tecnológico e investimento em novos negócios. Essa seria a direção necessária a ser tomada pelo Brasil que, até o momento, é o segundo maior país do globo em volume de reservas de terras raras e metais críticos comprovadas.

Roberto Perex Xavier: “futuro tecnológico (do setor mineral) está na colaboração”
Roberto Perez Xavier: “futuro tecnológico (do setor mineral) está na colaboração”

Roberto Perez Xavier, presidente da Comissão Organizadora do SIMEXMIN e diretor executivo da ADIMB, destacou os 30 anos da entidade, os 12 anos de realização do SIMEXMIN e os 150 anos da Escola de Minas de Ouro Preto comemorados neste ano. Também ressaltou o momento de transição que marca a edição atual do simpósio, momento em que “o mundo se eletrifica e ocorre a mudança do ‘petrodólar’ para o ‘eletroyuan'”, em referência à instabilidade dos padrões monetários globais. “Acreditamos que o futuro tecnológico está na colaboração. E este será o papel da ADIMB. O desenvolvimento das novas tecnologias vem por meio da colaboração”, afirmou.

Júlio Nery, do IBRAM: “setor mineral como motor de aceleração de uma nova fase de crescimento”
Júlio Nery, do IBRAM: “setor mineral como motor de aceleração de uma nova fase de crescimento”

Júlio Nery, diretor de Assuntos Minerários do IBRAM (Instituto Brasileiro de Mineração) disse que, a partir das oportunidades apresentadas pelos novos campos e projetos de mineração, o setor tem a oportunidade de reforçar sua importância para a população brasileira. “Nosso setor será o motor de aceleração de uma nova fase de crescimento”, afirmou.

Mauro Sousa, da ANM: “necessidade de aumentar a participação feminina nas minas e em posições de tomada de decisão nas empresas e no Estado”
Mauro Sousa, da ANM: “necessidade de aumentar a participação feminina nas minas e em posições de tomada de decisão nas empresas e no Estado”

Já Mauro Henrique Sousa, diretor geral da ANM (Agência Nacional de Mineração), destacou a necessidade de ampliar a presença feminina em um ambiente que classificou como predominantemente masculino. “Precisamos ter muito mais mulheres, não só nas cavas e nas minas, mas também em posições de tomada de decisão nas empresas e em posições de Estado”, declarou.

 Gabrielle Hall: fortalecimento da cooperação entre a Austrália e o Brasil
Gabrielle Hall: fortalecimento da cooperação entre a Austrália e o Brasil

Gabrielle Olívia Hall, cônsul geral e adida comercial da Austrália no Brasil, destacou que o SIMEXMIN deste ano foi seu primeiro evento oficial no novo cargo e o primeiro discurso proferido em português, aliás, em ótima dicção. Disse, ainda, que o fortalecimento da cooperação entre a Austrália e o Brasil em mineração, geologia e inovação mineral tem um novo time de relacionamento diplomático no país, colocando sua equipe à disposição das empresas e profissionais brasileiros e destacando a experiência dos envolvidos e a abertura ao diálogo de negócios entre os dois países, no desenvolvimento de uma mineração segura e sustentável.

Maria José Salum recebe a medalha “Onildo Marini” de Marcos Gonçalves e Miguel Marini - Crédito: José Antônio Bicalho/Revista In the Mine
Maria José Salum recebe a medalha “Onildo Marini” de Marcos Gonçalves e Miguel Marini – Crédito: José Antônio Bicalho/Revista In the Mine

Um momento especial do evento de abertura se deu na entrega da medalha “Onildo Marini”, honraria que leva o nome do fundador da ADIMB, à engenheira de Minas Maria José Salum, doutora em tecnologia mineral e professora do Departamento de Minas da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) desde 1977, que apresentou, como discurso, um texto criado por inteligência artificial e narrado em sua voz criada a partir de antigas palestras de sua autoria gravadas.

A professora, afetada por um problema de voz por doença autoimune, destacou a importância da criação da ADIMB, da qual participou, e a “honra da convivência por muitos anos” com o professor Marini, responsável pela formação de várias gerações de geólogos brasileiros na Universidade de Brasília (UnB), onde foi fundador do curso de Geologia e professor emérito.

A medalha à professora foi entregue por Miguel Marini, filho do professor Onildo José Marini. Também recebeu a medalha o geólogo Elmer Prata Salomão, presidente da Mineração Terras Raras (MTR), que desenvolve o projeto Morro do Ferro, para a extração dessas substâncias, Poços de Caldas (MG), em fase de aquisição pela australiana Power Minerals.

Elmer Salomão agradece a distinção com a medalha “Onildo Marini”
Elmer Salomão agradece a distinção com a medalha “Onildo Marini”

A revista In the Mine foi homenageada com placa comemorativa dos 30 anos da ADIMB, por participar, “com compromisso e excelência, da construção e consolidação dessa trajetória”.

José Antônio Bicalho representa a revista In the Mine homenageada no evento - Crédito: ADIMB/Divulgação
José Antônio Bicalho representa a revista In the Mine homenageada no evento – Crédito: ADIMB/Divulgação

“Que comecem os novos negócios… o momento é de explosão de uma indústria da qual, há cinco ou dez anos, ninguém falava. Somos a possibilidade de resolver os problemas que suas empresas têm. Um terço dos nossos associados já estão de alguma maneira envolvidos com minerais críticos e estratégicos”, afirmou Gonçalves, no encerramento do evento.

Foto em destaque: Abertura do 12ª Simexmin em auditório da Escola de Minas (UFOP) – Crédito: Neno Vianna/Prefeitura de Ouro Preto

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