O Projeto Araxá, localizado na cidade homônima, em Minas Gerais, se destaca no setor de minerais críticos por sua abordagem de dupla commodity, reunindo terras raras e nióbio de alta qualidade, o que contribui para sua viabilidade operacional e econômica. Thiago Amaral, diretor geral da St George Mining no Brasil, diz que o projeto está atualmente em fase de licenciamento e que estudos dos recursos minerais indicam mais de 100 m contínuos de rocha mineralizada desde a superfície, em uma área lateral superior a 100 hectares, permitindo uma projeção superior de 50 anos de vida útil à futura mina.
Os teores identificados são considerados elevados pelos padrões internacionais, com até 33% de óxidos de terras raras (TREO) – teores médios de cerca de 4,9% – e 8% de nióbio – teores médios de cerca de 1%. “A perfuração em andamento continua a identificar novas zonas mineralizadas, indicando potencial para expansão já anunciado da estimativa inicial de cerca de 40 Mt para 95 Mt e ainda com novas áreas a serem contabilizadas”, acrescenta Amaral.

A abordagem de dupla commodity, associada ao teor e à localização do projeto, contribui para mitigar riscos e ampliar a atratividade do projeto. Tanto que a St George atraiu investidores estratégicos relevantes, como a Hancock Prospecting Pty Ltd, além do interesse em contratos de fornecimento de longo prazo por parte de empresas internacionais, incluindo companhias dos Estados Unidos (EUA), Europa e Ásia.
Em seu planejamento para Araxá, a St George considera a agregação de valor ao longo da cadeia produtiva. Nesse contexto, a verticalização é avaliada por meio de parcerias para o desenvolvimento de tecnologias voltadas ao processamento de minerais críticos. Um dos exemplos dessas parcerias, destaca Amaral, é o investimento de R$ 25 milhões na implantação do Centro Tecnológico St George/CEFET-MG (Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais), no campus de Araxá, voltado ao processamento mineral e ao refino hidrometalúrgico de materiais críticos.
A empresa também participa do projeto MagBras, que busca desenvolver a produção brasileira de ímãs permanentes de terras raras no LabFabITR (Laboratório-Fábrica de Ímãs e Ligas de Terras Raras), iniciativa coordenada pelo SENAI (Serviço Nacional da Indústria) e FUNDEP (Fundação de Apoio da Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG). Entre as parcerias com empresas privadas para desenvolvimento de tecnologia estão as acordadas com a Tecnicas Reunidas, na Europa, REAlloys (EUA) e, no Brasil, com a Nanum Nanotecnologia e a Boston Metal do Brasil (veja tabela).

Segundo Amaral, a St George já utilizou linhas de crédito na modalidade Embrapii (Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial) para desenvolver projetos de inovação tecnológica em parceria com o CIT-SENAI (Centro de Inovação e Tecnologia do SENAI) e CETEM (Centro de Tecnologia Mineral), mas não recorreu, por exemplo, às chamadas públicas abertas pelo BNDES-FINEP (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social-Financiadora de Estudos e Projetos).
Em relação ao mercado, o diretor lembra que o nióbio e as terras raras estão inseridos em cadeias produtivas estratégicas associadas à transição energética, mobilidade elétrica e tecnologias avançadas. “A combinação dos dois ativos minerais do Projeto Araxá, nióbio e terras raras, possibilita à St George maior estabilidade em relação às oscilações de mercado, especialmente frente à cotação das terras raras. De toda forma, a demanda por esses minerais apresenta perspectiva consistente de crescimento no médio e longo prazo”, avalia Amaral.
| Parcerias Privadas da St George Mining | |||
| Empresa/Qualificação | Sede | Data do MoU | Descritivo |
| Boston Metal do Brasil, detém a patente da tecnologia MOE (Eletrólise de Óxido Fundido), que permite a produção eficiente de metais a partir de matérias primas de baixa qualidade | Brasil | 01/04/2026 | Testar a MOE para a fabricação de produtos com o nióbio do Projeto Araxá |
| Tecnicas Reunidas, empresa global especializada no processamento de terras raras, lidera o Permanet, projeto financiado pela União Europeia para criar a primeira cadeia de valor europeia para a fabricação de imãs permanentes | Espanha | 31/03/2026 | Realização de testes de processamento de terras raras do Projeto Araxá |
| Nanum Nanotecnologia, especialista em processamento e a produção de produtos comerciais a partir de nanomateriais, incluindo cério | Brasil | 13/03/2026 | Avaliação do emprego de cério contido nas terras raras do Projeto Araxá para a fabricação de produtos comerciais |
| REAlloys, indústria com cadeia de suprimentos integrada, da mina à fabricação de imãs. Produz materiais magnéticos para organizações do governo e indústrias dos EUA nos setores de defesa, aeroespacial e eletrônica | EUA | 21/01/2026
(extensão do contrato inicial assinado em Set/2025) |
Fornecimento de terras raras do Projeto Araxá |
Fonte: Comunicados a Investidores da St George Mining

A aquisição do Projeto Araxá foi aprovada, por unanimidade, pela assembleia geral de acionistas da australiana St George Mining em 08 de outubro de 2024. No final desse mesmo mês, a empresa assinou um Memorando de Entendimento (MoU) com a Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SEDE) de Minas Gerais, representada pelo Instituto Integrado de Desenvolvimento Econômico (Invest Minas), durante a International Mining and Resources Conference (IMARC) em Sydney, na Austrália, visando a adoção das melhores práticas sustentáveis de produção e gestão do projeto, a atuação conjunta com o estado e a cidade de Araxá e a contratação de fornecedores e profissionais locais. Na época, a instalação das futuras mina e planta estava estimada em cerca de R$ 2 bilhões.
