A Nexa Resources registrou EBITDA ajustado de US$ 301 milhões no terceiro trimestre de 2026, crescimento de 62% em relação ao mesmo período do ano anterior e de 5% na comparação com o segundo trimestre. A receita líquida atingiu US$ 937 milhões, alta anual de 23%, impulsionada principalmente pelos maiores preços do zinco, pela contribuição dos subprodutos e pela recuperação operacional das unidades de fundição (smelters).
A margem EBITDA ajustado alcançou 32,1%, avanço de 7,7 pontos percentuais na comparação anual. O fluxo de caixa livre somou US$ 73 milhões, enquanto a alavancagem líquida recuou de 1,40 vez no segundo trimestre para 1,24 vez. Apesar da melhora operacional, a companhia registrou prejuízo líquido de US$ 47 milhões, influenciado por ajustes contábeis sem efeito caixa.
Aripuanã amplia utilização da planta
Entre os destaques operacionais está a evolução da unidade de Aripuanã (MT), cuja utilização média da capacidade de processamento passou de 71% no segundo trimestre para 84% no terceiro, atingindo 90% em setembro.
O desempenho foi favorecido pela entrada em operação do quarto filtro de rejeitos, que ampliou a capacidade de processamento e de empilhamento a seco, além de contribuir para a recuperação e o reúso de água.
A produção consolidada de zinco nas operações de mineração da Nexa atingiu 85 mil toneladas no trimestre, crescimento de 7% em relação ao período anterior e de 1% na comparação anual. A produção de chumbo chegou a 18 mil toneladas, enquanto a de cobre totalizou 6 mil toneladas, queda anual de 30%, principalmente em razão de menores teores de minério em Cerro Lindo e Aripuanã.
A produção de prata alcançou 2,9 milhões de onças, alta de 8% em relação ao segundo trimestre, sustentada pelo maior volume processado e pela melhoria dos teores, especialmente em Aripuanã.
Investimentos sobem para US$ 420 milhões
A Nexa revisou para cima em 10% sua previsão de investimentos (CAPEX) para 2026, elevando o orçamento para US$ 420 milhões. A decisão está relacionada principalmente à aceleração do desenvolvimento da mina de Aripuanã, com o objetivo de sustentar maiores volumes de processamento em 2027, e à antecipação de investimentos no Projeto de Integração Cerro Pasco, no Peru.
No terceiro trimestre, os investimentos totalizaram US$ 111 milhões, crescimento de 25% em relação ao trimestre anterior. Os recursos foram direcionados principalmente ao desenvolvimento de minas e às estruturas de armazenamento de rejeitos.
No Projeto de Integração Cerro Pasco, a companhia concluiu as obras civis, a montagem dos principais equipamentos e a estrada de acesso, além do alteamento da barragem de Atacocha. A conclusão mecânica está prevista para dezembro de 2026, com comissionamento até o primeiro trimestre de 2027 e início esperado do bombeamento de rejeitos no terceiro trimestre do próximo ano, condicionado às autorizações regulatórias.
Eficiência operacional e sustentabilidade
A Nexa também destacou iniciativas de eficiência e economia circular. Em Cerro Lindo, no Peru, a otimização do sistema de preenchimento de espaços subterrâneos (backfill) reduziu em aproximadamente 20% o consumo de cimento em relação aos níveis orçados para os nove primeiros meses do ano.
Em Juiz de Fora (MG), a companhia avançou no desenvolvimento do Geojar, aditivo produzido a partir de jarosita para utilização na estabilização de rejeitos destinados ao empilhamento a seco. A unidade também forneceu cerca de 3 mil toneladas de agregado Waelz para projetos de pavimentação rodoviária, substituindo brita virgem.
Na área de segurança, a taxa de frequência de lesões registráveis caiu de 1,50 para 1,34 na comparação anual, apesar do aumento de aproximadamente 19% nas horas trabalhadas. A companhia informou ainda que está reforçando medidas preventivas diante da possibilidade de ocorrência de um evento El Niño de forte intensidade em 2026 e 2027.
Mudança no controle acionário
No campo societário, a Nexa reiterou que a venda da participação controladora de 64,68% da Votorantim para a sueca Boliden, anunciada em agosto, tem conclusão prevista para o primeiro trimestre de 2027, sujeita às aprovações necessárias.
Até a conclusão da operação, a companhia permanecerá independente, mantendo sua estratégia e prioridades de investimento.
Segundo o CEO Ignacio Rosado, o desempenho trimestral demonstra a capacidade do modelo integrado da Nexa de capturar valor nas diferentes etapas da cadeia produtiva, mesmo diante das restrições no mercado de concentrado de zinco.
A empresa manteve suas projeções de produção de mineração e vendas de smelters para 2026, reforçando como prioridades a geração de caixa, a redução do endividamento e a continuidade dos investimentos em eficiência operacional.
