No Sistema Minas-Rio, da Anglo American, investimentos em recirculação, novas tecnologias de beneficiamento e programas de conservação ambiental vêm ampliando a eficiência hídrica da operação, reduzindo a necessidade de captação de água nova e fortalecendo a segurança do abastecimento da região. Em 2025, o empreendimento captou 58,3 Mm3 de água, dos quais 38,5 Mm3 tiveram origem na barragem de rejeitos, evidenciando o elevado índice de reaproveitamento da água utilizada no beneficiamento mineral. No período, a eficiência hídrica da operação atingiu 78,8%, resultado sustentado pela recirculação da água de processo e por tecnologias voltadas à recuperação desse recurso.
A principal fonte de água nova do Minas-Rio é o Rio do Peixe, em Dom Joaquim (MG), cuja água é transportada por uma adutora de aproximadamente 32 km até o complexo minerário. O sistema também utiliza água proveniente dos poços de rebaixamento da mina, da barragem de rejeitos e de captações superficiais e subterrâneas destinadas ao beneficiamento mineral, controle de poeira e abastecimento humano.

Mesmo com o aumento gradual da produção, a Anglo American registra evolução contínua dos indicadores de eficiência hídrica. A companhia ressalta, entretanto, que fatores externos, como a variação do regime de chuvas, influenciam diretamente o desempenho do balanço hídrico. Em paralelo à gestão operacional, a empresa desenvolve programas de preservação e recuperação de nascentes nas bacias hidrográficas onde atua. As iniciativas integram sua estratégia global de sustentabilidade, baseada nos princípios do programa FutureSmart Mining, com foco na resiliência hídrica e na conservação dos recursos naturais.
Controle
A gestão dos recursos hídricos do Minas-Rio é apoiada por um amplo sistema de monitoramento das captações superficiais e subterrâneas, garantindo o cumprimento das condições estabelecidas nas outorgas e a manutenção da disponibilidade de água para os demais usuários das bacias hidrográficas. Esse acompanhamento abrange rios, nascentes, aquíferos, efluentes e estruturas de contenção, contemplando tanto aspectos quantitativos quanto qualitativos. As atividades abrangem definição dos pontos de coleta, frequência de amostragem, parâmetros analíticos e envio de amostras para laboratórios certificados, conforme planos previamente aprovados pelos órgãos ambientais.
Os resultados dessas análises subsidiam a avaliação da eficiência das medidas de controle ambiental e asseguram o atendimento aos requisitos legais. O Programa de Gestão de Recursos Hídricos da empresa busca conciliar o uso racional da água com a preservação ambiental, adotando critérios técnicos para garantir a sustentabilidade das operações no longo prazo.

Reuso
O aumento da recuperação de água está diretamente associado às tecnologias empregadas no beneficiamento mineral. Entre elas destacam-se os sistemas de espessamento e filtragem de rejeitos, que promovem a separação entre sólidos e água, permitindo sua recirculação na planta industrial e reduzindo a necessidade de novas captações.
Um dos principais investimentos nessa área foi a instalação da planta de filtragem de rejeitos, que entrou em operação no início de 2026 após investimento aproximado de R$ 5 bilhões. Utilizando tecnologia de filtragem a vácuo, o sistema amplia a recuperação da água contida nos rejeitos e reduz significativamente o volume destinado à barragem, contribuindo também para o aumento da vida útil da estrutura.
Complementarmente, parte da água encaminhada à barragem retorna ao processo por meio de sistemas de bombeamento. Na mina, a utilização de polímeros supressores de poeira diminui a demanda por água na aspersão de vias, enquanto no Porto do Açu (RJ), onde é feito o embarque do minério para exportação, a empresa opera uma estação de tratamento para reuso da água utilizada no mineroduto e desenvolve projetos-piloto em parceria com outras indústrias do complexo portuário para ampliar o reaproveitamento hídrico.
Segundo a Anglo American, estudos em desenvolvimento avaliam novas soluções para gestão de rejeitos e otimização do balanço hídrico, reforçando a estratégia de redução contínua da dependência de água nova.
Nascentes
A conservação dos recursos hídricos também integra a estratégia ambiental do Minas-Rio. A empresa mantém mais de 27 mil ha destinados à conservação ambiental, abrangendo Áreas de Preservação Permanente (APPs), Reservas Legais (RLs), compensações florestais e corredores ecológicos. Nessas áreas estão protegidas mais de 500 nascentes da bacia do Rio Santo Antônio. Além disso, mais de 3 mil ha já foram recuperados por meio de revegetação e plantio de espécies nativas em áreas anteriormente ocupadas por pastagens.
Em parceria com o Centro Brasileiro para Conservação da Natureza e Desenvolvimento Sustentável (CBCN) e o Instituto Serra do Espinhaço, a Anglo American concluiu a recuperação de 23 nascentes em projeto reconhecido pela Unesco como iniciativa demonstrativa em ecohidrologia.
As ações também envolvem comunidades locais. O projeto Rota Viva Sustentável promove soluções de saneamento ecológico e educação ambiental em áreas rurais próximas ao empreendimento. Após beneficiar moradores da comunidade do Tabuleiro, a iniciativa foi ampliada em 2026 para a localidade de Parauninha, em Conceição do Mato Dentro (MG).
Como parte das metas futuras, a companhia prevê recuperar outros 80 hectares de áreas de preservação permanente até 2030 na bacia do Rio Santo Antônio, fortalecendo a proteção dos recursos hídricos e ampliando a resiliência ambiental da região.
