A Opex International nasceu em 2009 com a missão de transformar a importação no Brasil em uma alavanca de competitividade. Hoje, consolidada como referência em comércio exterior para os setores de mineração e construção, a empresa atua em seis países e se diferencia pela integração entre inteligência fiscal, gestão logística e operação aduaneira.
À frente da companhia está Giovanni Silva, CEO, que liderou a expansão da Opex e a transformação de uma trading convencional em uma plataforma completa de estruturação de comércio exterior.
Nesta entrevista para a Crane Brasil Giovanni compartilha os marcos da trajetória da empresa, seus serviços e diferenciais, além dos desafios e oportunidades do setor.
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A Opex atua desde 2009 no comércio internacional. Como a empresa evoluiu nesse período e quais marcos você destacaria?
Giovanni Silva — CEO, OPEX International:
A Opex nasceu em 2009 com uma tese clara: a importação no Brasil precisava deixar de ser um problema operacional para se tornar uma alavanca de competitividade. Nos primeiros anos, concentramos nossos esforços no corredor China-Brasil, construindo uma base sólida de sourcing e desenvolvendo expertise em equipamentos industriais e de construção — segmentos onde a complexidade logística e regulatória é particularmente alta.
Os marcos que destacaria refletem essa evolução. Primeiro, a conquista e manutenção do canal verde permanente junto à Receita Federal — algo que menos de 5% das trading companies conseguem sustentar de forma consistente, e que é indicador direto da qualidade e conformidade das nossas operações. Segundo, a superação de + 4000 processos de importação de plataformas aéreas (PEMTs), que nos tornou referência técnica nesse segmento específico. Terceiro, a expansão para uma presença operacional em 5 países — Brasil, China, Estados Unidos, Itália, Portugal —, com escritórios estratégicos em São Paulo, Vila Velha, Itajaí e Rondônia, Estados Unidos e HK.
Mas o marco mais importante foi a mudança de posicionamento: passamos de uma trading convencional para uma plataforma de estruturação de comércio exterior que integra inteligência fiscal, gestão logística e operação aduaneira em um serviço único. Não executamos apenas operações — construímos vantagem competitiva para nossos clientes.
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Quais são os principais serviços que a Opex oferece para empresas de mineração e construção que precisam importar equipamentos pesados?
Giovanni Silva — CEO, OPEX International:
Operamos em três frentes complementares que cobrem toda a cadeia de valor da importação.
A primeira — e mais robusta — é a operação de importação propriamente dita, por conta e ordem ou por encomenda. Abrange desde o sourcing internacional e negociação com fabricantes até a entrega do equipamento, incluindo toda a cadeia de compliance aduaneiro, classificação fiscal, gestão cambial e logística porta-a-porta. Para empresas de mineração e construção, isso significa que o cliente pode focar na sua operação core enquanto nós gerenciamos toda a complexidade da internação de equipamentos de alto valor.
A segunda frente é o Market Entry: apoiamos fabricantes estrangeiros de equipamentos a entrarem no mercado brasileiro com uma operação estruturada, sem necessidade de abrir CNPJ ou montar equipe local. Funcionamos como braço operacional completo — importação, distribuição, representação comercial e suporte pós-venda.
A terceira é a consultoria especializada em comércio exterior, com foco em estruturação fiscal e planejamento tributário. Para equipamentos de alto valor — como os utilizados em mineração e construção civil —, a diferença entre importar com e sem inteligência fiscal pode representar milhões em economia. Fazemos diagnósticos de viabilidade, análise de regimes especiais (Drawback, TTD, INVEST-ES, Ex-Tarifário) e otimização de NCM para cada linha de produto.
Para o segmento específico de mineração e construção, essa combinação é crítica porque estamos falando de equipamentos com valor unitário elevado, logística complexa — cargas superdimensionadas, transporte especial — e alta sensibilidade regulatória. Cada variável mal gerida pode comprometer milhões em custo ou semanas em prazo.
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A presença internacional da Opex é ampla. Como essa rede global se traduz em benefícios práticos para os clientes brasileiros?
Giovanni Silva — CEO, OPEX International:
Nossa presença em 6 países — Brasil, China, Estados Unidos, Itália, Portugal e HK— não é uma questão de ter endereço no cartão. É uma rede operacional ativa, com relacionamentos diretos junto a fabricantes, agentes de carga, despachantes e autoridades locais em cada mercado.
Na prática, isso se traduz em três benefícios concretos. O primeiro é poder de negociação e acesso direto. Quando você compra de um fabricante na China com o respaldo de quem já processou centenas de operações no mesmo corredor, as condições comerciais são outras — prazo de pagamento, prioridade de produção, garantias. Nosso escritório de sourcing na China nos dá essa proximidade operacional cotidiana.
O segundo é rastreabilidade e controle de qualidade na origem. Temos capacidade de fazer inspeções de fábrica, acompanhar produção e validar embarques antes que saiam do país de origem. Para equipamentos pesados de mineração e construção, onde uma não-conformidade descoberta só na chegada ao Brasil pode significar semanas de atraso e custos enormes, essa capacidade é transformadora.
O terceiro é inteligência de mercado. Quem opera em múltiplos países conhece os fornecedores de perto — seus pontos fortes, limitações, histórico de entregas. Conseguimos orientar nossos clientes sobre quem de fato entrega o que promete, evitando surpresas que costumam ser caras.
Essa rede, combinada com nossos escritórios no Brasil em São Paulo, Vila Velha, Itajaí e Rondônia, permite que operemos com agilidade em qualquer corredor logístico — do porto ao pátio do cliente.
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A Opex afirma reduzir custos e prazos de importação. Pode compartilhar números médios ou indicadores que comprovem essa eficiência?
Giovanni Silva — CEO, OPEX International:
Trabalhamos com uma métrica interna que chamamos de “custo total de internação” — vai muito além do preço FOB. Inclui frete internacional, seguro, impostos, taxas portuárias, armazenagem, câmbio e custos administrativos. Ao otimizar cada uma dessas variáveis de forma integrada, conseguimos reduções que tipicamente ficam entre 8% e 15% sobre o custo total da operação, dependendo do tipo de equipamento e do regime tributário aplicável.
Em termos de prazo, o indicador mais tangível é o canal verde permanente na Receita Federal — nossos despachos são liberados sem retenção para conferência física na grande maioria dos casos. Para quem importa equipamentos pesados, onde cada dia parado no porto pode custar milhares de reais em demurrage e armazenagem, essa velocidade de liberação é um diferencial operacional direto. Ao longo da nossa trajetória, já otimizamos mais de 35 mil linhas de custo.
Outro indicador relevante: mantemos taxa de incidência zero de multas ou penalidades aduaneiras nos últimos anos. Isso é compliance, é dinheiro que não se perde. Uma única autuação da Receita Federal em uma operação de equipamento pesado pode representar valores que inviabilizam a margem do negócio.
A previsibilidade que entregamos — em custo e em prazo — é o que permite aos nossos clientes planejar com confiança. E para setores como mineração e construção, onde cronogramas de obra e janelas de projeto são rígidos, essa previsibilidade vale tanto quanto a economia direta.
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Quais são os maiores desafios logísticos na importação de máquinas de grande porte e como a Opex ajuda a superá-los?
Giovanni Silva — CEO, OPEX International:
O transporte de equipamentos pesados — guindastes, plataformas elevatórias, escavadeiras, britadores — traz desafios que vão além da logística convencional. Estamos falando de cargas superdimensionadas que exigem planejamento especial de estiva, navios com capacidade de guindastes adequada, autorizações de transporte rodoviário especial (AET) e, em muitos casos, desmontagem parcial para viabilizar o embarque.
A Opex atua nesses processos de ponta a ponta. Na origem, coordenamos com o fabricante a preparação da carga — embalagem industrial, peação adequada, documentação técnica para transporte. No trânsito internacional, selecionamos rotas e armadores considerando preço de frete, assim como tempo de trânsito, confiabilidade e capacidade de manuseio de carga pesada. Na chegada ao Brasil, gerenciamos o desembaraço aduaneiro, transporte interno e entrega, incluindo, quando necessário, escolta, içamento e posicionamento.
O ponto que muitos importadores subestimam é a coordenação entre essas etapas. Um atraso na documentação pode travar um navio. Uma classificação fiscal incorreta pode gerar retenção na alfândega por semanas. Um planejamento de transporte mal dimensionado pode danificar um equipamento de milhões. Cada interface entre etapas é um ponto potencial de perda financeira e de prazo.
Nosso papel é eliminar essas interfaces de risco. Com escritórios em praças-chave e presença nos principais mercados de origem, conseguimos manter controle e visibilidade sobre toda a cadeia, do chão de fábrica ao pátio do cliente.
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Como funcionam os modelos de importação “Encomenda” e “Conta e Ordem” na prática, e quais vantagens eles oferecem para empresas de mineração e construção?
Giovanni Silva — CEO, OPEX International:
São dois regimes legais previstos na legislação brasileira que permitem que uma empresa de comércio exterior como a Opex conduza a importação em nome do cliente, cada um com estrutura fiscal e operacional distinta.
Na importação por conta e ordem, a Opex atua como mandatária: o cliente é o real adquirente da mercadoria, e nós executamos toda a operação — embarque, desembaraço, logística — por conta dele. Os impostos incidem sobre o valor da mercadoria e o cliente assume a titularidade desde a origem. É o modelo mais utilizado quando o cliente quer manter controle total sobre a negociação com o fornecedor e precisa de uma estrutura operacional profissional para executar.
Na importação por encomenda, a Opex adquire a mercadoria no exterior com recursos próprios e revende ao cliente no mercado interno. Há uma operação de compra e venda — o que pode trazer vantagens fiscais específicas dependendo do estado de destino e do regime tributário do cliente.
Para o setor de mineração e construção, ambos os modelos são relevantes — e a escolha do modelo ideal exige análise caso a caso. Equipamentos de alto valor unitário se beneficiam de uma avaliação que considere NCM, ICMS do estado de destino, benefícios fiscais aplicáveis (como TTD-SC ou INVEST-ES) e estrutura societária do comprador. Em muitos casos, a escolha correta do modelo pode representar uma economia que supera facilmente 5% do valor total da operação.
É exatamente esse tipo de análise técnica que fazemos antes de recomendar o caminho, já que a eficiência da importação começa antes do embarque.
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A empresa fala em conformidade legal e segurança. Pode detalhar como garante que não haja problemas com órgãos reguladores?
Giovanni Silva — CEO, OPEX International:
Compliance é cultura operacional na Opex. O indicador mais objetivo disso é o canal verde permanente junto à Receita Federal, que mantemos de forma consistente. Esse status significa que cada operação que realizamos é auditável, rastreável e 100% aderente à legislação aduaneira e tributária brasileira.
Na prática, temos um processo estruturado que começa antes do embarque: classificação fiscal rigorosa (NCM, Ex-Tarifário), validação de documentos de origem, conferência de licenças de importação quando aplicável, análise de tratamento administrativo no SISCOMEX e verificação de todas as obrigações acessórias. Utilizamos sistemas integrados de gestão de comércio exterior que permitem rastreamento em tempo real de cada etapa.
Trabalhamos com despachantes aduaneiros de confiança nos principais portos do Brasil. Mantemos rotina de auditoria interna das operações, cruzando dados fiscais, cambiais e logísticos para identificar qualquer inconsistência antes que se torne problema.
No setor de equipamentos pesados para mineração e construção, a atenção ao compliance é ainda mais crítica: muitos produtos exigem certificações específicas (INMETRO, licenças ambientais, anuências técnicas) e qualquer erro na classificação ou documentação pode resultar em retenção de carga, multas ou até perdimento. Nossa taxa de incidência de penalidades aduaneiras é zero nos últimos anos — e trabalhamos diariamente para mantê-la assim.
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Em caso de avarias ou extravios durante o transporte internacional, quais medidas a Opex adota para proteger o cliente?
Giovanni Silva — CEO, OPEX International:
A primeira e mais importante medida é preventiva: toda operação de importação conduzida pela Opex inclui seguro de transporte internacional adequado ao valor e à natureza da carga. Para equipamentos pesados, trabalhamos com apólices all-risk que cobrem desde avarias por manuseio até perdas totais. Orientamos nossos clientes sobre os incoterms mais adequados para cada situação, priorizando condições que mantenham o controle do seguro nas mãos de quem tem mais interesse.
Na origem, coordenamos a embalagem industrial e a peação da carga conforme padrões internacionais. Quando o valor ou a criticidade justificam, realizamos inspeção pré-embarque com registro fotográfico e documental completo. Isso é fundamental para fundamentar qualquer eventual reclamação de seguro — sem documentação de origem, o processo de indenização se torna muito mais lento e incerto.
Em caso de sinistro, atuamos como intermediários entre o cliente, a seguradora e o transportador. Temos experiência em processos de vistoria, perícia e regulação de sinistros de carga pesada, o que acelera significativamente o processo de resolução. O cliente não precisa lidar sozinho com a burocracia — nós conduzimos.
O princípio é tratar gestão de risco como parte integrante da operação, não como algo que se resolve depois do problema.
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Quais países ou regiões têm se destacado como fornecedores estratégicos de equipamentos de mineração e construção?
Giovanni Silva — CEO, OPEX International:
A China continua sendo, de longe, o principal fornecedor estratégico — e não apenas por preço. Nos últimos anos, os fabricantes chineses de equipamentos de construção e mineração deram um salto relevante em qualidade, tecnologia e capacidade produtiva. Marcas como Sinoboom, LGMG, Dingli, XCMG e Sany já competem em condições de igualdade com fabricantes tradicionais europeus e americanos em diversas categorias. O corredor China-Brasil é nosso core — operamos ali desde 2009 e temos relacionamento direto com dezenas de fabricantes.
Os Estados Unidos e a Europa, particularmente Alemanha, Itália e Portugal, permanecem relevantes para equipamentos de alta especialização: guindastes de grande porte, sistemas de britagem de alta performance, equipamentos de perfuração. São mercados onde o valor agregado da tecnologia justifica o diferencial de custo.
Mais recentemente, observamos Índia, Vietnã e Turquia emergindo como alternativas para componentes e equipamentos de linha mais acessível. Não substituem a China em escala, mas diversificam a cadeia de suprimentos — algo que se tornou estratégico desde as disrupções logísticas globais recentes.
Para nossos clientes de mineração e construção, a recomendação é diversificar fontes com inteligência. E é exatamente isso que viabilizamos — acesso a múltiplos mercados de origem com uma operação unificada e controle centralizado.
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Como a Opex garante a qualidade e a confiabilidade dos fornecedores internacionais, especialmente em equipamentos críticos?
Giovanni Silva — CEO, OPEX International:
Temos um processo estruturado de validação de fornecedores que vai além da due diligence documental. Para equipamentos críticos — e no setor de mineração e construção, praticamente todo equipamento é crítico —, fazemos avaliação in loco quando necessário: visitamos fábricas, verificamos linhas de produção, avaliamos capacidade instalada, certificações de qualidade (ISO, CE) e histórico de exportação.
Nosso diferencial é que não somos intermediários passivos. Temos presença operacional na China com escritório de sourcing, o que nos permite manter relacionamento contínuo com fabricantes. Isso cria accountability: o fornecedor sabe que teremos visibilidade sobre qualquer problema e que o relacionamento é de longo prazo.
Realizamos inspeções de qualidade pré-embarque em operações onde o risco justifica — verificação dimensional, funcional e documental. E mantemos um banco de dados interno com histórico de performance de cada fornecedor: prazos cumpridos, taxa de não-conformidade, responsividade no pós-venda.
Para equipamentos de mineração e construção, onde falhas podem significar parada de obra, risco de segurança ou interdição, esse nível de diligência não é opcional. Quem importa com inteligência logística e controle de qualidade na origem evita problemas que, descobertos só no Brasil, custam infinitamente mais para resolver.
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A empresa menciona inspeções de qualidade. Pode dar exemplos de como essas inspeções já evitaram problemas para clientes?
Giovanni Silva — CEO, OPEX International:
Posso compartilhar situações reais com ressalvas, por razões de confidencialidade comercial.
Em uma operação de importação de plataformas aéreas, nossa inspeção pré-embarque identificou que um lote tinha especificações elétricas incompatíveis com o padrão brasileiro. Se esse lote tivesse embarcado sem verificação, o cliente teria recebido equipamentos que exigiriam adaptação técnica cara e demorada — com custo de adequação que poderia superar a economia obtida na compra.
Em outra situação, envolvendo peças de reposição para equipamentos de movimentação de carga, a inspeção dimensional revelou desvios fora da tolerância em componentes críticos. O fabricante foi notificado, refez as peças e o embarque foi reprogramado sem custo adicional ao cliente — e sem o risco de um componente defeituoso entrar em operação.
O padrão que observamos é que quanto maior o valor e a complexidade do equipamento, maior a probabilidade de haver algum tipo de não-conformidade — não necessariamente por negligência do fornecedor, mas porque a cadeia de produção de equipamentos pesados envolve muitas variáveis.
Nosso papel é funcionar como a última linha de defesa antes do embarque. O custo de uma inspeção é irrisório comparado ao custo de descobrir um problema quando o container já chegou ao Brasil.
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Há casos em que fornecedores não cumpriram prazos ou padrões? Como a Opex gerenciou essa situação?
Giovanni Silva — CEO, OPEX International:
Sim, acontece, e faz parte da realidade do comércio internacional, especialmente com equipamentos fabricados sob encomenda. O que diferencia uma operação profissional de uma improvisada é a capacidade de antecipar, reagir e proteger o cliente quando isso ocorre.
Temos protocolos claros para gestão de não-conformidades. Quando um fornecedor não cumpre prazo, a primeira ação é entender a causa raiz: se é problema de capacidade produtiva, suprimento de componentes ou simplesmente má gestão de cronograma. Com base nisso, renegociamos prazos com compromissos formais, aplicamos penalidades contratuais quando previstas e, se necessário, ativamos fornecedores alternativos do nosso banco de dados.
Quando o problema é de padrão de qualidade, o protocolo é diferente: retemos o pagamento final quando o incoterm permite, exigimos retrabalho ou substituição e documentamos tudo para proteger o cliente. Em casos mais graves, já recomendamos a clientes que trocassem de fornecedor, mesmo quando isso significava perder uma comissão para nós.
Essa postura é o que constrói relações de longo prazo. Internamente, repetimos uma frase que guia nossa atuação: “Não é sobre um embarque, mas sim sobre continuidade.” Quem opera dessa forma constrói confiança e acreditamos que ela é o ativo mais valioso no comércio internacional.
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De que forma o planejamento tributário e as soluções financeiras da Opex impactam positivamente os custos de importação?
Giovanni Silva — CEO, OPEX International:
O planejamento tributário é provavelmente a alavanca de maior impacto que oferecemos. No Brasil, a carga tributária sobre importação de equipamentos pode representar entre 40% e 70% do valor FOB — dependendo do NCM, do estado de destino e do regime tributário da empresa. Uma classificação fiscal equivocada ou a não utilização de um benefício disponível pode significar milhões pagos desnecessariamente.
Nosso trabalho começa com análise detalhada de cada linha de produto: verificamos NCM, alíquotas de II, IPI, PIS, COFINS e ICMS; mapeamos Ex-Tarifários vigentes ou passíveis de solicitação; avaliamos regimes especiais como Drawback, TTD de Santa Catarina, INVEST-ES e outros incentivos estaduais e federais. Essa análise é feita antes de cada operação e revisada sempre que há mudança legislativa.
Na dimensão financeira, estruturamos operações de câmbio, condições de pagamento que otimizam o fluxo de caixa do cliente e, quando aplicável, financiamentos de importação. Para equipamentos de mineração e construção, onde o ticket médio é alto e os ciclos de investimento são longos, a diferença entre uma operação financeira bem estruturada e uma mal planejada pode viabilizar ou inviabilizar um projeto inteiro.
É por isso que falamos em “Taxpertise” — expertise tributária aplicada ao comércio exterior. Não se trata de pagar menos imposto; é sobre pagar o imposto correto, da forma mais eficiente possível, dentro de total conformidade legal.
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Quais regimes especiais são mais vantajosos para empresas que importam equipamentos de alto valor, como escavadeiras ou britadores?
Giovanni Silva — CEO, OPEX International:
Para equipamentos de alto valor unitário — escavadeiras, britadores, guindastes, plataformas aéreas —, os regimes mais relevantes variam conforme a operação, mas posso destacar os principais.
O Ex-Tarifário é o primeiro a ser avaliado. Permite redução do Imposto de Importação para 0% a 2% quando não há similar nacional. Para equipamentos especializados de mineração e construção, há um número significativo de Ex-Tarifários já vigentes — e quando não há, podemos pleitear junto ao MDIC. É um processo que a Opex tem experiência em conduzir e que pode representar economia substantiva em cada operação.
Os incentivos estaduais — como o TTD de Santa Catarina, o INVEST-ES do Espírito Santo e programas similares em outros estados — podem reduzir significativamente o ICMS na importação, desde que a operação seja estruturada corretamente no estado que oferece o benefício.
O Drawback é essencial para empresas que importam componentes ou equipamentos vinculados a exportação. Muito relevante para o setor de mineração quando há compromisso de exportação atrelado.
O REPETRO, para equipamentos destinados a atividades de pesquisa e lavra de petróleo e gás natural, se aplica a um subconjunto relevante que frequentemente se sobrepõe ao universo de mineração.
O ponto fundamental é que não existe “melhor regime” em abstrato — existe o regime mais eficiente para aquele equipamento, naquele estado, para aquela empresa, naquele momento regulatório. E é exatamente essa análise individualizada que fazemos antes de cada operação.
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A Opex fala em economia e previsibilidade. Pode citar um caso concreto em que o cliente obteve redução significativa de custos?
Giovanni Silva — CEO, OPEX International:
Sem revelar dados confidenciais de clientes específicos, posso descrever um caso representativo e recorrente no nosso portfólio.
Uma empresa do setor de locação de equipamentos de construção importava plataformas aéreas da China utilizando uma estrutura tributária padrão, sem otimização fiscal. Ao assumirmos a operação, identificamos três oportunidades: a classificação fiscal utilizada não aproveitava um Ex-Tarifário vigente; o estado de desembaraço não era o mais vantajoso em termos de ICMS; e a cadeia logística incluía custos de armazenagem desnecessários por falta de coordenação entre desembaraço e transporte interno.
Com a reestruturação completa — novo enquadramento fiscal, migração do desembaraço para um estado com regime especial mais favorável, e otimização da cadeia logística —, o custo total de internação foi reduzido em mais de 12% por unidade. Em uma operação com dezenas de equipamentos por ano, a economia acumulada superou vários milhões de reais ao longo do contrato.
Esse tipo de caso é mais comum do que se imagina. Muitas empresas importam no “piloto automático”, usando a mesma estrutura há anos sem reavaliar o cenário tributário, que no Brasil muda constantemente. Quando fazemos o diagnóstico, quase sempre encontramos oportunidades significativas. É por isso que nossa frente de consultoria em comércio exterior funciona frequentemente como porta de entrada: o cliente vem para um diagnóstico e descobre que pode economizar muito mais do que projetava.
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Como a empresa se diferencia de concorrentes que também oferecem soluções financeiras e tributárias para importação?
Giovanni Silva — CEO, OPEX International:
A diferença fundamental é que não somos uma consultoria que entrega um parecer e vai embora, nem uma trading que executa embarques sem visão estratégica. Integramos as duas disciplinas, inteligência fiscal e capacidade operacional completa, em uma estrutura única.
A maioria dos concorrentes se posiciona em um dos dois extremos: ou são operadores logísticos e despachantes que fazem o processo mecânico de importação sem visão tributária estratégica, ou são consultorias tributárias que entregam relatórios mas não colocam a mão na operação. Nós fazemos os dois e conectamos um ao outro, porque a eficiência tributária só se materializa quando a operação é executada corretamente.
Outro diferencial é a especialização setorial. Não somos generalistas — temos profundidade real em equipamentos pesados, particularmente plataformas aéreas, equipamentos de construção e mineração. Conhecemos os NCMs, os Ex-Tarifários, os fornecedores, as particularidades logísticas e os riscos regulatórios específicos desses segmentos. Quando um cliente chega com uma demanda, não estamos começando do zero.
E há o fator confiança construída ao longo de 16 anos: mais de 2000 processos de PEMTs concluídos, canal verde permanente, zero penalidades aduaneiras e um portfólio de clientes de referência no setor que validam a nossa entrega. Como costumo dizer: “Não somos operadores. Somos a estrutura.” E é essa estrutura que gera economia sustentável.
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A Opex utiliza plataformas digitais para dar transparência ao processo de importação. Quais ferramentas específicas estão disponíveis para os clientes?
Giovanni Silva — CEO, OPEX International:
Trabalhamos com sistemas integrados de gestão de comércio exterior que permitem ao cliente acompanhar cada etapa da operação em tempo real. O coração da nossa gestão operacional é um ERP especializado que centraliza toda a informação, da ordem de compra à entrega final, incluindo documentos, status aduaneiro, posição cambial e tracking logístico.
Fornecemos dashboards de acompanhamento com visibilidade sobre indicadores-chave: status de cada processo, prazos estimados de liberação, custos parciais e totais, e alertas automáticos quando alguma etapa requer atenção ou decisão do cliente. Isso elimina o que é talvez a maior frustração de quem importa: a sensação de não saber o que está acontecendo com a sua carga enquanto ela está em trânsito ou no desembaraço.
Para operações recorrentes, como é o caso de muitos clientes de mineração e construção que importam múltiplos equipamentos ao longo do ano, geramos relatórios analíticos periódicos que permitem visualizar tendências de custo, performance de fornecedores e oportunidades de otimização ao longo do tempo. Não se trata apenas de transparência processual — é inteligência operacional que melhora a cada ciclo.
Continuamos investindo em tecnologia para aprimorar essa experiência. Nosso conceito de “Trade Tech” — tecnologia aplicada ao comércio exterior — reflete a convicção de que a digitalização não é diferencial cosmético. É ferramenta de geração de valor real para o cliente e de eficiência operacional para toda a cadeia.
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O setor de mineração e construção tem sido pressionado por práticas ESG. A Opex possui iniciativas de sustentabilidade aplicadas às suas operações logísticas?
Giovanni Silva — CEO, OPEX International:
ESG é um tema que levamos a sério — tanto pela convicção própria quanto pela demanda crescente dos nossos clientes, especialmente os que fornecem para grandes mineradoras e construtoras que exigem compliance ESG em toda a cadeia de suprimentos.
Na dimensão ambiental, trabalhamos na otimização de rotas logísticas para reduzir pegada de carbono, na consolidação de cargas para maximizar eficiência por container e na seleção de armadores que operam com frotas mais modernas e eficientes. Para o transporte terrestre no Brasil, priorizamos operadores com frota dentro dos padrões de emissão mais recentes.
Na dimensão de governança, nosso compromisso com compliance é a base de tudo. Operamos com total transparência fiscal e aduaneira, mantemos registros auditáveis de todas as operações e seguimos rigorosamente a legislação anticorrupção brasileira e internacional. O canal verde permanente na Receita Federal é, em si, um atestado objetivo de governança.
Na dimensão social, investimos na formação e qualificação da equipe, em práticas de remuneração justa e em relações de longo prazo com nossos parceiros operacionais.
Reconheço que ESG é uma jornada contínua e que temos espaço para avançar — estamos estruturando indicadores mais formais e buscando certificações que validem nossas práticas. Mas o fundamental já está no DNA da operação: fazer comércio exterior de forma ética, transparente e responsável. Para nós, isso não é marketing — é condição de existência.
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O setor exige operações de grande escala. A Opex tem capacidade para atender múltiplos projetos simultaneamente sem comprometer prazos?
Giovanni Silva — CEO, OPEX International:
Sim, e essa capacidade é um dos nossos diferenciais operacionais mais importantes. Nossa estrutura foi desenhada para operar múltiplos processos simultâneos. Hoje gerenciamos dezenas de operações em paralelo para diferentes clientes, em diferentes corredores logísticos e com diferentes perfis de carga.
Isso é possível por três razões. A primeira é processo: cada operação segue um workflow estruturado com checkpoints, responsáveis e prazos definidos. A segunda é tecnologia: nosso ERP de comércio exterior e nossos sistemas de tracking nos dão visibilidade em tempo real sobre todas as operações simultaneamente, permitindo identificar gargalos antes que se tornem problemas. A terceira é capilaridade: temos escritórios estratégicos em São Paulo, Vila Velha, Itajaí e Rondônia, além de presença internacional em 5 países, o que nos dá redundância e flexibilidade operacional em qualquer corredor.
Para mineração e construção, setores onde projetos envolvem múltiplos embarques ao longo de meses ou anos, essa capacidade de gestão simultânea é crítica.
A escala, para nós, não é obstáculo — é onde demonstramos que o modelo funciona. E quando temos visibilidade sobre o pipeline de necessidades do cliente, conseguimos antecipar demandas, negociar melhores condições com fornecedores e otimizar a logística de forma proativa.
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Quais tendências você enxerga para o comércio internacional de equipamentos de mineração e construção nos próximos anos, e como a Opex está se preparando para elas?
Giovanni Silva — CEO, OPEX International:
Vejo quatro vetores que estão redesenhando o setor — e que vão se intensificar nos próximos anos.
O primeiro é a eletrificação e transição energética dos equipamentos. Plataformas aéreas elétricas, escavadeiras híbridas, caminhões autônomos — a demanda por equipamentos de baixa emissão cresce de forma acelerada, impulsionada por regulação, compromissos ESG das grandes mineradoras e construtoras, e pela simples vantagem econômica do custo energético inferior. Os fabricantes asiáticos estão liderando essa transição, o que reforça a relevância do corredor que dominamos.
O segundo é a diversificação das cadeias de suprimento. Após as disrupções da pandemia e as tensões geopolíticas, empresas estão buscando alternativas à dependência excessiva de um único fornecedor ou país. Isso favorece operadores como a Opex, que têm presença em múltiplos mercados e podem oferecer fontes alternativas qualificadas com agilidade.
O terceiro é o aumento da complexidade regulatória. O cenário tributário e aduaneiro brasileiro está em transformação constante — reforma tributária, novas exigências de compliance, evolução dos regimes especiais. Empresas que tentam navegar isso sozinhas vão enfrentar risco crescente.
O quarto é a digitalização do comércio exterior — blockchain para rastreabilidade, inteligência artificial para otimização de classificação fiscal e rotas, plataformas integradas de gestão.
A Opex está se preparando nas quatro frentes: aprofundando presença em mercados de fornecimento estratégicos, investindo em tecnologia aplicada ao trade, mantendo expertise regulatória permanentemente atualizada e expandindo nossos serviços de consultoria.
SOBRE O ENTREVISTADO
Giovanni Silva, CEO e Fundador — OPEX International
Mais de 16 anos liderando operações de comércio exterior em importação, exportação e trading. Especialista em estruturação de operações internacionais para equipamentos industriais, máquinas pesadas, plataformas aéreas (PEMTs), insumos e produtos de alta complexidade logística. Fundou a OPEX International com a missão de oferecer inteligência logística e previsibilidade operacional para empresas que atuam no mercado global, com presença operacional em 6 países e escritórios estratégicos no Brasil e no exterior.
www.opexinternational.com.br | giovanni@opexinternational.com.br
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