A AngloGold Ashanti tem consolidado sua atuação sob a premissa de que a segurança precede a produção. Segundo Márcio Resende, gerente de Saúde e Segurança do Trabalho da companhia, as operações são estruturadas para sustentar a meta de zero acidente em suas atividades diárias. O pilar fundamental dessa construção reside na consolidação de uma cultura corporativa homogênea e fortemente apoiada no conceito de liderança ativa, que se manifesta desde a alta gestão até as frentes de trabalho na superfície e no subsolo.

O engajamento das equipes operacionais ocorre pelo princípio de “liderar pelo exemplo nas operações”, destaca Resende. A presença constante dos gestores em campo e os Diálogos Diários de Segurança (DDS) conduzidos pelas chefias reforçam que o zero acidente é um valor inegociável. Para materializar esse compromisso, o gerente aponta os projetos “Mantendo a Guarda Alta” e “Atitude Campeã”. Essas iniciativas focam na prevenção, treinando e empoderando os colaboradores. “Ambas as iniciativas garantem autonomia para identificar desvios de comportamento ou condições inseguras, consolidando a segurança como um compromisso de cuidado mútuo”, afirma o executivo.
Um reflexo prático disso é o direito de recusa. Sob o lema de que “se não for seguro, não faça”, a mineradora fomenta um ambiente de segurança psicológica estruturado. Resende explica que paralisar uma máquina ou suspender uma atividade por risco não gera retaliação, sendo uma atitude valorizada pela alta gestão. Além disso, os líderes são avaliados pelo engajamento nas rotinas de segurança e execução de controles críticos. “Dessa forma, calibramos o comportamento gerencial para garantir que a busca pela excelência operacional caminhe, obrigatoriamente, lado a lado com a proteção à vida”, pontua o gerente.
A fadiga e o estresse são mitigados com tecnologias em tempo real. As frotas possuem câmeras de fadiga e os profissionais realizam testes de prontidão operacional antes de cada jornada. Os dados gerados são gerenciados por um fluxo rigoroso de tratativas preventivas. Não há distinção de exigência entre empregados próprios e contratados.
A perda de conhecimento técnico gerada pela rotatividade é mitigada com o uso de treinamento on the job e com o Plano de Segurança para Novatos. Na adaptação, os recém-chegados são acompanhados por padrinhos experientes e recebem identificação visual específica por meio de cores diferenciadas nos capacetes e coletes. “Essa estratégia de sinalização garante que toda a equipe tenha um cuidado ativo e atenção redobrada com os colaboradores que ainda estão se familiarizando com a rotina operacional”, detalha o gerente. Todos os processos críticos são registrados e monitorados por procedimentos normativos no Sistema de Gestão Integrado.

Crédito: Daniel Mansur
Inovação Digital
Na gestão de riscos de alta severidade, Resende aponta a criação da sala Segurança 4.0, que conta com simuladores de realidade virtual. Também são realizados simulados rotineiros de situações de risco em atividades de superfície e subsolo, além do emprego de softwares dedicados a verificar os controles críticos. O Centro de Controle Operacional (CCO) centraliza as informações do processo produtivo usando uma arquitetura de sistemas integrados que abrange desde o controle de frota até a mecânica de rochas.
Essa integração permite acessar dados cruciais em tempo real para decisões rápidas. Em emergências e simulados, o sistema People Tracking, integrado ao CCO, acompanha a localização exata das pessoas na mina subterrânea, garantindo respostas imediatas. A segurança expande-se às comunidades do entorno por meio de simulados de emergência integrados com a Defesa Civil, focados em rotas de fuga e alarmes sonoros, promovendo uma cultura de prevenção pública. Contra riscos externos como garimpo ilegal ou roubo de insumos, a equipe realiza inspeções de campo, registros fotográficos, relatórios e boletins de ocorrência junto à Polícia Ambiental, além de ações conjuntas com a Polícia Federal.
Hoje, as frentes mais perigosas, como perfuração e desmonte remoto de rochas, contam com operações autônomas e semiautônomas. “A automação e as operações remotas são pilares para a eliminação de riscos, indo além do ganho de produtividade ao retirar os trabalhadores da linha de fogo, eliminando a exposição física e reduzindo a interação homem-máquina”, explica Resende. Para garantir resiliência contra ataques cibernéticos e indisponibilidade de softwares de automação (OT – Tecnologia Operacional) e corporativos (TI – Tecnologia de Informação), a mineradora estruturou Planos de Recuperação de Desastres (DRP) com procedimentos claros de restauração ágil.
A defesa inclui a segmentação rigorosa entre as redes TI e OT usando firewalls para impedir o movimento lateral de ameaças. A solução de Gerenciamento de Acessos Privilegiados (PAM) garante controle estrito e rastreabilidade em tempo real dos acessos de fornecedores e terceiros. O monitoramento contínuo das redes OT detecta anomalias precocemente. Trimestralmente, os usuários passam por capacitação cibernética e mensalmente são avaliados por testes de phishing.

Gestão Integrada
Os quase acidentes (near misses) com potencial de dano pessoal são investigados com o mesmo rigor de um acidente real. Sua causa raiz é mapeada e transformada em Lições Aprendidas, enquanto a verificação de eficácia dos novos controles é coordenada pela equipe de Segurança do Trabalho. Todo processo de alteração de layout passa por avaliação de viabilidade econômica e validação de premissas geotécnicas, operacionais, de infraestrutura, ventilação e segurança pelo time de Planejamento de Mina. O design segue para validação das áreas de suporte e posterior inserção no plano de produção. Documentos de Mecânica de Rochas orientam as premissas básicas de distância entre pilares.
Para lidar com eventos climáticos extremos e volumes históricos de chuva, o gerente destaca a criação do Comitê Integrado de Resiliência, que atua de forma sincronizada nos níveis estratégico, tático e operacional, complementando os controles automatizados de resposta rápida (TARPs). Foram estabelecidos fluxos de decisão ágeis para antecipar vulnerabilidades e blindar as operações contra a severidade climática.
A mineradora também aderiu a frameworks como o ICMM (International Council on Mining and Metals) e à certificação ISO 45001 (Gestão de Saúde e Segurança Ocupacional) com o objetivo de elevar sua governança a um patamar superior. “Essa conformidade internacional nos permite estruturar e antecipar projetos complexos de longo prazo, como as metas legais de descaracterização de barragens, alinhando a operação com as expectativas futuras de sustentabilidade e proteção”, conclui Resende.
