Em setembro de 2025, um grave acidente mudou a rotina operacional da Artemyn Brasil, produtora de caulim no Pará. A colisão de uma barcaça de terceiros com a instalação portuária privada da empresa, em Barcarena (PA), interrompeu temporariamente os embarques marítimos. O incidente provocou danos expressivos na infraestrutura de carregamento, destruindo trechos da esteira transportadora e exigindo uma reconfiguração imediata da logística de exportação. Contudo, o que se desenhava como uma crise severa transformou-se em um case de resiliência e adaptação regulatória e comercial.
A resposta ao revés foi imediata. Os protocolos de segurança da mineradora funcionaram de forma integrada, evitando qualquer registro de impactos ambientais na sensível região amazônica onde se situa o terminal. A prioridade máxima estabelecida foi assegurar a continuidade do atendimento aos mercados internacionais da Europa, América do Norte e Ásia, preservando as premissas de conformidade e proteção. Para coordenar as ações, foram criadas forças-tarefa multidisciplinares com representantes das áreas de operações, logística, comercial e conformidade.
Revisão rápida
Antes do acidente, o escoamento do minério pela Artemyn ocorria sem gargalos técnicos. A mineradora utilizava integralmente seu terminal privado, planejado para absorver toda a demanda de fluxos internos e de exportação. Sem poder contar temporariamente com essa estrutura, a saída foi buscar a infraestrutura pública do Pará. O Porto de Vila do Conde, administrado pela Companhia Docas do Pará (CDP), tornou-se o ponto central da nova estratégia de escoamento emergencial.
A viabilização dessa rota dependeu de uma intensa articulação com o Governo Federal e autoridades locais. A agilidade do poder público foi fundamental para conceder as autorizações de movimentação em caráter emergencial. Órgãos reguladores demonstraram presteza na avaliação da demanda da mineradora, cientes da importância de preservar uma operação que gera empregos, arrecadação de tributos e estabilidade econômica para a região de Barcarena.
Com o sinal verde das autoridades, a Artemyn ajustou sua engenharia para encaixar o volume de minério à capacidade disponível em Vila do Conde. A proximidade geográfica e a flexibilidade da CDP permitiram uma integração rápida. Atualmente, a companhia movimenta uma média de 50 mil toneladas mensais de carga a granel por esse porto público. O arranjo demonstrou a eficiência do sistema portuário paraense como alternativa viável para a indústria mineral.

“O incidente exigiu uma revisão rápida do nosso modelo de entrega e uma mobilização integrada das equipes. A transição para uma operação alternativa demandou planejamento, agilidade e forte coordenação local”, declara Guilherme Barbosa, gerente de Logística da Artemyn na América do Sul. Ele reforça que o engajamento e o comprometimento da equipe local em Barcarena foram decisivos para manter a regularidade total dos embarques.
Novas rotas
Paralelamente às 50 mil toneladas enviadas a granel por Vila do Conde, a mineradora encontrou nos contêineres outra solução para descentralizar os estoques mundiais. Cerca de 8 mil toneladas mensais de caulim passaram a ser embarcadas nessa modalidade, tendo como destino principal o mercado asiático. A expansão dessa rota conteinerizada evitou que o aumento dos custos logísticos decorrentes do acidente fosse repassado aos clientes internacionais, garantindo a competitividade do produto.

A experiência trouxe lições profundas sobre gestão de riscos corporativos. “Embora o acidente em nosso porto privado tenha sido um sério revés, nos forçou a explorar rotas alternativas e parcerias. De muitas maneiras, acelerou inovações na nossa abordagem logística que talvez não tivéssemos buscado de outra forma”, reflete Anderson Rocha, diretor de Produção da Artemyn na América do Sul.
Apesar do sucesso operacional das rotas alternativas, a Artemyn descarta mudanças na sua estratégia de longo prazo. O foco central permanece no reestabelecimento pleno de suas estruturas originais. A descentralização atual serve como contingência eficiente, mas a meta é retornar ao modelo original assim que as obras terminarem.
A primeira fase de recuperação do terminal privado, envolvendo a estabilização, desmontagem e remoção da galeria atingida já foi finalizada. A segunda fase teve o projeto executivo de reconstrução aprovado pelas autoridades e encontra-se em execução. Após o posicionamento das novas colunas de sustentação, está sendo realizada a pré-montagem da galeria de transporte. Os trabalhos também contemplam a reconstrução de suportes, sistemas auxiliares e utilidades operacionais. A conclusão das obras está prevista para dezembro de 2026, com retomada das operações do terminal no início de 2027.
