TABOCA: UHE PRÓPRIA E OTIMIZAÇÃO DE PROCESSOS

TABOCA: UHE PRÓPRIA E OTIMIZAÇÃO DE PROCESSOS

“A gestão de energia da Mineração Taboca está diretamente relacionada à nossa eficiência e competitividade operacional, estando presente desde as etapas de extração e desmonte de rocha, passando pelo beneficiamento (britagem, moagem, flotação) até a metalurgia (fusão e refino)”, explica José Flávio Alves, vice-presidente executivo da empresa.

Foto 1: José Flávio Alves, vice-presidente executivo da Mineração Taboca
José Flávio Alves, vice-presidente executivo da Mineração Taboca

Segundo ele, a matriz energética provém prioritariamente de fontes renováveis, em especial da usina hidrelétrica (UHE) própria situada a 80 km da mina de Pitinga, em Presidente Figueiredo, no Amazonas, com recurso ao uso de combustível fóssil (óleo diesel) em momentos de estiagem. Já na planta metalúrgica em Pirapora do Bom Jesus (SP), o maior consumo de eletricidade de alta potência vem do forno a arco elétrico, usado para a redução do estanho.

Consumo e emissões

 Em razão da geração de energia pela UHE, todas as emissões de gases de Efeito Estufa (GEE) da Taboca são neutralizadas pela compra do certificado I-REC, emitido pela Engie Brasil. A gestão do Inventário de GEE possibilitou que a produtora de estanho recebesse, pelo quarto ano consecutivo, o Selo Ouro pelo Programa GHG Protocol.

A UHE de Pitinga é a maior fonte individual de emissões do Escopo 1 (geradas diretamente por operações próprias) totais da empresa (51%). Essas emissões estão associadas, principalmente, à decomposição da matéria orgânica inundada no reservatório, processo que gera a liberação de GEE, como metano (CH₄) e dióxido de carbono (CO₂). Além da UHE, o restante das emissões provem do emprego de combustíveis não renováveis, como o óleo diesel, utilizado pela frota de equipamentos e em geradores, por exemplo (veja totais de consumo na Tabela 01).

Na subcategoria de emissões de processos industriais, Pirapora do Bom Jesus responde por cerca de 75% do total já que a produção de estanho metálico envolve etapas intensivas em carbono como sinterização e redução térmica com carvão vegetal e coque. Em Pitinga, essas emissões industriais possuem menor intensidade por estarem concentradas na fusão de ligas, processo menos dependente de combustíveis fósseis.

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Tabela 01: Consumo de Combustíveis Não Renováveis e Renováveis e Eletricidade – Fonte: Mineração Taboca

As emissões de Escopo 2 (indiretas) concentram-se na energia elétrica adquirida de terceiros. No caso de Pitinga, a maior parte delas é suprida pela UHE e pela neutralização da energia consumida por Pirapora (via I-REC), o que resulta em Escopo 2 zerado (pela escolha de opção de compra).

No Escopo 3 (indiretas da cadeia de valor) estão as emissões do transporte de concentrado de cassiterita de Pitinga para Pirapora e dos produtos (estanho e ferroligas) relacionados às duas unidades. A classificação inclui também transporte de fornecedores, disposição de resíduos por terceiros, viagens a negócio e deslocamento casa-trabalho de colaboradores.

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Tabela 02: Totais de Emissões de GEE de Escopos 1, 2 e 3 – Fonte: Mineração Taboca

Em 2025, o Inventário de Emissões de GEE Taboca (Tabela 02) registrou 186.711,8 tCO₂e (tonelada de dióxido de carbono equivalente), considerando a abordagem baseada em localização do GHG Protocol. Desse total, 50% correspondem às emissões do Escopo 1 e 49% às do Escopo 3. O inventário permite que a Taboca identifique seus padrões de emissão em sua cadeia de negócio e estabeleça prioridades de redução.

Especificamente em relação ao consumo de diesel nos geradores, impactado pela sazonalidade das chuvas na Amazônia – períodos chuvosos entre novembro e abril e mais secos entre junho e outubro -, a Taboca monitora continuamente a pluviometria em alguns pontos da área de atuação da mina de Pitinga, como na UHE (Gráfico 1).

Gráfico 01: Consumo de diesel nos geradores x índice pluviométrico na UHE -Fonte: Mineração Taboca

Gráfico 01: Consumo de diesel nos geradores x índice pluviométrico na UHE -Fonte: Mineração Taboca

Otimização

O incremento econômico alcançado no ano de 2025, diz Alves, possibilitou o acesso da mineradora a tecnologias para melhoria dos processos existentes, otimização da eficiência operacional, redução de custos e ampliação de sua conformidade ambiental.

Em Pirapora do Bom Jesus, um dos principais projetos foi o de modernização do processo de refino, com conclusão prevista para o primeiro semestre de 2028. Entre as inovações planejadas estão a substituição de equipamentos que utilizam combustão como fonte primária de energia, como os fornos revérberos e os cadinhos de tratamento, por equipamentos aquecidos por energia elétrica. A medida permitirá uma redução de 2.078 tCO2e, o que representa quase 30% das emissões do Escopo 1 na unidade. Para o segundo semestre de 2026 estão previstos testes piloto de briquetagem, processo de aglomeração a frio que, ao contrário da sinterização, atualmente utilizado, não requer queima de materiais com carbono. Se consolidada, a tecnologia eliminará cerca de 530 tCO₂e, reduzindo em aproximadamente 7% as emissões de Escopo 1.

Já em Pitinga, em sintonia com o processo de expansão das operações, explica Alves, a estratégia é avaliar oportunidades de aumento de eficiência energética e redução de emissões. “Nesse contexto, em 2026, realizaremos a contratação de quatro torres de iluminação movidas a energia solar, reduzindo a necessidade de utilização de equipamentos movidos a combustíveis fosseis.

Até o final deste ano, ainda, devemos concluir a renovação da frota de veículos pesados de transporte na lavra, com equipamentos de maior capacidade, passando de 40 para 75 t, o que permitirá a redução do número de veículos, de 18 para 12 unidades, empregados nessa operação”, detalha o executivo. A nova frota deve reduzir em cerca de 9% – 590 tCO2e –, considerando variáveis operacionais, o consumo de diesel para o mesmo quantitativo de movimentação de minério, em média saindo de 27 l para 18 l a cada 100 t  movimentadas.

Foto em destaque: Monitoramento do índice pluviométrico na UHE de Pitinga
Fotos: Taboca/Divulgação

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