A estratégia de descarbonização das operações da Hydro no Brasil tem se materializado ao longo de toda a cadeia integrada da bauxita e da alumina, através da ampliação do uso de fontes renováveis, da redução da dependência de combustíveis fósseis e da incorporação de tecnologias voltadas à redução das emissões de carbono. Para tanto, a empresa tem realizado investimentos simultâneos em eficiência energética, eletrificação, inovação e rastreabilidade ambiental.

Segundo Carlos Neves, vice-presidente sênior de Operações (COO) da Hydro Bauxita e Alumina, o Brasil ocupa posição estratégica para o grupo por concentrar uma cadeia de valor totalmente integrada. Atualmente, 90% da energia elétrica consumida pela Mineração Paragominas provém de fontes renováveis, índice viabilizado por contratos de longo prazo firmados pela Hydro Rein com o Parque Eólico Ventos de São Zacarias, localizado entre os estados do Piauí e Pernambuco. O modelo também abastece outras operações da companhia, como a refinaria Alunorte, cuja matriz elétrica é 87% renovável, e a Albras, que opera integralmente com energia renovável.
Na frente operacional, a empresa avança na eletrificação da mina com a substituição gradual da frota movida a diesel. Atualmente, quatro caminhões totalmente elétricos já atuam na movimentação de minério e rejeitos em Paragominas. A meta é que esses equipamentos representem 20% da frota de transporte da mineradora ainda este ano. Cada unidade evita a emissão de aproximadamente 190 tCO₂ (toneladas de carbono) por ano, além de reduzir significativamente os níveis de ruído nas áreas de operação.
A iniciativa integra o compromisso climático global da Hydro, que prevê reduzir em 30% as emissões de carbono até 2030, em relação a 2017, e alcançar emissões líquidas zero (Net Zero) até 2050. Em Paragominas, a agenda ambiental também contempla o compromisso de No Net Loss, voltado à manutenção do balanço de biodiversidade.
Diferenciais
De acordo com Neves, a gestão energética da Hydro é sustentada por sistemas de monitoramento em tempo real e pela integração de dados operacionais. Na Mineração Paragominas, uma central de controle reúne informações de equipamentos de operação remota (veja matéria no Especial IA/Automação desta edição), incluindo tratores, empilhadeiras, recuperadoras, além da frota de caminhões elétricos, permitindo acompanhamento contínuo do desempenho operacional e do consumo energético. Esse acompanhamento permanente confere confiabilidade aos inventários de emissões e tem garantido à Paragominas, Alunorte e Albras a certificação Selo Ouro do Programa Brasileiro GHG Protocol, concedida às empresas com elevado padrão de qualidade na contabilização e rastreabilidade das emissões de gases de efeito estufa (GEE).
Entre os principais diferenciais operacionais da Hydro destaca-se o transporte da polpa de bauxita por mineroduto subterrâneo. O sistema percorre 244 km entre a mina e a refinaria em aproximadamente 40 h, eliminando a necessidade de milhares de viagens rodoviárias e reduzindo cerca de 33 mil tCO₂e (toneladas de carbono equivalente) por ano em comparação aos modais convencionais.
Outro avanço tecnológico é a adoção do método Tailings Dry Backfill (TDB), que realiza a secagem dos rejeitos de bauxita e seu retorno às cavas mineradas. Além de otimizar as rotas de transporte, a tecnologia elimina a necessidade de novas áreas permanentes de disposição de rejeitos, contribuindo para ganhos operacionais, energéticos e ambientais.

Investimentos
Atualmente, os maiores aportes em descarbonização da Hydro concentram-se na refinaria Alunorte, onde estão em andamento projetos estruturantes voltados à transição energética. Entre eles, a substituição integral do óleo combustível por gás natural, a instalação de três caldeiras elétricas de última geração abastecidas por energia renovável e os testes para substituição gradual do carvão mineral por biomassa produzida a partir do caroço de açaí.
Desenvolvida em parceria com a Universidade Federal do Pará (UFPA), a utilização do resíduo do açaí insere princípios da bioeconomia na matriz energética da refinaria. Somente no último ano foram consumidas 104 mil toneladas do insumo, volume mais de quatro vezes superior ao registrado em 2023. Segundo a empresa, cada caldeira convertida possui potencial para reduzir cerca de 400 mil tCO₂ por ano.
Ainda conforme Neves, os projetos de substituição do óleo combustível por gás natural e de implantação das caldeiras elétricas evitarão, conjuntamente, a emissão de aproximadamente 1,4 milhão tCO₂ por ano. Paralelamente, a Mineração Paragominas segue ampliando investimentos em eletrificação, automação, equipamentos de operação remota e tecnologias de gestão de rejeitos.
Para o executivo, ao integrar geração renovável, logística de baixa emissão, eletrificação da frota, inovação em processos industriais e monitoramento digital, a Hydro consolida uma estratégia de longo prazo voltada à redução da intensidade de carbono na produção mineral, alinhando ganhos operacionais aos compromissos globais de sustentabilidade da companhia.
