A edição de 2026 da Cachoeiro Stonee Fair reúne 200 marcas expositoras, anuncia novidades logísticas e consolida o Espírito Santo como um dos principais polos nacionais de inovação na indústria de pedras naturais. Início da operação de novo porto de águas profundas no Espírito Santo, anunciada no evento, deve reduzir tempo e custos de exportação, e pode transformar a logística do setor de rochas naturais
A Cachoeiro Stone Fair 2026 começou dia 25 colocando no centro das discussões um dos principais desafios para a competitividade da indústria brasileira de rochas naturais: a logística de exportação.
Na abertura da feira, o anúncio do início das operações do novo porto de águas profundas em construção no Espírito Santo foi apresentado como um potencial divisor de águas para o setor. O empreendimento, liderado pelo empresário Etore Cavalieri, fundador do Grupo Imetame, permitirá embarques diretos de grandes navios e poderá reduzir significativamente o tempo e o custo de transporte das rochas brasileiras para mercados internacionais.
Com 16 metros de profundidade, o porto terá capacidade para receber grandes navios fortalecendo a posição estratégica do Espírito Santo, que, além de se consolidar como um importante polo produtor e exportador de pedra natural, poderá se tornar também um relevante hub logístico e concentrador de cargas. A primeira fase do empreendimento, dedicada à movimentação de carga geral, tem previsão de iniciar operações entre janeiro e março de 2027, enquanto o terminal de contêineres deverá operar a partir de 2028.
Hoje, operações de exportação podem levar cerca de 60 dias até os Estados Unidos. Com a nova estrutura, a expectativa é de redução para aproximadamente 15 dias, com potencial de redução de 15% a 20% nos custos logísticos. Para um setor fortemente dependente da logística internacional, a mudança pode representar mais do que ganho de eficiência: pode ampliar a capacidade de competição da rocha brasileira em mercados estratégicos e abrir novas possibilidades de negócios.
Uma feira que conecta a cadeia
Com o conceito “Conexões que Movem”, a edição deste ano adotou um novo formato, concentrado em três dias e com foco ainda maior em negócios e relacionamento e expectativa de 15 mil visitantes. O evento já comemora recordes mesmo antes da abertura com o número histórico em todas as edições da feira: 81 blocos de pedras em exposição, contra 56 na edição anterior.
A conexão entre os diferentes elos da cadeia fica evidente na Praça do Marmorista, iniciativa que reúne indústria, marmorarias e arquitetura em cinco peças de mobiliário e design produzidas com diferentes rochas naturais.
A proposta transforma a pedra exclusiva em experiência: é possível sentar, jogar, tocar e conviver com os materiais raros. Entre os destaques estão uma mesa de pingue-pongue em Amazonita, material semiprecioso, uma mesa de sinuca em Quartzito Spectrum Green, uma instalação de tabuleiro de damas em granito e mármore dolomítico, além de bancos, mesas e peças em diferentes quartzitos e granitos.
Mais do que uma exposição de materiais, a praça, idealizada pela feira e projetada pelo arquiteto Romulo Pegoretti, evidencia o potencial de agregar valor à rocha brasileira por meio do design, da arquitetura e de novas aplicações.
Inovação e novos negócios
Esse movimento também aparece nos estandes, com empresas tradicionais apresentando novas tecnologias e novos expositores chegando à feira para ampliar sua presença no mercado.
Com 57 anos de história, a CIMEF apresenta a linha Prime, nova politriz de alta produtividade desenvolvida para combinar tecnologia, eficiência e redução de custos. Para Kaike Fontoura, gerente da CIMEF, a inovação faz parte de uma trajetória construída ao longo de décadas, acompanhando a evolução da indústria e desenvolvendo soluções para os novos desafios da produção.
Já empresas como a 2MJ, que participa pela primeira vez como expositora, chegam a Cachoeiro em busca de proximidade com clientes e novas oportunidades. “Já estamos recebendo muitos novos contatos e vários clientes já passaram pelo nosso espaço. A expectativa de negócios é muito boa”, destaca Mauro Juli, sócio-proprietário da empresa. A São Jorge, de Minas Gerais, também estreia com estande próprio para fortalecer a identidade comercial de materiais já reconhecidos internacionalmente, como o Bianco São Jorge e o Frost Light.
O movimento mostra que, ao mesmo tempo que o setor busca soluções para seus desafios logísticos e comerciais, também avança na inovação, no beneficiamento e na criação de novas aplicações para a rocha natural.
Na abertura oficial do evento, representantes do Sindirochas, Centrorochas, Findes, Cetemag, Prefeitura de Cachoeiro e outras instituições reforçaram a necessidade de união da cadeia para enfrentar os desafios do mercado internacional, incluindo o impacto das tarifas norte-americanas.
A mensagem que fica para o primeiro dia é clara: para continuar crescendo, a rocha brasileira precisa conectar produção, tecnologia, design, mercado e logística. E a Cachoeiro Stone Fair se consolida justamente como esse ponto de encontro, onde as conexões que aproximam pessoas e empresas podem se transformar em negócios e, agora, também em novos caminhos para a competitividade internacional do setor.
Fotos: Divulgação
Serviço
Cachoeiro Stone Fair 2026
Data: 25 a 27 de agosto de 2026
Local: Cachoeiro de Itapemirim (ES)
Expectativa: 15 mil visitantes de mais de 30 países
Credenciamento: www.cachoeirostonefair.com.br

