Em operação desde 15 de outubro de 1945, a mina de Volta Grande da AMG Mineração, em Nazareno (MG), produz minério de tântalo (tantalita), minério de lítio (espodumênio) e feldspato através de lavra a céu aberto em bancadas e possui uma capacidade instalada de 90 mil t/mês ROM. Além da mina, a empresa possui quatro usinas de beneficiamento na mesma cidade, duas delas – as de Concentração de Espodumênio e de Tântalo-, com processo de expansão concluído em março de 2025 e janeiro de 2026, respectivamente.

Fabiano Costa, CEO da AMG Brasil, antecipa que a empresa está trabalhando nos estudos para implementação de uma refinaria de hidróxido de lítio. A instalação será projetada para processar aproximadamente 130 mtpa de concentrado de lítio com teor de 5,5% de Li2O e capacidade de produção de cerca de 17 mtpa (base seca nominal) de hidróxido de lítio grau técnico, usando a rota de sulfatação. O produto será enviado a uma unidade da AMG na Alemanha, para refino adicional e conversão em hidróxido de lítio grau bateria, enquanto os subprodutos gerados na unidade – sulfato de sódio e alumino silicato -, respectivamente matérias-primas para detergentes e cimentícios, serão vendidos no mercado brasileiro. A engenharia detalhada da nova instalação deve ter sua elaboração iniciada em 2026 e o start up da planta está previsto para o 4º trimestre de 2029. A estimativa de investimentos é da ordem de US$ 290 milhões.
“Com esse projeto, a AMG Brasil passa a gerar um produto com maior valor agregado, que não precisará mais passar por um processamento adicional na China, como ocorria com o concentrado de lítio, podendo seguir diretamente para o processamento final na Alemanha. Outro ganho é que a supressão do transporte para a China reduzirá nossas emissões de CO2 em cerca de 90 mil t”, explica Costa.

Essa verticalização possibilitou que a empresa tivesse duas propostas classificadas pela chamada pública do BNDES-FINEP (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social-Financiadora de Estudos e Projetos), que selecionou planos de negócio para investimentos na transformação de minerais estratégicos para a transição energética e descarbonização. O processo foi iniciado em janeiro de 2025 e pode destinar até R$ 5 bilhões em recursos para o conjunto de propostas aprovadas. Além dessa possível linha de crédito, Costa diz que a AMG está em contato com organizações internacionais de fomento na Alemanha e União Europeia e junto ao BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), com o mesmo propósito de viabilizar o investimento na nova refinaria.
A iniciativa se dá em um momento favorável, em termos de mercado, já que a cotação do hidróxido de lítio está em seu maior nível desde fins de 2023, girando em torno de US$ 22 mil/t. Não é certo que esse patamar se eleve ou mesmo se mantenha, destaca Costa, visto a extrema volatilidade desse mercado, fazendo com que não sejam incomuns variações muito agudas de preço em curto espaço de tempo. A título de exemplo, o executivo lembra que há cerca de um ano, em março de 2025, a tonelada do hidróxido de lítio era cotada a US$ 10 mil, menos da metade de seu valor atual. Situação similar ocorreu com o concentrado de tântalo, outro produto da AMG Brasil, que no mesmo período passou de aproximadamente US$ 80/libra para US$ 230/libra hoje.

Beneficiamento
Atualmente, a mineradora opera com três plantas de beneficiamento. A de Britagem de Pegmatito tem capacidade de alimentação de 130 t/h e de produção de 960 mtpa, consistindo em processo de cominuição – britagem primária, secundária e terciária, peneiramento e moagem -, com o objetivo de reduzir as partículas do pegmatito ao grau de liberação dos minerais de tântalo (tantalita e microlita) e estanho (cassiterita).
A planta de Concentração de Espodumênio possui capacidade de alimentação de 96 t/h e de produção de 90 mtpa de concentrado de espodumênio com teor de 5,5% de óxido de lítio (Li2O). As etapas de processo são moagem, separação magnética, flotação de espuma, filtragem, secagem e embalagem. Essa usina foi objeto do projeto SP1+, orçado em pouco mais de US$ 58 milhões e concluído em março de 2025, que aumentou sua capacidade de produção em 40 mtpa, totalizando 130 mtpa. A expansão foi obtida com o redimensionamento da planta SP1, eliminação de gargalos e otimização de processos para melhoria da recuperação metalúrgica do lítio, além da atualização da área de britagem.
Outra unidade é a de Concentração Gravimétrica, com capacidade de alimentação de 130 t/hora e de produção de 300 mil libras/ano de concentrado de tântalo (Ta2O5), a partir da recuperação dos minerais de tântalo e estanhos contidos no pegmatito. A moagem é realizada em moinhos tubulares de barra e de bolas, seguida do bombeamento da polpa para classificação em hidrociclones e em um classificador de rosca, da concentração gravimétrica por espirais, espessamento para recuperação da água de processo e da etapa final de secagem e separação magnética.
Com a necessidade de aumentar a geração de massa na SP1, a partir do projeto SP1+, foi concebido para essa usina o projeto TA+, fazendo com que as planta TaP1 e TaP2 passassem a processar 100 t/h e 50 t/h de pegmatito respectivamente. Com ajustes nos sistemas de classificação concluídos em janeiro de 2026, as duas plantas agora podem entregar 150 t/h de rejeitos para reprocessamento do lítio neles contido para a SP1. Além de garantir a alimentação necessária para o aumento da capacidade de produção de concentrado de espodumênio, o projeto TA+ teve como objetivos secundários a inclusão de operações novas na rota de processamento existente, como a pré-concentração e recuperação de finos em concentradores centrífugos, possibilitando uma melhor recuperação de tântalo. Com isso, a produção de Ta2O5 foi aumentada em 80 mil libras/ano, totalizando 392 mil libras/ano. O investimento no projeto TA+ foi de US$ 20.750 milhões.
Por fim, a planta de Feldspato Sódico, com capacidade de alimentação de 45 t/h e de produção de 240 mtpa de concentrado, tem a função de desaguar o produto afundado no processo de flotação da planta de espodumênio através do bombeamento da polpa por hidrociclones. Seguem-se as etapas de separação magnética via seca, por separadores magnéticos de três estágios com rolos de imãs de terras raras, secagem em forno rotativo e exaustão com filtros mangas, após o que o concentrado é levado por transportadores de correias para os silos de armazenagem.
Foto em destaque: Planta de Concentração de Espodumênio, resultante do Projeto Lítio – AMG/Divulgação
