Ela usou o conhecimento e a experiência em gestão pública para erguer pontes na mineração de Goiás. Foi dessa forma que aproximou o governo do estado de acadêmicos, pesquisadores, especialistas, produtores, entidades privadas, instituições públicas de várias esferas de poder, municípios mineradores e sociedade civil.
Desse saco de gatos que, naturalmente, tendiam a se engalfinhar, surgiu uma inusitada convergência. Consolidada ao longo de dois anos, a sinergia culminou na criação do Plano Estadual de Recursos Minerais 2050 (PERM 2050), lançado em 2025 e já uma referência para outros estados brasileiros que buscam, com seriedade, uma normativa e não somente uma narrativa mineral. Após um plano de recursos hídricos e minerais datado de 1991 e um diagnóstico publicado em 2002, finalmente Goiás tem uma política mineral para chamar de sua.
Resultado de um amplo diagnóstico do setor, o PERM 2050 define diretrizes e objetivos estratégicos para transformar a mineração goiana em agente efetivo de transformação, através de investimentos, integração, pesquisa, desenvolvimento e inovação tecnológica. Uma “construção coletiva”, como define Lívia Marques de Almeida Parreira, superintendente de Mineração da Secretaria de Indústria, Comércio e Serviços (SIC) de Goiás, que coordenou a elaboração do plano.
É esse o tema desta entrevista exclusiva da executiva à revista In the Mine. Nela, Lívia também detalha, entre outros temas, o contexto histórico e geológico da mineração goiana e traça um comparativo entre o plano atual e o anterior, destacando seus diferenciais, processo de elaboração e iniciativas recentes que já começam a concretizar seus programas. A tal ponto que a engenheira civil, de fala exata, articulada e didática, afirma, com convicção, que parte importante da lição de casa para tornar Goiás um polo de minerais estratégicos foi realizada com êxito.
ITM: Por favor, faça um histórico da política mineral de Goiás.
Lívia: Antes do PERM 2050 (Plano Estadual de Recursos Minerais), o principal registro da política mineral goiana foi o Plano Estadual de Recursos Hídricos e Minerais (PERHM) de 1991, elaborado em um contexto de consolidação institucional do setor mineral brasileiro após a Constituição Federal de 1988. Seu foco era realizar um amplo diagnóstico do setor mineral do estado e estabelecer diretrizes para sua organização institucional e produtiva. O plano refletia a realidade da época, em que Goiás ainda buscava consolidar sua posição como estado minerador, concentrando-se em substâncias tradicionais como ouro, fosfato, nióbio, amianto, níquel, calcário, manganês e esmeraldas.
ITM: O que houve após a aprovação do PERHM?
Lívia: Somente em 2002, tivemos um novo diagnóstico do setor mineral. Embora não fosse um plano estratégico, o documento representou um importante esforço para atualizar a base de informações do setor, identificar os polos minerais do estado, propor levantamentos aerogeofísicos e criar o FUNMINERAL para fomentar as atividades minerais. A partir de então e até 2021, seguiu-se um processo de enfraquecimento institucional, marcado pela ausência de planejamento de longo prazo, pela baixa coordenação entre os atores do setor e pela limitada capacidade estatal de induzir o desenvolvimento regional baseado na mineração. Paralelamente, nesse período, ocorreram mudanças significativas impulsionadas pelo mercado privado e pelas demandas globais.
ITM: Quais foram essas mudanças?
Lívia: Tivemos, por exemplo, a expansão da mineração metálica em Goiás; a consolidação de polos produtores em Catalão, Ouvidor, Alto Horizonte, Barro Alto, Crixás e Minaçu; o crescimento da arrecadação da CFEM (Compensação Financeira pela Exploração Mineral) e a ampliação da transformação mineral, com destaque para ferronióbio, ferroníquel e fertilizantes. Além disso, o desenvolvimento do agronegócio aumentou a demanda por fosfato e calcário. Também avançamos no mapeamento geológico e aerogeofísico de nosso território e, por fim, assistimos à inserção de Goiás nas cadeias globais de minerais estratégicos.
ITM: Diante desse cenário, o estado seguia sem uma política mineral?
Lívia: Exato. Era preciso resgatar o papel estratégico da política mineral e definir diretrizes, metas claras e instrumentos de implementação, de maneira que a atividade minerária pudesse ganhar centralidade nos debates e ampliar sua contribuição para o desenvolvimento territorial. Daí a necessidade do PERM, já concebido em um contexto marcado pela transição energética global, pela crescente demanda por minerais críticos e estratégicos e pela necessidade de integração entre desenvolvimento econômico, inovação e sustentabilidade.
ITM: Quais são os diferenciais do PERM em relação ao PERHM?
Lívia: O PERM 2050 representa uma mudança de paradigma ao reconhecer que Goiás ocupa posição estratégica no cenário mineral nacional, destacando-se especialmente em minerais críticos e estratégicos, como terras raras, cobre, níquel, nióbio e fosfato. Diferentemente do PERHM, o novo plano está estruturado em diretrizes estratégicas, objetivos mensuráveis, programas permanentes, governança mineral, participação social e monitoramento e avaliação. A governança mineral, por exemplo, era um tema inexistente em 1991. Assim como os conceitos de cluster mineral, economia circular, transição energética, desenvolvimento regional, inovação tecnológica e, mesmo, minerais críticos e estratégicos. Outros, embora presentes à época, ainda estavam em construção, caso da sustentabilidade, cadeias produtivas e planejamento de longo prazo. O foco era conhecer os recursos minerais, explorar esses recursos, produzir e arrecadar. Ou seja, centrado na jazida e na produção mineral.
ITM: E qual é o foco em 2025?
Lívia: Conhecer os recursos minerais, pesquisá-los, extraí-los e transformá-los, com inovação, construção de cadeias produtivas e geração de desenvolvimento regional sustentável. Com isso, o foco passa a ser o impacto econômico, tecnológico e territorial do mineral ou minério ao longo de toda a sua cadeia produtiva, incorporando governança, inovação, sustentabilidade e o aproveitamento estratégico de minerais hoje considerados críticos, como terras raras, cobre, níquel e nióbio. A evolução entre os dois planos demonstra não apenas o amadurecimento da política mineral goiana, mas também a transformação da mineração em um vetor estratégico de desenvolvimento econômico, tecnológico e regional para Goiás. Para participar dessa nova proposta, eu mesma precisava entender o histórico da política mineral do estado. O que fiz através de minha dissertação de mestrado, cujo tema foi “Políticas Públicas, Desenvolvimento Regional e a Política Mineral do Estado de Goiás”.
ITM: Como foi a evolução da mineração goiana?
Lívia: A mineração goiana possui uma trajetória histórica que remonta ao século XVIII, quando a descoberta de jazidas de ouro impulsionou a ocupação do território e a formação dos primeiros núcleos urbanos do estado. Ao longo dos séculos, a atividade mineral evoluiu para um setor diversificado e tecnologicamente mais avançado, com destaque para minerais metálicos e industriais, fertilizantes e, mais recentemente, minerais críticos e estratégicos. Atualmente, Goiás é o quarto maior produtor mineral do Brasil e abriga importantes províncias geológicas, como os terrenos granito-greenstone de Crixás e Goiás, o Arco Magmático de Goiás e os complexos máfico-ultramáficos de Barro Alto, Niquelândia e Canabrava. Essas áreas concentram depósitos de cobre, ouro, níquel, bauxita, amianto, fosfato, nióbio e elementos terras raras, entre outras substâncias minerais de relevante interesse econômico.
ITM: Qual é a cobertura em termos de mapeamento?
Lívia: O estado possui 60,51% de cobertura aerogeofísica de alta resolução e 40,52% de mapeamento geológico na escala 1:100.000. Ambos evidenciam nosso elevado potencial mineral, mas também a necessidade de ampliação desse conhecimento geológico, fundamental para impulsionar novas descobertas, atrair investimentos e ampliar a competitividade do setor mineral goiano nas próximas décadas.
ITM: Quantas minas existem no estado, qual sua produção atual, retorno em CFEM e principais substâncias produzidas?
Lívia: Goiás possui 551 minas, 12.146 processos minerários ativos e 1.126 títulos de concessão de lavra. Dos processos minerários, 525 tratam de terras raras e foram requeridos por 65 empresas. As principais substâncias em produção são cobre, ouro, fosfato, níquel, calcário, nióbio, amianto, basalto, granito e bauxita, totalizando uma produção bruta de 113 Mt e beneficiada de 35,48 Mt. O valor comercializado dessa produção, em 2025, foi de R$ 12,78 bilhões, com recolhimento de R$ 230 milhões de CFEM.
ITM: Quando foi iniciada e como se deu a elaboração do PERM 2050?
Lívia: A elaboração do PERM 2025 teve início em 2023 e foi conduzida por meio de um amplo processo de diagnóstico técnico, participação social e construção coletiva. A base do plano foi o estudo “Mapeamento de Oportunidades de Crescimento do Setor Mineral de Goiás – 2022-2042”, composto por oito relatórios. Parte deles tratando do contexto histórico e geológico da mineração no estado, seu arcabouço legal, economia e substâncias exploradas. Outros três consistiam na análise de dados e redação do estudo diagnóstico; comunicação, seminários de debates e discussões; e mapeamento de oportunidades do setor. Esse diagnóstico, complementado por análises econômicas, sociais, ambientais e institucionais, nos deu uma visão abrangente da mineração goiana e de seus desafios futuros. Também realizamos uma análise SWOT (forças, fraquezas, oportunidades e ameaças), que subsidiou a definição das diretrizes estratégicas, objetivos e programas prioritários do PERM.
ITM: Quem participou desse trabalho?
Lívia: Ao todo, conseguimos mobilizar mais de 1.300 participantes – entre representantes do governo do estado, universidades, produtores, entidades e municípios mineradores –, em 22 reuniões temáticas e oficinas realizadas entre 2023 e 2025, abrangendo 17 municípios goianos. Paralelamente, foram desenvolvidos estudos técnicos em parceria com instituições como as universidades federais de Goiás, Catalão e do Pará (UFG, UFCAT e UFPA) e a estadual de Goiás (UEG), a ANM (Agência Nacional de Mineração), o SGB (Serviço Geológico do Brasil), o Ministério de Minas e Energia (MME), o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) e o IBRAM (Instituto Brasileiro de Mineração). Foram gerados 42 relatórios técnicos e sete cadernos temáticos, totalizando mais de 2 mil páginas de estudos, que estão publicados na Biblioteca PERM 2050 e podem ser acessados através do portal perm.go.gov.br.
ITM: O HUB GO Agrominerais, lançado em maio passado, já é uma iniciativa do programa de agregação de valor às cadeias produtivas do PERM?
Lívia: Sim. O PERM reconhece os agrominerais como uma das cadeias produtivas prioritárias para Goiás pela combinação de fatores como a forte vocação agrícola do estado, a presença de recursos minerais aptos à produção de remineralizadores de solo, a necessidade de redução da dependência externa de fertilizantes e o potencial de agregação de valor aos recursos minerais locais. A estruturação dessa cadeia produtiva é uma demanda que já havia sido identificada durante a elaboração do PERM e que nos motivou a lançar o Programa Goiano de Remineralizadores de Solo (PROREM-GO). A partir dessa iniciativa, passamos a integrar o Centro de Excelência em Fertilizantes e Nutrição de Plantas (Cefenp), que busca contribuir com as metas nacionais de redução da dependência da importação de insumos agrícolas.
ITM: E como o HUB se enquadra nesse contexto?
Lívia: O Cefenp é composto por oito hubs temáticos, distribuídos em diferentes estados brasileiros e estruturados conforme as vocações regionais e os avanços científicos e tecnológicos já existentes. Goiás passou a sediar um desses hubs, o de Agrominerais e Remineralizadores, em razão do expressivo potencial do estado nesse segmento. Ele está vinculado ao nosso recém-criado Centro de Ciências e Tecnologia Mineral (CCTM) e atua como uma plataforma estratégica de inovação voltada ao desenvolvimento de insumos minerais regionais para a agricultura sustentável. Inclusive, com projetos já em andamento, mobilizando produtores existentes e potenciais de remineralizadores e consumidores que possam utilizar esse insumo.
ITM: Desde 2017, Goiás enfrenta um impasse com a proibição da produção de amianto crisotila pela mineradora Sama. Como está esse processo hoje?
Lívia: A Lei Estadual nº 22.932/2024 criou um horizonte temporal para o encerramento definitivo das atividades da Sama. Um período de transição para que a empresa, os trabalhadores e o município possam se preparar para um cenário pós-amianto. A estratégia consiste em reduzir a vulnerabilidade decorrente do encerramento da mina, inserindo a cidade de Minaçu e a região em uma nova realidade econômica, por meio da atração de investimentos, diversificação produtiva e aproveitamento de novas oportunidades minerais. Não só nesse caso, mas no de todos os municípios mineradores, a necessidade de acompanhamento permanente também está presente no PERM 2050, especialmente em atividades sujeitas ao esgotamento de reservas ou à redução de mercado, visando a promoção de políticas de desenvolvimento regional e diversificação produtiva.
ITM: Curiosamente, em Minaçu foi instalada a Serra Verde Mineração, única produtora de terras raras do Brasil até o momento. A nova mina facilitará o processo de fechamento da Sama?
Lívia: A entrada em operação da Serra Verde Mineração foi extremamente positiva para Minaçu e tende a reduzir significativamente os impactos do encerramento da Sama previsto para 2029. Embora uma atividade não substitua integralmente a outra, a produção de terras raras coloca o município em uma posição estratégica nas cadeias globais de minerais críticos, atraindo investimentos, empregos qualificados e novas oportunidades de desenvolvimento.
ITM: Ainda falando da Serra Verde, como estão as tratativas entre o governo e a nova controladora da empresa, a USA Rare Earth, para o processamento de terras raras no estado?
Lívia: Essa é uma questão estratégica para Goiás e para o Brasil. Embora as tratativas entre o governo de Goiás e a USA Rare Earth sejam conduzidas em ambiente institucional e empresarial, o objetivo do estado é claro: que as terras raras aqui produzidas avancem progressivamente para etapas de maior agregação de valor. A mineração é apenas o primeiro elo da cadeia. O grande desafio está no processamento, na separação dos elementos e, futuramente, na fabricação de produtos tecnológicos, como ímãs permanentes utilizados em veículos elétricos e turbinas eólicas. Há a barreira da transferência de tecnologia, mas Goiás reúne condições favoráveis para superar esse desafio, combinando investimentos privados, infraestrutura, qualificação profissional e parcerias com universidades e centros de pesquisa, com destaque para o CCTM, em parceria com o Instituto de Química (IQ) e a Faculdade de Ciências e Tecnologia (FCT) da UFG.
ITM: Aliás, a criação, no início deste ano, do CCTM é justamente outro avanço rumo a esse maior desenvolvimento tecnológico, certo?
Lívia: Sem dúvida. Mais do que ampliar a pesquisa mineral, o centro fortalece a capacidade do estado de desenvolver conhecimento, inovação e tecnologias voltadas aos minerais críticos e estratégicos, além de contribuir para a formação de profissionais especializados. O projeto, que receberá investimentos nos próximos três anos para sua construção e infraestrutura no campus da FCT, em Aparecida de Goiânia, contempla laboratórios de caracterização mineral, processamento, desenvolvimento de rotas tecnológicas específicas – a princípio, para minerais críticos, incluindo terras raras –, parcerias com empresas para otimização de processos produtivos, plantas piloto para testes em escala e espaços dedicados à pesquisa aplicada, inovação e transferência de tecnologia.
ITM: Do que consiste o acordo, fechado em março deste ano, entre o governo de Goiás e o governo norte-americano?
Lívia: Primeiramente, é preciso destacar que esse acordo não altera a propriedade dos recursos minerais brasileiros, que continua pertencendo à União e sendo regulada pela legislação nacional. Seu objetivo é fortalecer investimentos, pesquisa, inovação e o desenvolvimento das cadeias de minerais críticos e terras raras. O anúncio desse acordo foi objeto de várias críticas, compreensíveis enquanto alertam para o risco de o Brasil permanecer apenas como exportador de matéria-prima, mas improcedentes quando sugerem perda de soberania mineral. O verdadeiro desafio é utilizar essa parceria para ampliar o processamento, a agregação de valor e o desenvolvimento tecnológico no próprio país.
ITM: O garimpo ilegal de ouro teve grande expansão no estado nos últimos anos. Qual é a política do governo para prevenir e coibir essa atividade?
Lívia: O PERM 2050 trata o enfrentamento ao garimpo ilegal dentro de uma visão mais ampla de governança mineral. Além das ações de fiscalização conduzidas pela ANM e demais órgãos competentes, o estado de Goiás já realiza o monitoramento de áreas de garimpo e extração mineral ilegal por meio da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (SEMAD), utilizando geotecnologias, imagens de satélite e sistemas de inteligência territorial para identificar e acompanhar atividades irregulares.
ITM: Especificamente, qual é a estratégia do plano para o garimpo ilegal?
Lívia: O plano prevê o fortalecimento dos sistemas de informação mineral, a integração de bases de dados, o monitoramento contínuo do território, a regularização da atividade mineral e o desenvolvimento sustentável dos municípios mineradores. A estratégia é combinar fiscalização, inteligência territorial, governança e desenvolvimento regional para reduzir a ilegalidade, proteger o meio ambiente e fortalecer uma mineração legal, responsável e alinhada ao interesse público. Mais do que combater ocorrências pontuais, o objetivo é construir um sistema permanente de monitoramento e gestão da atividade mineral, capaz de prevenir a instalação e expansão de garimpos ilegais e garantir maior segurança jurídica e sustentabilidade para o setor mineral goiano. Destaco aqui o programa para legalização da mineração, previsto no PERM.
ITM: A pesquisa mineral é a vanguarda da mineração. Em Goiás, a estatal Metago – Metais de Goiás, criada com essa finalidade, foi extinta. Como se dará, então, a expansão do conhecimento geológico do estado?
Lívia: A Metago teve um papel histórico importante ao contribuir para a descoberta de alguns dos principais depósitos minerais de Goiás. No entanto, o ambiente mineral atual é bastante diferente daquele existente na época de sua criação, em 1961. Hoje, a pesquisa mineral é conduzida principalmente pela iniciativa privada, com regulação federal e elevados investimentos em tecnologia e inovação. O PERM 2050 reconhece a importância estratégica da pesquisa mineral para o futuro do estado e prevê o fortalecimento da estrutura pública relacionada à mineração, com ampliação da capacidade técnica estatal, modernização dos sistemas de informação mineral, produção de inteligência territorial, desenvolvimento de bases geológicas e fortalecimento da articulação entre agentes públicos e privados do setor, buscando alcançar resultados semelhantes aos obtidos pela Metago, mas adaptados à realidade institucional e econômica do século XXI.
ITM: Em sua avaliação, o governo de Goiás fez sua lição de casa no que toca à valorização de seu setor mineral? O que falta para o pleno desenvolvimento da atividade?
Lívia: Goiás possui hoje uma das políticas minerais mais estruturadas do país. No entanto, para que a mineração alcance seu pleno potencial, alguns avanços dependem da atuação do Governo Federal. Entre eles, a ampliação dos investimentos em mapeamento geológico e aerogeofísico, o fortalecimento institucional da ANM, a modernização dos processos de licenciamento e outorga minerária, a ampliação da infraestrutura logística e energética e, principalmente, a construção de uma política nacional voltada aos minerais críticos e estratégicos, de maneira que impulsione o setor, sem burocratização. Outros pontos fundamentais são o estímulo à agregação de valor e a ampliação dos instrumentos de financiamento à pesquisa mineral, à inovação e ao desenvolvimento tecnológico.
ITM: A agregação de valor a commodities minerais implica em uma estruturação industrial com essa finalidade, certo?
Lívia: Acredito que grande parte do chamado “problema mineral” brasileiro é realmente um desafio industrial: o de criar condições favoráveis para a implantação e expansão de indústrias consumidoras de insumos minerais beneficiados que gerem produtos mais elaborados, sob a ótica da tecnologia. Posto que Goiás tem feito sua parte ao posicionar-se como um polo de minerais estratégicos, o próximo passo é uma convergência cada vez maior entre estados, União, universidades e iniciativa privada para transformar o minério extraído do solo em tecnologia, inovação e desenvolvimento econômico sustentável.
Perfil:
Nasceu em: 25/09/1982, em Anápolis, Goiás
Mora em: Goiânia, Goiás
Formação acadêmica: Engenheira civil pela Universidade Federal de Goiás (UFG), mestre em Desenvolvimento Regional e doutoranda em Ciências Ambientais
Trajetória profissional: Atuei na iniciativa privada com elaboração e gerenciamento de projetos de engenharia, orçamento de obras, licitações, estudos ambientais e consultoria técnica. No setor público, fui analista de projetos e convênios de saneamento básico, planejamento estratégico, gestão de riscos e capacitação de gestores municipais na Fundação Nacional de Saúde (FUNASA). Na Companhia de Desenvolvimento Econômico de Goiás (CODEGO) fui gestora de Assentamentos Industriais. Desde 2021, sou superintendente de Mineração da Secretaria de Indústria, Comércio e Serviços (SIC) de Goiás. Também sou conselheira da Câmara Setorial de Mineração da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (FIEG)
Família: Filha de pai e mãe professores, que me deixaram a certeza de que o conhecimento é a chave e servir ao próximo é o caminho
Hobby: Trekking, yoga, escrita e muito contato com natureza
Um mestre ou ídolo: Meu mestre é Jesus. O ídolo é (Mahatma) Gandhi
Maior decepção: Constatar que ainda não há igualdade de oportunidades e tratamento para mulheres no mercado
Maior realização: Ter construído parcerias profissionais e, hoje, poder trocar ideias com colegas que me reconhecem como alguém capaz de falar sobre o futuro da mineração em Goiás
Um projeto: Evoluir sempre como ser humano, em qualquer papel
Um “conselho” a jovens engenheiros civis: Confiem na sua intuição, mas escutem os mais velhos. Sonhem, mas se dediquem diariamente em buscar pequenas metas que os aproximem da sua realização

