UM DIRETOR QUE PREPARA O NOVO SALTO DA GREAT PANTHER

UM DIRETOR QUE PREPARA O NOVO SALTO DA GREAT PANTHER

Integrando a delegação da Federação Desportiva Peruana de Atletismo, durante os Jogos Sul-Americanos de 1998, realizados no Equador, ele foi campeão em duas modalidades na categoria juvenil. No arremesso de peso – bola de metal com 7,2 kg – atingindo a marca de 14,90 m e no lançamento de disco (2 kg) a 47,51 m. Tinha, então, 19 anos e era aluno, desde 1996, do curso de Engenharia Química na Universidade Nacional de Arequipa, cidade peruana onde nasceu e onde, 43 anos atrás, havia nascido o magistral escritor Mário Vargas Lhosa, a quem considera um ídolo e mestre.

Com o passar dos anos, o atletismo se tornou um hobby praticado até hoje. Mas a formação como engenheiro químico moldaria sua carreira iniciada na área de processos da BHP Billiton e da Rio Tinto. Após passagens pela SGS (Société Générale de Surveillance), líder mundial em inspeção, verificação, testes e certificação, e pelo grupo canadense Jacobs, líder global de serviços de engenharia, retornou à mineração. Esteve na Aura Minerals e, desde 2019, integra o quadro de executivos da Great Panther Mining, que opera minas de prata e ouro no México, Peru e, mais recentemente, no Brasil.

Nesta entrevista exclusiva a In the Mine, Fernando Cornejo, diretor de Operações da Great Panther relata o histórico da companhia, inicialmente conhecida como produtora de prata, perfil que passou a agregar a produção de ouro após a aquisição de Tucano, em 2019. A mina, localizada em Pedra Branca do Amapari, a cerca de 200 km de Marabá, capital do Amapá, tem sua lavra a céu aberto, mas pode evoluir para uma operação subterrânea a depender da comprovação dos resultados da intensa campanha de exploração mineral em alvos near mine, que indicam a ocorrência de expressivo volume de recursos e reservas. A mina também prospecta alvos regionais, com potencial igualmente promissor.

MinaTucano
Mina Tucano, em Pedra Branca do Amapari

Além de Tucano, Cornejo fala do Complexo Minerário de Guanajuato (GMC) e Topia, no México, e de Coricancha, no Peru. Mas é Tucano o centro das atenções: em projeção de produção, em novas tecnologias, em metas de inclusão, a começar do aumento do contingente feminino em sua força de trabalho. Tucano revelou o Brasil à Great Panther, que considera o país um ambiente positivo e incentivador da mineração. E é no Brasil que a empresa prospecta novos ativos para aquisição, diz o executivo. A jovens formandos, ele faz duas recomendações: que considerem a importância da “inteligência prática” e que tracem um plano de, no mínimo, cinco anos, tanto para a vida pessoal quanto para sua carreira profissional.

ITM: Como e quando foi criada a Great Panther Mining e qual era seu portfólio de projetos?

Cornejo: A Great Panther era inicialmente conhecida como uma companhia produtora de prata. Ela foi criada por volta de 2005, no México, quando investiu na aquisição de duas unidades de mineração: o Complexo Minerário Guanajuato (GMC), na cidade e estado homônimos, composto das minas subterrâneas Guanajuato e San Ignacio, que produzem concentrados de prata e ouro, e da mina Topia, na cidade de Topia, estado de Durango, que produz concentrados de prata, ouro, chumbo e zinco.

ITM: Como esse portfólio foi evoluindo nos anos seguintes?

Cornejo: Guanajuato é o que podemos chamar de meca da prata. É nessa região que fica a Veta Madre, uma área geológica mundialmente conhecida pela ocorrência de prata. Com o GMC e Topia, a Great Panther alcançou uma performance econômica muito boa e, com o caixa fortalecido, decidiu expandir seus horizontes. Em 2017, ela adquire a mina Coricancha, de ouro, prata e metais básicos (chumbo, zinco e cobre), pertencente a uma companhia europeia, a Nyrstar NV, e localizada na província de Huarochiri, a 90 km de Lima, capital do Peru. Dois anos depois, em 2019, é realizada a aquisição da Mina Tucano, de ouro, no Amapá, norte do Brasil.

ITM: O que significou a aquisição de Tucano?

Cornejo: Foi a maior aquisição da Great Panther e mudou seu perfil a partir da produção de ouro. Agora somos uma companhia de ouro e prata. É uma unidade de mineração relativamente grande, que conta com um processo de produção relativamente simples. Mas, na época da aquisição, já havia dois atrativos principais em Tucano: um deles eram as reservas minerais e a infraestrutura da mina. O outro, que nos pareceu extremamente interessante, foi o potencial de exploração mineral. Tucano está em uma área extremamente prospectiva, geologicamente bastante interessante, no mesmo greenstone belt das minerações de ouro que se encontram em áreas ao norte do Brasil, como Suriname. Por isso, nosso principal investimento na mina destina-se basicamente a desenvolver novos alvos near mine e regionais para potencialmente encontrar, quem sabe, uma Tucano 2. Estamos investindo quase US$ 30 milhões em exploração mineral num período de 3 a 4 anos.

Tucano foi a maior aquisição da Great Panther e mudou o perfil da companhia a partir da produção de ouro”

ITM: Esse potencial de recursos e reservas já estava claro para vocês quando adquiriram Tucano?

Cornejo: O potencial de exploração não estava 100% claro para a Beadell (Resources), que era a proprietária da mina então. Mas nós, pela experiência que nossos executivos tiveram quando conheceram a mina, consideramos essa área muito interessante. Era mais uma impressão na época. Agora, na medida em que recebemos os resultados das sondagens, com perfurações diamantadas e RC (Circulação Reversa) e coleta de amostras do solo, cada vez mais confirmamos as perspectivas que tivemos no momento da compra.

ITM: Como está sendo desenvolvido esse programa de exploração?

Cornejo: Temos dois níveis de exploração. Um deles é o near mine, com alvos e targets que serão integrados ao sequenciamento de lavra nos próximos anos. O segundo é o de exploração regional, que é basicamente o investimento que estamos fazendo para encontrar uma Tucano 2 e que consiste de um pacote bem grande de áreas, com cerca de 90 km de comprimento e 20 km de largura, em média. Atualmente, estamos explorando alguns alvos a menos de 15 km e outros entre 25 e 30 km da mina. Parte da exploração near mine pode comprovar potencial para uma mina subterrânea.

“Parte da exploração near mine pode comprovar potencial para uma mina subterrânea em Tucano”

ITM: Qual é esse alvo near mine?

Cornejo: É o TAP C, um novo depósito dentro da área atual de Tucano, que possui uma série de três poços ao longo de uma tendência de 1.500 m, dos quais o poço C1 é o maior, com profundidade de 50 m e comprimento de ataque de aproximadamente 700 m. Estamos sondando novamente esse depósito e reinterpretando as ocorrências minerais com bons resultados que, se continuarem mostrando as intersecções, podem tornar viável um projeto subterrâneo. Temos também extensões geológicas das cavas existentes onde encontramos mais minério. Essas estimativas constarão de nossa próxima atualização de recursos e reservas.

 ITM: Qual é a vida útil da Mina Tucano hoje?

Cornejo: O life of mine atual, considerando o valor de US$ 1.500 por onça de ouro, que está muito abaixo do preço atual, vai até 2025. Com a atualização do report de recursos e reservas, no final deste ano, a perspectiva de incrementar a vida de Tucano é muito boa.

ITM: Houve mudanças na lavra e beneficiamento?

Cornejo: A configuração tecnológica continua praticamente a mesma. A lavra é realizada pelo método a céu aberto e o processo metalúrgico para beneficiamento ainda é o de carbono em lixiviação. Em termos de equipamentos, fizemos algumas atualizações, como a aquisição de um britador primário e de uma planta de oxigênio líquido. O fluxograma atual é composto por um britador primário, um moinho SAG, dois moinhos de bolas, um espessador, sete tanques CIL (Carbon in Leach) e duas plantas de oxigênio líquido, utilizadas na recuperação metalúrgica do metal.

ITM: O britador primário substituiu o equipamento anterior?

Cornejo: Sim. O britador que havia na mina era muito antigo. Toda vez que era preciso ajustar a alimentação, tínhamos que parar a operação e fazer o ajuste manualmente. O novo britador Metso é totalmente automatizado e tem ajustes digitais. Além disso, é mais produtivo por ser de maior capacidade, mais eficiente e consome menos energia.

ITM: Como é o processo de beneficiamento?

Cornejo: Empregamos uma tecnologia já consolidada no mercado de ouro. Da britagem primária, o minério segue para a moagem primária em um moinho SAG e, depois para a secundária, nos moinhos de bolas. Passa pelo espessador, que alimenta a planta CIL. O carvão ativado é adicionado aos tanques de lixiviação dessa planta para adsorver o ouro. O carvão acumula na planta AVR, onde produzimos o bullion de ouro e os rejeitos seguem para a planta Detox, onde o cianeto é neutralizado, e depois para a filtragem.

ITM: Além de atualizar e expandir a planta, foram feitos outros investimentos em Tucano?

Cornejo: Temos investido fortemente nos últimos anos em segurança, em continuous improvement e em business improvement. Nosso objetivo é investir em nossos empregados e também em tecnologias inteligentes, que não são extremamente caras, mas têm muito valor agregado, como sensores inteligentes, instrumentação e dados para contar com informações de qualidade que subsidiem a tomada de decisões mais rápidas e assertivas.

ITM: Qual é a frota de equipamentos móveis da mina?

Cornejo: Temos uma frota relativamente standard, com escavadeiras Hitachi de grande porte, modelos EX2500 e EX1200, de 250 e 120 t, respectivamente. No transporte, usamos caminhões off road Caterpillar modelo 777, de 100 t, que são o coração de nossa frota e, em menor número, caminhões rodoviários.

ITM: Qual é a produção de Tucano?

Cornejo: Tucano historicamente sempre produziu entre 120 e 135 mil oz/ano e esse perfil deve ser mantido ao longo da vida útil atual da mina.

 ITM: Em 2004, ainda um projeto do grupo de Eike Batista, a logística era o maior desafio para a implantação da mina. Esse problema foi equacionado?

Cornejo: No Amapá, o acesso por estradas é sempre um desafio. Temos investido muito na área de supply chain nos últimos anos e agora contamos com estrutura e definição clara dos volumes mínimos e máximos de nossos consumíveis, de forma que mantemos a entrega desses produtos de maneira coordenada e disciplinada. Só tivemos uma situação relativamente crítica, com a entrega de oxigênio em razão do aumento de demanda durante a pandemia de Covid-19. Todos os materiais que chegam em Tucano vêm através da rodovia Perimetral Norte (BR-210), gerenciada pela superintendência do DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura Terrestre) no estado (SRE-AP). É uma estrada que requer manutenção, principalmente na época de chuvas, mas de grande importância na região. O transporte do ouro é feito através de aeronaves que utilizam nossa pista de pouso. Também utilizamos o porto de Santana, próximo a Macapá.

“Nossa política de sustentabilidade prioriza três áreas: Saúde e Segurança, Responsabilidade Ambiental e Desenvolvimento e Envolvimento da Comunidade”

ITM: Como é a política de sustentabilidade da Great Panther?

Cornejo: Nosso foco são três áreas principais: Saúde e Segurança, Responsabilidade Ambiental e Desenvolvimento e Envolvimento da Comunidade. A supervisão dessas áreas é realizada por um Comitê de Segurança, Saúde, Social e Ambiental (SHESC), de atuação independente, que se reporta diretamente ao Conselho de Administração da empresa. Na área de Saúde e Segurança, nossas metas para 2021 são zero fatalidades; máximo de um incidente com afastamento por ano no Brasil e de 7 no México e no Peru, países onde também avançaremos na implementação do programa SafeMap; e foco em treinamento e desenvolvimento de lideranças. Também planejamos reduzir em 10% a taxa de rotatividade e aprimorar as habilidades de liderança. Em termos de Governança Social e Ambiental, queremos zerar a ocorrência de incidentes ambientais significativos e de disputas relacionadas ao uso de terra e direitos consuetudinários de comunidades locais e concluir a avaliação de nosso Sistema de Gestão Social. E também aprimorar a governança corporativa aprovando políticas de Diversidade, Direitos Humanos e Anticorrupção.

ITM: Como é tratada a questão da biodiversidade?

Cornejo: Temos um programa de recuperação de áreas degradadas e, no caso de Tucano, projetos para cuidar da floresta nativa da região e investimos em novas tecnologias relacionadas à preservação da biodiversidade. Em Tucano, instalamos câmeras de visão noturna para a identificação de animais na floresta e, assim como no México, adotamos drones para monitorar a recuperação da vegetação. Nossa equipe de especialistas ambientais no Brasil está explorando técnicas de bioengenharia para induzir o crescimento de espécies pioneiras e reduzir o tempo de produção de mudas. Também usamos um software de inventário florestal e GPS para localizar e proteger plantas com sementes e espécies ameaçadas de extinção.

ITM: Quais são as iniciativas relacionadas à gestão de recursos hídricos, energéticos e de rejeitos e resíduos?

Cornejo: Tucano utiliza duas fontes de energia. A linha primária da CEAM (estatal energética do Amapá) e geradores próprios. No caso da CEAM, a matriz é hidrelétrica e, portanto, relativamente limpa, o que nos ajuda a reduzir nossa pegada de carbono. Já os geradores antigos estão sendo substituídos por modelos novos, mais eficientes, de maior capacidade e menor consumo de combustível. Na mina, estamos testando catalisadores para os caminhões, que vão melhorar a combustão nos motores e reduzir o consumo de combustível. No que se refere aos recursos hídricos, cerca de 86% da água utilizada nos processos industriais e administrativos de Tucano são recirculados em um circutito fechado, enquanto as águas residuais restantes, não incluídas no processo metalúrgico, são descartadas no ambiente natural. Para os rejeitos e os resíduos perigosos, não perigosos e de mineração temos um programa de gestão, que inclui a neutralização do cianeto usado no beneficiamento do minério. Contamos também com um programa de logística reversa para que fornecedores recolham as embalagens usadas nos produtos que adquirimos.

ITM: Com quais comunidades a Mina Tucano interage e quais são as principais ações voltadas a elas?

Cornejo: Temos três municípios de onde vêm nossos empregados: Pedra Branca do Amapari, Serra do Navio e Macapá. Mantemos um canal aberto de comunicação com a população desses municípios e desenvolvemos programas sociais, como o Jovem Aprendiz, de qualificação de jovens que podem depois trabalhar em Tucano ou em outras mineradoras.  Buscamos apoiar o empreendedorismo local com projetos como o de fortalecimento da agricultura familiar, com a implantação de estradas e pontes para o transporte de produtos e o fornecimento de equipamentos e maquinários para plantio e colheita. Outra prioridade no Brasil e nos demais países é a aquisição de produtos e serviços de fornecedores locais, assim como a contratação de funcionários das comunidades onde atuamos, com exceção apenas de cargos que exigem qualificações ou capacitações específicas.

“Implementamos um programa de prevenção e combate a Covid-19 baseado nas orientações da OMS e acompanhado por um conselho de seis epidemiologistas seniors contratados no Brasil”

ITM: Como foi atravessar a pandemia de Covid-19?

Cornejo: A pandemia de Covid-19 foi um desafio muito grande, especialmente no Amapá, um dos estados brasileiros onde a disseminação da doença foi muito rápida. Conseguimos, em um tempo curto e com um grande alinhamento de todas as áreas, implementar um programa de prevenção e combate à pandemia baseado nas orientações da OMS (Organização Mundial de Saúde) e acompanhado por um conselho de seis epidemiologistas seniors contratados no Brasil. Qualquer medida que queríamos adotar devia ter a aprovação prévia desse conselho, formado por cientistas com conhecimento e experiência no combate a epidemias e viroses. Esse esquema funcionou muito bem. Tivemos dois meses muito preocupantes – em maio e junho de 2020 –, quando assistimos a um aumento dos casos positivos. Passado esse período, conseguimos controlar o número de casos novos e mantivemos nossa cadeia de produção. Nunca paramos a operação.

ITM: Quais medidas constavam desse programa contra a Covid?

Cornejo: Elaboramos um documento com dez paginas. Um dos protocolos diz respeito ao home office, que fizemos desde o início da pandemia, basicamente para todos da área  administrativa e para aqueles que não eram o “core” da operação. Também criamos protocolos para os ônibus que transportam os empregados e para as instalações que continuaram funcionando, como oficinas, mina, planta de beneficiamento e refeitórios, entre outras. As reuniões passaram a ocorrer de forma virtual, através de aplicativos como o Teams, da Microsoft. Implementamos nosso próprio centro de diagnostico com testes de Covid que adquirimos para nossos trabalhadores. Todos os empregados que voltavam de férias, licenças ou manifestavam algum tipo de sintoma passaram a ser testados. Dessa forma, controlamos o surgimento de novos casos da doença.

ITM: Quantos funcionários trabalham em Tucano?

Cornejo: São 1.450 empregados no total, 450 diretos e 1.000 terceirizados.

ITM: As operações internacionais da Great Panther Mining estão em plena atividade? Há prospecção para a aquisição de novos ativos?

Cornejo: As duas operações do México e a do Brasil estão ativas. No Peru, Coricancha está em manutenção para o desenvolvimento da exploração mineral, visando o incremento de seus recursos e reservas. A Great Panther quer crescer. Para isso, estamos avaliando aquisições adicionais no Brasil. Em termos gerais, a empresa gosta muito do Brasil, um país estável, com profissionais altamente capacitados e infraestrutura relativamente boa. A percepção da comunidade internacional é de que o Brasil tem políticas bastante positivas para a mineração e promove seu desenvolvimento, o que é altamente interessante para nós.

ITM: Como a Great Panther Mining está trabalhando as questões de inclusão e diversidade em suas operações?

Cornejo: Acreditamos que a diversidade e a inclusão são essenciais para a construção de um ambiente propício para o sucesso de um negócio. No Brasil, agora fazemos parte da Women in Mining, mas nossas ações de equilíbrio de gênero já começaram há algum tempo no ambiente corporativo. A maior parte de nossos executivos é de mulheres. Em Tucano, temos uma meta bem agressiva, até 2023, de contar com ao menos 25% de mulheres em nosso quadro de funcionários. Para tanto, estamos focando nas práticas de recrutamento, com ênfase na entrevista de mulheres para cargos gerenciais e para posições críticas em nossa operação. Também a diversidade de raças é um tema importante para nós e será trabalhado tão logo cumpramos a meta de aumentar o percentual de mulheres em nossa força laboral.

ITM: Como você avalia o mercado de ouro, que ganhou impulso durante a pandemia?

Cornejo: Não sou expert no mercado internacional de ouro, mas minha impressão é que, a médio e curto prazos, os preços do ouro devem se manter nos níveis atuais. Inclusive, temos um ambiente relativamente positivo para a elevação desses preços.

“A mineração do futuro estará grandemente focada em tecnologias limpas e inteligentes”

ITM: Qual é a sua visão da mineração do futuro e como a Mina Tucano deve avançar nesse sentido?

Cornejo: Para mim, a mineração do futuro estará grandemente focada em tecnologias limpas e inteligentes, suportadas por uma plataforma de dados onde as informações estejam totalmente integradas. Muitas companhias de mineração estão mudando suas práticas, por exemplo, com a adoção de caminhões autônomos ou elétricos. Com isso, reduzem as emissões de CO2 (gás carbônico) em suas operações e o risco de acidentes, provocados por falhas humanas na maioria das vezes. Também vemos a emergência de tecnologias que estão mudando o grid elétrico, como a de plantas de energia solar e eólica que, na medida em que os anos passam, se tornam menos caras e, portanto, mais acessíveis às empresas. Na Mina Tucano, já iniciamos esforços nessa direção. Atualmente, avaliamos a mudança dos protocolos de controle na planta para adotar inteligência artificial no gerenciamento da moagem inicialmente, incluindo os moinhos SAG e de bolas. Também estamos mudando o sistema de despacho na mina para que seja mais integrado, com acesso a mais informações e sua disponibilização em tempo real para todos na operação. Por enquanto, são apenas passos no caminho de uma Tucano cada vez mais tecnológica. A transformação 100% vai levar um pouco mais de tempo.

 Perfil:

Nasceu em: Arequipa, no Peru, em 01/01/1979

Mora em: Toronto, no Canadá

Formação Acadêmica: Formado em Engenharia Química pela Universidade Nacional de San Agustin, de Arequipa. Mestre em Engenharia Química pela  Politécnica de Montreal, no Canadá, e em Gerenciamento de Projetos pela Universidade York, em York, Reino Unido

Trajetória Profissional: Engenheiro de Processo na  BHP Billiton e Rio Tinto Group. Gerente Global de Integração de Projetos na SGS (Société Générale de Surveillance). Gerente e diretor de Projetos no grupo Jacobs, no Canadá. Vice-presidente de Projetos e Serviços Técnicos na Aura Minerals. Vice presidente de Projetos e Serviços Técnicos na Great Panther Mining (junho/2019 a janeiro/2020), passando a vice presidente de Operações no Brasil (até junho/2021) e Diretor Corporativo de Operações, a partir de julho de 2021

Família: Casado, tenho dois filhos e um cachorro

Time de Futebol: FBC Melgar, de Arequipa, Peru. No Brasil, às vezes, não mais sempre, o Palmeiras

Hobby: Conviver com minha família e atletismo

Um ídolo ou mestre: o escritor Mário Vargas Lhosa, meu conterrâneo de Arequipa

Maior decepção: A partida Brasil e Alemanha, na Copa do Mundo de 2014

Maior realização: Ser parte dos times nacionais de atletismo do Peru e do Canadá. Fui campeão sul-americano de lançamento de disco e arremesso de peso

Um projeto: Meus filhos. O projeto mais importante de minha vida

Um conselho aos formandos em cursos afetos à mineração: É essencial que os novos profissionais entendam que a inteligência prática é mais importante, talvez mais valiosa, que a inteligencia teórica. Também é fundamental que eles façam sempre um plano de cinco anos, tanto para sua vida profissional quanto para a vida profissional.

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