O Departamento de Energia dos Estados Unidos (DOE) selecionou a Aclara Technologies Inc., subsidiária norte-americana da Aclara Resources, para receber financiamento federal. O aporte integra a iniciativa Genesis Mission: Transforming Science and Energy with AI, e a liberação dos recursos passa agora pela negociação final de prazos e condições contratuais.
A iniciativa da empresa aprovada na Fase I leva o nome de “AI-Enabled Process Optimization for Multi-Feed Rare Earth Separation”, projeto voltado à otimização do processo de separação de terras raras pesadas provenientes de múltiplas fontes de alimentação.
O princípio da solução é aplicar a inteligência artificial para refinar o processo de separação de terras raras pesadas provenientes de múltiplas origens. O objetivo é garantir maior qualidade ao produto final e dar estabilidade à planta, acelerando a chegada das tecnologias de processamento ao mercado.
“Essa seleção pelo Departamento de Energia dos Estados Unidos representa um marco importante para a Aclara e valida nossa estratégia de combinar engenharia de processos de ponta com inteligência artificial para fortalecer a cadeia de suprimento de minerais críticos”, afirmou Ramón Barúa, CEO da Aclara.
De acordo com ele, o projeto contribuirá para acelerar o desenvolvimento de ferramentas operacionais de nova geração para a separação de terras raras pesadas. “Isso ocorre ao mesmo tempo em que reforça nossa estratégia de construir uma cadeia de suprimentos segura, resiliente e tecnologicamente avançada em todo o continente americano.”
A iniciativa prevê o desenvolvimento e a validação de um gêmeo digital (digital twin) apoiado por inteligência artificial, capaz de otimizar os complexos circuitos de extração por solventes utilizados no processo de separação de terras raras pesadas. Para criar essa solução, a Aclara firmou parceria com a Virginia Tech, que abriga a planta piloto da empresa, e com o Argonne National Laboratory, responsável pelos recursos avançados de simulação. Essa união entre indústria, governo e academia visa testar a IA em condições reais de operação.
Com isso, a expectativa é aumentar a estabilidade do processo, elevar os índices de pureza dos produtos e reduzir a necessidade de intervenções na planta, acelerando a ampliação da tecnologia para escala comercial.
Como parte da Fase I da Genesis Mission, o projeto da Aclara integra o esforço de unir inteligência artificial à pesquisa científica focada em energia. O avanço nesta etapa inicial qualifica a empresa para a Fase II, abrindo caminho para o recebimento de financiamentos federais adicionais.
Projeto Carina
Todos os avanços em IA poderão ser aplicados futuramente à operação da Aclara no Brasil, no Projeto Carina, em Goiás, atualmente em fase de licenciamento e com início das operações previsto para 2028.
Parceria com a academia
A Aclara firmou parceria com a Universidade Federal de Goiás (UFG) para aplicar inteligência artificial no setor de terras raras. A pesquisa foca em otimizar a análise de dados e aumentar a eficiência operacional. A iniciativa une academia e indústria para fortalecer o ecossistema brasileiro de minerais críticos. O objetivo é posicionar o país de forma competitiva na cadeia global de suprimentos.
