RETOMADA DE OPERAÇÕES, PRODUÇÃO AMPLIADA E RESULTADOS DE 2025

RETOMADA DE OPERAÇÕES, PRODUÇÃO AMPLIADA E RESULTADOS DE 2025

Única produtora de ouro no Brasil totalmente verticalizada, realizando desde a exploração mineral até o refino e a produção da barra de ouro, a AngloGold Ashanti está retomando a operação da segunda planta do Complexo Industrial do Queiroz em agosto, atualmente em fase de ramp up, com investimento de R$ 105 milhões. O anúncio foi feito por Luiz Otávio de Lima, presidente da empresa para a América Latina durante coletiva de imprensa na Exposibram 2026. O executivo também falou da redescoberta do corpo Viana, na mina Cuiabá, em Sabará (MG) e do projeto de reativar a produção em Córrego do Sítio (CDS), em Santa Bárbara, no mesmo estado. Na semana seguinte ao evento, em 01 de setembro, a mineradora lançou seu Relatório Anual de 2025, com resultados e avanços registrados em suas operações no Brasil e Argentina.

Foto 1: Luís Lima, presidente da AngloGold Ashanti Latam, em coletiva de imprensa
Luís Lima, presidente da AngloGold Ashanti Latam, em coletiva de imprensa

Referindo-se ao primeiro encontro de CEOs de mineração presentes na Exposibram 2026, realizado em 25 de agosto e conduzido por Ana Sanches, presidente da Anglo American, e por Pablo Cesário, diretor-presidente interino do IBRAM (Instituto Brasileiro de Mineração), Lima disse que, entre os temas discutidos, ganhou destaque a questão de segurança na mineração. “Também falamos sobre os caminhos do setor no Brasil nos próximos anos, tratando dos horizontes futuros para consolidar cada vez mais a indústria mineral, o que não só é importantíssimo para o nosso negócio como para o desenvolvimento do nosso país”, acrescentou.

Foto 2: Estande da mineradora na Exposibram 2026, em Belo Horizonte (MG)
Estande da mineradora na Exposibram 2026, em Belo Horizonte (MG)

Em expansão

Com a segunda planta de Queiroz em funcionamento, a AngloGold Ashanti passa a operar integralmente as duas refinarias do complexo, sediado em Nova Lima (MG). Somada, a capacidade de processamento das duas plantas será de 280 mtpa de concentrado, além de 240 mtpa de ácido sulfúrico. A depender da qualidade do teor do minério contido, a produção de concentrado poderá ser ampliada para volumes entre 300 e 310 mil oz/ano.

O processo de beneficiamento das unidades foi parcialmente paralisado no final de 2022 para sua readequação em termos operacionais e ambientais, incluindo o tratamento dos efluentes de sua barragem de rejeitos. A defasagem entre a retomada da primeira planta, em 2024, e da segunda agora, deveu-se à maior complexidade de recuperação de seus componentes afetados pela intensa corrosão causada pela produção de ácido sulfúrico, detalha Lima, além do cumprimento da premissa de se ter uma operação completamente segura e sustentável. As plantas também passaram a contar com novas tecnologias para o controle de parâmetros como pressão e temperatura e acompanhamento dos processos pelo centro de monitoramento.

O minério beneficiado em Queiroz é extraído nas minas subterrâneas Lamego e Cuiabá, em Sabará (MG), que integra o Quadrilátero Ferrífero, região com elevado potencial de ocorrência de ouro. A continuidade das campanhas de exploração mineral, com investimentos significativos pela empresa, já resultou em descobertas importantes na mina Cuiabá. Um exemplo é o corpo Viana, o primeiro a ser lavrado ainda na década de 1980, mas que, devido a fatores estruturais, geotécnicos e de continuidade geológica registrados à época, foi substituído posteriormente pelo corpo Fonte Grande Sul, hoje o principal da mina, operado no nível 23, a cerca de 1.600 m de profundidade vertical em relação à superfície. Nos últimos anos, o desenvolvimento de um modelo geológico mais consistente possibilitou a reavaliação do corpo Viana, com o direcionamento de novas sondagens subterrâneas, de forma a otimizar a extração de seu minério, atualmente no nível 19, e aumentar as reservas da mina, com possibilidade de estender sua vida útil para um horizonte entre 2045 e 2050.

A mineradora também planeja, para 2027, a retomada da operação do Complexo Córrego do Sítio (minas subterrâneas CDS I e II e cava João Burro, a céu aberto), em Santa Bárbara (MG), descartando a hipótese de venda do ativo, como cogitado em 2023, por ocasião de sua paralisação. Ainda dependente da aprovação dos órgãos reguladores, a reabertura, a princípio da mina CDS I e de sua usina de beneficiamento, já vem sendo preparada com a contratação de pessoal visando a retirada paulatina da unidade do estado de Care and Maintenance em que se encontra. Segundo Lima, já há uma projeção de CAPEX para o projeto, mas o investimento só será definido e aprovado após a obtenção do licenciamento ambiental. “Sabemos do enorme potencial geológico de CDS,  com recursos e reservas minerais disponíveis e temos certeza de que obteremos o CAPEX necessário para a retomar sua operação”, afirmou o presidente.

Mina Cuiabá: melhor desempenho entre operações mundiais da produtora de ouro

Relatório anual

Após um ano difícil em 2023, com prejuízo líquido de US$ 235 milhões em razão de seus elevados custos operacionais, gastos com a segurança de barragens no Brasil e menores vendas de ouro, a AngloGold Ashanti reverteu o resultado negativo já em 2024, muito em função da alta nas cotações do metal. Nas operações de Minas Gerais, o ano também foi o marco de uma grande virada. “Passamos a promover uma profunda transformação de nossa cultura organizacional para construir um negócio de excelência operacional de longo prazo, com a maior eficiência possível de nossos processos produtivos, visando o controle rigoroso de custos sem afetar a qualidade do nossos produtos e independente da variabilidade dos preços do ouro”, lembra Lima.

Segundo ele, essa estratégia focada em “eficiência operacional, segurança e geração de valor a longo prazo, sustentada, acima de tudo, pelas pessoas” responde também pelos resultados e avanços das operações da mineradora em suas operações na América Latina. Dados contidos no Relatório ESG Latam 2025, lançado em 01 de setembro, indicam uma produção de 505 mil onças de ouro e uma receita líquida de R$ 10,5 bilhões no período: 326 mil onças e R$ 6,4 bilhões no Brasil e 179 mil onças e R$ 4,1 bilhões na Argentina.

Pelo segundo ano consecutivo, as Operações Cuiabá receberam o Global Safety Award pelo melhor desempenho em segurança entre as operações da AngloGold Ashanti no mundo. A segurança das barragens também foi um dos destaques, com investimentos de R$ 140,72 milhões no Brasil e na Argentina em 2025. Todas as estruturas existentes nos dois países encerraram o ano sem níveis de alerta ou emergência e alcançaram o nível máximo nos critérios de conservação da Agência Nacional de Mineração (ANM). A companhia também atingiu 100% de atendimento ao Global Industry Standard on Tailings Management (GISTM) para o sistema de barragens e concluiu antecipadamente a descaracterização das estruturas de Serra Grande, em Crixás (GO), e CDS II, em Santa Bárbara (MG).

Na agenda ambiental, houve uma redução de 15% nas emissões de gases de efeito estufa (GEE) nas operações da América Latina, em comparação com o ano-base de 2021. No Brasil, a redução chegou a 64%. A companhia mantém o compromisso de zerar as emissões líquidas dos escopos 1 e 2 até 2050 e conta atualmente com cerca de 31 projetos de descarbonização e eficiência energética. Entre as iniciativas estão a eletrificação de equipamentos, a automação da Mina Lamego, a eletrificação de motobombas no Queiroz e a implantação de carregadeira elétrica na Mina Cuiabá, a maior mina subterrânea do Brasil.

A gestão hídrica também avançou durante o ano, com projetos de recirculação de água em Cuiabá e Cerro Vanguardia (Argentina). Em paralelo, iniciativas de melhoria contínua contribuíram para reduzir a diluição do minério em Cuiabá de 42% para 16%, diminuindo o transporte de material estéril, o consumo de diesel e a movimentação de caminhões. Outro destaque foi o investimento de mais de R$ 50 milhões em gestão ambiental no Brasil, além de iniciativas de recuperação de áreas degradadas, preservação da biodiversidade e educação ambiental.

A empresa encerrou o ano 9.383 profissionais, sendo 4.377 diretos e 5.006 indiretos, alcançando uma participação feminina de 24,1% no Brasil, considerando empregados, estagiários e aprendizes. Na Argentina, o crescimento desse percentual foi de 18,4% em relação a 2024. Além de programas voltados à formação de lideranças e plataformas de aprendizagem, a empresa também criou oportunidades para jovens, através de seus programas de estágio e Jovem Aprendiz.

Marcando seu primeiro ano de atuação, o Instituto AngloGold Ashanti, criado para fortalecer a governança dos investimentos sociais da companhia, investiu cerca de R$ 13 milhões em projetos sociais, culturais e ambientais no Brasil, beneficiando mais de 230 mil pessoas. A entidade também apoiou iniciativas de cultura, esporte, qualificação profissional, patrimônio histórico e desenvolvimento de negócios sociais. Em outra frente, na mesma esfera social, o programa Parcerias Sustentáveis completou 15 anos de atuação em 2025, acumulando mais de 300 iniciativas apoiadas, superando mais 200 mil beneficiados em comunidades próximas às operações da mineradora.

Foto em destaque: Complexo do Queiroz, em Nova Lima (MG), com segunda planta reativada
Fotos: AngloGold Ashanti/Divulgação

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