QUARTZITOS GANHAM ESPAÇO NO COMÉRCIO GLOBAL

QUARTZITOS GANHAM ESPAÇO NO COMÉRCIO GLOBAL

Por: Bernardo Imperial, CEO da Unique Stone*

O Escritório de Comércio dos Estados Unidos (USTR) anunciou que está estudando duas novas propostas tarifárias que podem ampliar significativamente a pressão sobre as exportações brasileiras de rochas naturais. Uma prevê uma sobretaxa adicional de 25% sobre determinados produtos brasileiros, enquanto a outra pode acrescentar até 12,5%. Se ambas forem aprovadas e aplicadas de forma cumulativa, algumas categorias poderão enfrentar uma carga tarifária total de até 37,5%.

Apesar das barreiras comerciais impactarem os granitos tradicionais, mármores e ardósias, os quartzitos não foram incluídos nessa tributação, mantendo o livre acesso ao mercado dos EUA. A diferenciação chama atenção por destacar um segmento que reúne características de maior especialização, elevado valor agregado e menor disponibilidade internacional, fatores que costumam influenciar a dinâmica competitiva do comércio global.

Na escala Mohs, o quartzito atinge o nível 7, o que significa que esse material é mais duro e resistente a riscos do que o granito padrão. Além disso, diferente do mármore, que sofre corrosão permanente ao contato com substâncias ácidas (limão, vinagre, etc.), o quartzito apresenta elevada resistência química e baixa porosidade, características que ampliam sua durabilidade e versatilidade de aplicação.

Porém, a extração e o corte exigem tecnologias avançadas, como maquinário de fio diamantado e processos industriais de alta precisão. Essa complexidade eleva os investimentos necessários ao longo da cadeia produtiva, mas também contribui para posicionar o material em um segmento de maior valor agregado.

Mais do que uma discussão setorial, o episódio reflete transformações mais amplas no comércio internacional. Nos últimos anos, grandes economias têm ampliado o uso de tarifas, subsídios e mecanismos regulatórios para proteger cadeias produtivas consideradas estratégicas. Nesse ambiente, produtos altamente diferenciados tendem a enfrentar menor concorrência direta e maior capacidade de preservar demanda mesmo diante de barreiras comerciais.

Por outro lado, produtos com elevado grau de diferenciação, valor agregado e menor disponibilidade internacional costumam apresentar maior capacidade de preservar demanda e margens, mesmo em cenários de maior restrição comercial. Para a indústria brasileira de rochas naturais, essa dinâmica reforça a importância de investir em especialização, tecnologia e posicionamento premium como estratégias de competitividade de longo prazo.

Essa lógica tem influenciado as estratégias de diversas empresas brasileiras do setor. No caso da Unique Stone, a decisão de concentrar as operações exclusivamente em materiais de maior valor agregado, adotada há mais de uma década, contribuiu para a construção de um modelo de negócios menos exposto às oscilações tarifárias e mais alinhado à demanda por produtos premium no mercado internacional.

Atualmente, a tendência do mercado vem apontando para esse segmento. Dados da Associação Brasileira da Indústria de Rochas Ornamentais (Abirochas) apontam que chapas e blocos de quartzitos maciços representam 48% do volume total das exportações brasileiras de rochas naturais, um setor que movimentou US$ 1,26 bilhão em 2024.

Diante desse cenário, os EUA representam hoje mais de 90% das vendas da Unique Stone, reforçando a relevância do mercado norte-americano para as empresas brasileiras que atuam no segmento de quartzitos e materiais de alto valor agregado.

A exclusão dos quartzitos das propostas tarifárias em discussão não deve ser vista apenas como um alívio momentâneo para o setor. Ela evidencia uma tendência mais ampla do comércio global: a crescente valorização de produtos especializados, de difícil substituição e com maior intensidade tecnológica. Para o Brasil, que reúne algumas das maiores reservas e empresas especializadas nesse segmento, o desafio não está em ampliar exportações, mas em consolidar uma posição de liderança internacional baseada em diferenciação, inovação e geração de valor.

Em um cenário cada vez mais marcado por disputas comerciais e barreiras regulatórias, a competitividade tende a ser definida menos pelo volume produzido e mais pela capacidade de oferecer produtos únicos, capazes de sustentar demanda e margens mesmo em períodos de maior instabilidade econômica e geopolítica.

(*) Bernardo Imperial é CEO e fundador da Unique Stone, boutique  referência no mercado internacional de pedras naturais de alto padrão. Com forte domínio técnico, processos únicos  e um atendimento exclusivo que transformou a marca em símbolo de luxo, Imperial segue expandindo a Unique Stone internacionalmente, guiado por valores de trabalho duro, lealdade e paixão pelas pedras brasileiras.

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