A Lithium Ionic apresentou durante o Lithium Business 2026 sua estratégia de gestão social e ambiental para o Projeto Bandeira, localizado entre Araçuaí e Itinga, no Vale do Jequitinhonha. Ainda em fase de licenciamento ambiental, o empreendimento tem priorizado o relacionamento com comunidades, o monitoramento ambiental e a qualificação da população local como bases para a obtenção da chamada “licença social” para operar.
Os gerentes de Relações Comunitárias e Sociais, André Vasconcelos, e de Meio Ambiente, Paulo Henrique Lima, defenderam que a mineração moderna exige integração entre engenharia, gestão ambiental e responsabilidade social desde as fases iniciais do projeto.
Segundo Vasconcelos, a atuação junto às comunidades deve começar ainda na etapa de pesquisa mineral e licenciamento, acompanhando todo o desenvolvimento do empreendimento. Para ele, o relacionamento entre empresa e população precisa ser construído desde os primeiros contatos, com compromissos claros e diálogo permanente.
O executivo destacou que fatores socioambientais passaram a exercer influência direta sobre a geração de valor dos projetos minerários e afirmou que a crescente disponibilidade de informações tornou as comunidades mais preparadas para discutir impactos, oportunidades e responsabilidades relacionadas aos empreendimentos.
Outro eixo considerado estratégico é o desenvolvimento econômico regional. A empresa pretende investir na qualificação de trabalhadores e fornecedores locais antes mesmo do início das operações, ampliando a capacidade da região para atender à futura demanda da mineração e estimulando a geração de valor compartilhado.
A apresentação também detalhou o andamento da Consulta Livre, Prévia e Informada junto à comunidade quilombola do Baú, conduzida conforme as diretrizes da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e do Incra. Iniciado em novembro de 2025, o processo envolveu estudos participativos, identificação de impactos socioambientais e a elaboração do Plano Básico Ambiental Quilombola (PBAQ).

Ao longo da consulta foram identificadas 16 percepções de impactos socioambientais, resultando na criação de cinco programas compostos por 35 projetos de mitigação e compensação. Segundo a empresa, o trabalho mobilizou mais de 700 pessoas, contou com 39 encontros, mais de 3.800 horas de consultoria especializada, cerca de 900 horas da equipe técnica da Lithium Ionic e a participação de 26 profissionais.
Entre as iniciativas previstas está a capacitação de jovens da comunidade para acompanhar diretamente o monitoramento ambiental da futura mina, incluindo indicadores como ruído, poeira e vibração. A proposta busca ampliar a transparência e permitir que os moradores acompanhem o desempenho ambiental do empreendimento.
Na área ambiental, Paulo Henrique Lima apresentou o sistema de monitoramento previsto para a implantação e operação do Projeto Bandeira. O plano contempla acompanhamento automático e em tempo real da qualidade do ar, ruídos, vazão e qualidade da água, parâmetros meteorológicos e estabilidade geotécnica das pilhas.
De acordo com o gerente, as informações serão utilizadas não apenas para atender às exigências dos órgãos reguladores, mas também como ferramenta permanente de gestão preventiva, permitindo identificar tendências, corrigir desvios e ampliar a rastreabilidade das operações. A intenção é disponibilizar parte desses dados também para consulta da população.
A Lithium Ionic reforçou que o Projeto Bandeira permanece em fase de licenciamento ambiental e que pretende manter a integração entre gestão social, monitoramento ambiental e participação comunitária ao longo de todas as etapas de implantação do empreendimento.
