A mineração automatizada e uso da inteligência artificial foram temas de um fórum que reuniu especialistas do setor, em São Paulo, no dia 20 de agosto. A Cedro esteve representada pelo presidente do conselho de administração, José Carlos Martins.
Durante painel, Martins enfatizou que a adoção de tecnologias avançadas é o pilar central para a evolução da indústria. Para ele, o uso intensivo de dados e conectividade transformarão a realidade atual. “A mineração 4.0 hoje em termos mundiais ela é uma meta, um ideal. A gente caminha para ela. Hoje eu diria que a mineração tá aí entre 2.5 e 3”, afirmou, ressaltando que o setor está em pleno processo de transição.
A verdadeira revolução tecnológica, segundo o executivo, depende primordialmente de uma infraestrutura robusta. “Quando a gente fala em internet das coisas, estamos conversando sobre a coleta de informações com sensores, drones, radares, e esses dados são transmitidos em tempo real”, explicou o executivo.
Ele reforçou que o cruzamento dessas informações em centros de controle com o uso de inteligência artificial otimiza todo o conjunto produtivo e reduz significativamente os custos operacionais de longo prazo.
Ressaltando o entusiasmo com o potencial da inovação, o executivo não ignorou os entraves mercadológicos. Ele destacou o desafio financeiro enfrentado no Brasil, onde o acesso ao crédito para atividades de risco esbarra na falta de garantias, o que acaba direcionando a busca de recursos para mercados externos. “Existe um trade-off entre o custo de capital dos equipamentos e o teu custo operacional. A mineração 4.0 ela vai te dar um custo operacional muito mais baixo, mas o seu investimento inicial é muito maior”, ponderou.
Contudo, a inovação também se apresenta como um grande trunfo estratégico, capaz de democratizar a competitividade. Martins explicou que as tecnologias disponíveis podem ser adaptadas de outros setores e favorecem operações mais enxutas. “Eu vejo as tecnologias avançando como um facilitador… É o que vai permitir as menores empresas competirem com as maiores. Primeiro porque as empresas menores são mais ágeis”, destacou, lembrando que decisões sobre adoção tecnológica são muito mais rápidas em estruturas menores.
Ao contextualizar o Brasil no mercado global, o presidente do conselho utilizou a China como exemplo incontestável de integração tecnológica, baseada em políticas contínuas de Estado e forte investimento em educação universitária. Para o Brasil competir internacionalmente — especialmente com nações que possuem vantagens logísticas absurdas, como a Austrália —, é necessário compensar a distância entregando um produto superior. A tecnologia na Mineração 4.0 permite produzir o chamado “minério verde”, que auxilia os clientes asiáticos na redução de emissões de carbono, garantindo a competitividade nacional.
No encerramento, Martins ressaltou que, mesmo no ápice da automação, o capital humano segue insubstituível e no centro da estratégia. “Na Cedro Participações, o momento é de atrair novos talentos para operar e desenhar o futuro em projetos de expansão, inclusive operando com ferramentas como os gêmeos digitais. A mineração 4.0 as máquinas vão fazer tudo. Com menos impacto ambiental e com mais segurança. Mas as pessoas vão ter que estar pensando. Nós queremos o homem pra pensar, o homem pra criar”, concluiu o executivo.
Sobre a Cedro
Fundada em 2018, a Cedro Participações é uma holding mineira com atuação nos setores de mineração e infraestrutura logística. Auditada pela KPMG e classificada pela Fitch Ratings, a companhia executa um plano de investimentos de aproximadamente R$ 5 bilhões até 2030, com o objetivo de alcançar uma produção anual de 20 milhões de toneladas de minério de ferro, com foco em pellet feed.

