Fundada em 1943 pelo empresário Elysio Teixeira Leite, a Pedreira Morro Grande, depois chamada de Pedreira Anhanguera (Foto 1), foi uma grande fornecedora de brita e areia para obras fundamentais de infraestrutura viária na capital e no interior paulista. No início dos anos 1980 foi fechada e abandonada devido à falência de seu grupo controlador.

Passadas mais de quatro décadas, em 2021, a construtora espanhola Acciona assumiu a concessão da Linha 6-Laranja do Metrô São Paulo e a área da antiga cava da pedreira, já alagada (Foto 2), conhecida como “Prainha da Brasilândia”, foi transformada em um pátio.

Nele, os 23 trens desse ramal passarão por manutenções periódicas, tendo ao redor as paredes de rochas remanescentes da antiga jazida de calcário (Foto 3).

Prevista para entrar em operação no final de 2025, a Linha 6-Laranja, que ligará dois extremos da cidade – a partir da estação São Joaquim, no centro, à estação Brasilândia, no bairro da Freguesia do Ó, zona norte, a profundidades entre 46 e 69 m, percorrendo 15,3 km e passando por 15 estações –, teve sua conclusão adiada para 2026 (trecho Brasilândia- Perdizes) e 2027 (trecho Perdizes-São Joaquim). As águas da antiga cava foram drenadas por bombeamento controlado e direcionadas às galerias pluviais da região. Além do pátio do metrô, parte do terreno, com mais de 600 mil m2 de área, será transformado no Parque Morro Grande, um espaço de preservação ambiental e lazer.
Não se pode falar no futuro sem falar no passado. E a Pedreira Morro Grande foi, em seu tempo e muito antes dos conceitos atuais de sustentabilidade, um exemplo do papel de desenvolvimento local que a mineração deve ter sempre. Dois anos após a morte de Teixeira Leite, seu genro, Tomás de Mello Cruz Filho, assumiu a direção da empresa, aos 27 anos. Sob sua gestão, foi construída a vila operária Morro Grande, uma escola, a capela Santa Clara de Assis (Foto 4), um cinema e instalados pequenos comércios, plantações de café e áreas de lazer.

Os funcionários da pedreira moravam em casas com amplos quintais, na parte alta da colina, acima da capela. Os desmontes de rocha eram realizados às 11 e 16 h e os blocos de rocha eram levados em carroças especiais, puxadas por mulas, até o britador, que ficava na entrada da pedreira. Descendente de uma família paraibana do ramo de tecelagem, Cruz Filho também instalou a tecelagem Santo Eduardo Tecidos de Algodão, na vila Morro Grande. A capela, construída no início da década de 1960, teve sua arquitetura baseada nos conceitos de Oscar Niemeyer, que acabara de inaugurar Brasília (DF).
O fechamento da pedreira levou à desativação da tecelagem e do cinema. Aos poucos, o êxodo dos operários desempregados esvaziou a vila e também as missas dominicais na capela, abandonada pela própria igreja católica. Da mina restou uma curiosidade histórica: um antiga escavadeira a cabo sobre esteiras, da fabricante norte-americana Northwest Engineering (Foto 5).

A concessionária da Linha 6-Laranja já fez um grande trabalho ao dar um uso futuro e sustentável para a cava da antiga pedreira. Quem sabe, um dia, possa restaurar também, senão o cinema (Foto 6), ao menos a capela, restituindo Santa Clara de Assis a seu altar.

