PRESERVAÇÃO DE ESPÉCIES AMEAÇADAS E PATRIMÔNIO GENÉTICO DA FLORA

PRESERVAÇÃO DE ESPÉCIES AMEAÇADAS E PATRIMÔNIO GENÉTICO DA FLORA

Uma área de mineração em Pontes e Lacerda (MT) tornou-se ponto estratégico para a produção e conservação de espécies ameaçadas da flora brasileira. Mantido pela Aura Apoena na operação Ernesto e Pau-a-pique, o Viveiro Manoel Ferreira completa nove anos com a marca de 270 mil mudas produzidas — um modelo que alia recuperação ambiental, transição ecológica e integração comunitária.

Desde 2016, mais de 51 mil plantas cultivadas no local foram reintroduzidas por meio do Plano de Recuperação de Áreas Degradadas (PRAD). A iniciativa já garantiu a recomposição da vegetação nativa em mais de 6 hectares impactados pela atividade minerária na região.

Parte desse trabalho começa antes mesmo da produção das mudas. A equipe coleta sementes diretamente de “árvores matrizes” identificadas na vegetação do entorno, prática que contribui para manter características genéticas da flora local e ampliar a adaptação das plantas utilizadas na recuperação das áreas.

O êxito técnico do projeto é conduzido pela analista de Meio Ambiente, Micheli Lemes, responsável pelo manejo florestal, e pela atuação diária dos colaboradores Valdir Lima e Manoel Ferreira. Colaborador mais antigo da unidade, Seu Manoel reúne o conhecimento prático acumulado ao longo dos anos e acompanha todo o ciclo produtivo, da coleta das sementes na mata à seleção e ao transplante das mudas.

“A gente acompanha todo o caminho, desde a escolha da árvore e a coleta da semente até a muda ficar pronta para ir para o campo. Depois, ver uma planta que passou pelas nossas mãos crescendo e ajudando a formar novamente aquela vegetação é uma satisfação muito grande. É um trabalho que exige paciência, porque cada espécie tem seu tempo e seu jeito”, conta Manoel Ferreira.

A dedicação de Ferreira marcou tanto a história do local que, em 2023, durante a modernização do espaço, o viveiro foi oficialmente batizado com o seu nome.

É essa vivência diária que garante a continuidade e a preservação do conhecimento técnico construído pela operação ao longo de quase uma década.

Conservação genética e espécies ameaçadas

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Área destinada às ações de conservação ambiental e produção de mudas

O grande diferencial técnico da ação está na diversidade do material cultivado e na conservação de espécies ameaçadas. A estrutura foca no resgate de espécies da lista vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), incluindo plantas classificadas como “Em Perigo” (EN) — como a peroba-rosa (Aspidosperma polyneuron) e o pau-brasil (Paubrasilia echinata) — e “Vulneráveis” (VU), a exemplo do cedro (Cedrela fissilis) e do mogno (Swietenia macrophylla). O espaço também cultiva espécies de alto apelo ecológico e econômico, como palmito-juçara, jatobá, ingá, paricá, açaí e guariroba.

Trabalhar com espécies nativas também exige superar desafios próprios de cada planta. O pequi (Caryocar brasiliense), por exemplo, possui sementes com dormência natural, o que torna sua germinação mais lenta. Para viabilizar a produção das mudas, a equipe aplica tratamentos pré-germinativos específicos para favorecer a germinação e o desenvolvimento da planta.

Impacto social e Ambiental

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Mudas cultivadas no Viveiro da Aura são destinadas a ações de recuperação ambiental e reflorestamento de áreas

Para Fanuel Medeiros, gerente de Recursos Humanos, Comunicação e Relacionamento com Comunidades, a preservação orienta a estratégia da mineradora na região. “Produzir mudas de espécies raras e partilhar esses resultados com os moradores locais é a nossa forma de garantir que a atividade mineral atue em conjunto com a conservação ambiental”, explica.

Além do trabalho de campo, a Apoena estendeu a iniciativa à comunidade, com a doação de cerca de 4 mil mudas para moradores, colaboradores, escolas e órgãos públicos. Com 1.000 m² de área, capacidade anual de até 30 mil plantas e um acervo atual de 6 mil mudas de 59 espécies, o viveiro também funciona como uma espécie de sala de aula ao ar livre. O espaço recebe estudantes desde o ensino fundamental até o nível superior, incluindo turmas do Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT) e da Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT), para atividades práticas de arborização, produção de mudas, manejo e conservação dos ecossistemas locais.

Imagem destaque: Sr. Manoel, colaborador de Apoena, durante atividade no Viveiro da empresa (Fotos: Divulgação)

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