Formado em Economia pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e mestre em Finanças pela Arizona State University (EUA), ele possui mais de 30 anos de experiência em project e corporate finance, com passagens por investment banking junto ao Deutsche Bank e ao IFC (International Finance Corporation) do Banco Mundial), setor de energia nas gigantes Enron e Engie, mineração em companhias como a Vale e a Kinross, e private equity em fundos como a Patria Investimentos e a Appian Capital Brazil.
Na Appian foi o CFO entre 2018 e abril de 2025 e, desde então, é o Country Manager da empresa. Nessa posição, Milson Mundim comanda um dos maiores projetos da mineração brasileira atualmente: a implantação da operação subterrânea da mina Santa Rita, da Atlantic Nickel, em Itagibá, na Bahia, que sucederá a operação a céu aberto, a início parcialmente, e daqui a oito anos, integralmente, quando exaurida a jazida desse depósito. O Projeto Underground, como é chamado, é um investimento da ordem de US$ 600 milhões, da fase inicial à sua finalização com o aprofundamento completo dos níveis de subsolo.
É um projeto desafiador. Mas sendo resiliente, como o próprio executivo se define, não estará além das dificuldades que já enfrentou para viabilizar a Atlantic Nickel, à época em que foi contratado, em 2018: paralisada, endividada, com alto custo operacional e enfrentando um mercado global inundado de níquel indonésio, o que derrubou as cotações do produto. Hoje, a mineradora, mesmo com baixo teor de minério contido no open pit é uma das mais competitivas do mundo, podendo ocupar o topo desse ranking com o Projeto Underground, de teor 60% maior.
A fala fluida e articulada de Mundim, sua grande expertise do mundo financeiro e das operações e projetos da Appian no Brasil, além de sua bem-sucedida carreira, só comprovam que o conselho dado pelo executivo a jovens economistas não deve ser ignorado: “Muito estudo e muito trabalho. E nas horas vagas, mais estudo e mais trabalho!”
ITM: Por favor, faça um breve relato da atuação da Appian Capital no Brasil.
Mundim: A Appian Capital Brazil é um fundo de private equity dedicado à mineração e está no país há oito anos. Sua entrada aqui coincidiu com a aquisição de um ativo de cobre, a Mineração Vale Verde, em Alagoas, e da Atlantic Nickel, na Bahia, por volta de fevereiro de 2018. Sendo um fundo de investimentos, nosso objetivo é encontrar projetos que, em nossa avaliação, precisem de melhorias operacionais, se já existentes, ou de um redesenho do projeto original para sua implantação, ou seja, de uma otimização que, de alguma forma, lhe permita criação de valor. Nosso ciclo é investir, construir e, no futuro, fazer o desinvestimento no ativo. Nesse sentido, o primeiro ciclo completo que tivemos foi o da Mineração Vale Verde, um projeto greenfield, construído durante os anos da pandemia de Covid-19 sem nenhuma perda de vida, sem qualquer acidente e dentro do orçamento e cronograma previstos. A mina foi operada pela Appian entre maio 2021 e agosto de 2025, quando foi adquirida pelo grupo chinês Baiyin Nonferrous.
ITM: Quais são os investimentos da Appian hoje?
Mundim: Um deles, como estratégia de nossa área de Desenvolvimento de Novos Negócios, é a estruturação de um escritório em São Paulo (SP), além de nossa sede em Belo Horizonte (MG). Isso porque, embora tipicamente as atividades voltadas à mineração, em termos de engenharia e fornecedores, por exemplo, se concentrem em Minas Gerais por razões históricas, a Appian, sendo um fundo de investimentos, entendeu fazer sentido ter uma presença local junto à comunidade financeira de São Paulo. Não estamos expandindo a área de novos negócios apenas devido à riqueza mineral do Brasil, mas porque, nos últimos oito anos, o país foi uma jurisdição muito importante para a Appian, com o maior volume de seus investimentos e sucesso dos projetos realizados.
ITM: E quanto à Atlantic Nickel?
Mundim: A mina Santa Rita, da Atlantic Nickel, teve sua fase inicial sob a gestão da Mirabela Nickel, registrando custos operacionais muito altos. Nesse contexto, ela se enquadrava na categoria de que falei, de projetos que precisavam de melhorias operacionais, de mudanças em seus planos de curto e longo prazo, de forma a gerar valor. É o que chamamos de arbitragem técnica no jargão financeiro, área de onde eu venho. Como na Appian metade das pessoas vêm da área financeira e a outra metade vêm da mineração, temos capacidade interna para identificar a arbitragem técnica de projetos, ou seja, oportunidades de melhorias operacionais na exploração, lavra ou beneficiamento para tornar uma operação mais sustentável.
ITM: Foi o que vocês fizeram na Atlantic Nickel…
Mundim: Exato. Quando assumimos o negócio, a mina Santa Rita estava paralisada desde 2016. Fizemos sua reestruturação e entramos em operação em 2019. Apesar dos baixos teores de minério, ela possui um dos melhores custos operacionais da indústria de níquel. Alguns anos depois, voltando ao conceito de arbitragem técnica, identificamos uma oportunidade de expansão da lavra transformando a mina open pit em underground. Um grande investimento, da ordem de US$ 600 milhões, que vai aumentar a escala de produção anual da mina, tornando-a relevante do ponto de vista do mercado internacional de níquel ao representar cerca de 5% do que chamamos tradable market, o mercado de níquel negociado na London Metal Exchange (LME). Além disso, a vida útil da mina, hoje de 8 anos, será expandida por mais 20 anos com a operação subterrânea, podendo chegar a 30 anos, a depender do resultado de novas sondagens.
ITM: Além do níquel, a Appian também está investindo em grafite, certo?
Mundim: Correto. Nossa mina de grafite possui duas áreas de produção possíveis, uma no sul da Bahia, em União Baiana, e outra no norte de Minas Gerais, em Jordânia. Ambas estão sendo avaliadas para identificar qual será mais indicada para uma produção de longo prazo. É um projeto muito interessante por se encaixar no contexto geopolítico atual dos chamados minerais críticos. Ao lado do níquel, cobalto, lítio e terras raras, o grafite também é considerado um mineral crítico pelo governo brasileiro. É um elemento essencial em baterias de íon-lítio, por atuar como ânodo, o polo negativo onde os íons de lítio se abrigam quando a bateria está carregada. Além disso, esse projeto pode representar uma resposta do Ocidente à dominância da China, que concentra grande parte da produção mundial de grafite, tanto mineral quanto industrial para a fabricação dos ânodos. No nosso caso, teremos a mina no Brasil e a planta de beneficiamento nos Estados Unidos (EUA).
ITM: E quanto à participação na Lithium Ionic?
Mundim: Esse é um outro segmento. No caso da Atlantic Nickel e da Graphcoa, responsável pelo projeto de grafite, falamos de private equity ou investimento privado de capital. Ao longo dos anos, desenvolveu-se também o chamado private debt ou dívida privada, para dívidas que não pertencem ao mercado tradicional dos bancos, mas sim a um fundo de investimento. A Appian possui uma divisão que trabalha com essas dívidas, fazendo um empréstimo para viabilizar projetos, sem adquiri-los ou se tornar sócia deles. Foi esse investimento de dívida que fizemos na Lithium Ionic para a implantação de seus projetos de lítio em Minas Gerais.
ITM: E na área de energia solar?
Mundim: A energia solar é um outro mandato do fundo para investir na infraestrutura associada às minas. Identificamos essa oportunidade no chamado mercado de geração distribuída e, ainda neste ano, teremos concluído a construção de 19 sites de energia solar que, juntos, somam cerca de 60 MW (megawatts) de capacidade, a maioria já em operação.
ITM: O níquel ainda enfrenta um cenário de superávit de oferta e volatilidade de preços. O que mudou desde 2024, quando o Estudo de Pré Viabilidade do Projeto Underground de Santa Rita foi concluído para sua retomada neste ano?
Mundim: Na verdade, o mercado de níquel tem algumas peculiaridades. A primeira delas é que existem dois tipos de níquel, o sulfetado e o laterítico, apesar da designação única usada pela LME. Antes da era dos minerais críticos e da transição energética, o mercado mais tradicional de consumo de níquel era o de aço inox, que não fazia diferença entre os dois tipos de níquel. Então, vimos uma disrupção com a entrada maciça de níquel laterítico, principalmente da Indonésia, que aumentou a oferta e levou à queda das cotações do minério. Essa situação mudou a partir da necessidade de transição energética.
ITM: Por quê?
Mundim: Porque o níquel sulfetado, chamado níquel Classe 1, é utilizado em determinadas aplicações que não são tão propensas para o níquel laterítico. Por exemplo, para uso em baterias de carros elétricos existe uma preocupação das montadoras, principalmente na indústria ocidental, de que o níquel tenha uma baixa pegada de carbono. Senão, qual seria o sentido de produzir um carro elétrico para não emitir carbono usando um níquel como o laterítico da Indonésia, cuja produção gera muito carbono? Já o níquel sulfetado, como é o de Santa Rita, vai da mina à fábrica de baterias com uma emissão de carbono infinitamente menor. Criou-se então uma nova demanda e há inclusive discussões econômicas para diferenciar os preços, conforme o tipo de níquel. No entanto, o níquel sulfetado já está no mercado e, como não passa pela LME, já começa a adquirir um certo Premium Price, que o diferencia do produto indonésio.
ITM: O próprio governo da Indonésia limitou sua produção de níquel…
Mundim: Sim, porque percebeu que inundar o mercado com muita produção é deletério aos seus próprios interesses ao vender muito mais de um minério que vale cada vez menos. Então, esse governo limitou sua produção de níquel, o que permitiu uma certa recuperação dos preços do produto. Ao mesmo tempo, vimos crescer a demanda por níquel sulfetado, até mesmo por grandes consumidores chineses. Sendo que a China está por trás dos investimentos em minas de níquel laterítico da Indonésia, visando atender ao seu consumo interno. Mas hoje, ela própria mudou sua percepção e está buscando minas ou projetos de níquel sulfetado para obter um produto mais premium para o mercado de baterias. Estruturalmente falando, essa é uma das duas razões da nossa competitividade nesse mercado.
ITM: E qual é a segunda razão?
Mundim: É nossa grande eficiência operacional e nosso baixo custo de produção, que situam nossa mina no chamado primeiro quartil das minas de custo mais baixo do mundo. Nessa condição, independente do preço de mercado, continuamos competitivos. No caso do Projeto Underground, o custo de produção será ainda menor porque seu depósito contém um níquel de teor bem maior que o extraído na mina a céu aberto.
ITM: Assim como em 2018, no anúncio da retomada de Santa Rita, o Projeto Underground foi lançado com um desmonte de rochas. Por que esse lançamento quando a decisão final de investimento ainda não foi tomada pela Appian?
Mundim: Estamos finalizando o Estudo de Viabilidade do projeto entre setembro e outubro próximos. Na sequência, provavelmente em novembro, teremos o FID (Final Investment Decision) e poderemos iniciar as obras em janeiro de 2027. Sendo um fundo de investimentos e, portanto, não dependente da captação de recursos no mercado, a Appian adota o early works, executando atividades preliminares ao início da construção, de forma a eliminar gargalos e criar as pré-condições para que o cronograma siga sem maiores desvios e custos adicionais. Daí o desmonte de rocha marcando a abertura do Portal Sul da futura mina, além de outros avanços, como a construção de mais de 200 m de túneis até o momento. Também faremos obras de infraestrutura para a implantação de alojamentos e oficinas de manutenção, por exemplo, que serão utilizados pelas empresas de engenharia contratadas para a execução do projeto. A antecipação dos trabalhos também representa nosso grau de confiabilidade no projeto, passando uma mensagem clara ao mercado de sua qualidade e da assertividade que temos para sua construção.
ITM: O senhor falou em US$ 600 milhões de investimentos. Em 2024 falou-se em US$ 270 milhões. Qual é o montante correto? Esse aporte será feito integralmente pela Appian?
Mundim: A divergência de valores depende do critério utilizado. Se falamos da primeira fase do projeto – acessar o minério e começar a produção na mina subterrânea – o valor é de US$ 270 milhões. Já em uma segunda fase, com o desenvolvimento de mais túneis para acesso a maiores profundidades do depósito, chegamos a um valor entre US$ 550 e 600 milhões. Quanto à origem do recursos, um projeto desse tipo utiliza cerca de 35 a 40% de capital próprio da Appian e entre 60 e 65% de capital de terceiros, via financiamento. Temos tido também conversas com o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), que pode se tornar nosso parceiro, dada a missão que o banco assumiu de estimular a produção de minerais críticos. Entre todos os candidatos a concorrer a essa linha de crédito, talvez o projeto mais maduro seja o nosso. Então, há uma grande possibilidade de contarmos com o BNDES desta vez.
ITM: O senhor pode detalhar um pouco mais o cronograma e falar do comissionamento e início efetivo da produção da futura mina?
Mundim: Concretizado o início das obras em janeiro de 2027, nossa previsão é concluir a primeira fase, com produção em ramp up no início de 2029. Em paralelo, continuaremos o desenvolvimento da mina subterrânea. Como é um projeto brownfield – construção de uma mina para uma planta de beneficiamento que já existe – a fase de comissionamento será muito simplificada, até porque a planta não terá qualquer mudança em termos de sua configuração atual.
ITM: O senhor falou que o teor do minério contido no subsolo é maior que o da mina a céu aberto. Quais são, em média, esses dois teores e como a produtividade da planta será ampliada?
Mundim: A média de teor do open bit está entre .28 e .30 de níquel, enquanto a do underground é .50. Então, com o mesmo esforço de lavra, faremos a alimentação da planta com um minério 60% mais rico. Em consequência, com o mesmo consumo de energia, equipamentos e insumos, aumentaremos a produtividade final da planta em função da maior recuperação de minério, com o mesmo custo atual, o que é o grande atrativo econômico desse projeto.
ITM: Será necessário construir uma nova barragem dada a maior geração de rejeitos decorrente desse aumento de produção?
Mundim: Nossa barragem atual comporta cerca de oito anos da operação underground. Para o período posterior, estamos concluindo a revisão do EIA-RIMA (Estudo e Relatório de Impacto Ambiental) para requerer o licenciamento de uma segunda barragem em agosto de 2027. É importante destacar que nossa barragem atual já se enquadrava em todos os padrões de exigência mais rigorosos estabelecidos após os incidentes ocorridos com estruturas desse tipo em Minas Gerais. A barragem de Santa Rita também não foi construída a montante e tem passado por todas as inspeções realizadas pela ANM (Agência Nacional de Mineração), com indicadores positivos acima da média. Tivemos ainda um downgrade da escala de risco, saindo de 20 para 17 pontos, o que a coloca na categoria de Baixo Risco, segundo a classificação da agência. Os mesmos padrões serão seguidos na nova barragem.
ITM: Por que a lavra do minério será realizada pelo método sublevel caving? Quais serão os equipamentos utilizados?
Mundim: O sublevel caving foi um método, entre tantos avaliados nos estudos de trade-off pela nossa engenharia, indicado como o mais eficaz para o projeto, em termos de menor impacto ambiental e custos e de maior segurança operacional. Com relação aos equipamentos, a definição depende do Estudo de Viabilidade, mas certamente serão equipamentos tradicionais, inclusive com transporte por caminhões, numa primeira fase. Posteriormente, o minério passará a ser levado para a superfície por correias transportadoras, o que reduzirá o consumo de diesel e as emissões de carbono. Em relação à frota de lavra e carregamento, já temos um projeto piloto com equipamentos híbridos diesel-elétricos rodando na mina a céu aberto.
ITM: Como será a transição da mina a céu aberto para a subterrânea?
Mundim: Podemos operar normalmente as duas minas sem maiores interferências em nenhuma delas. Na medida em que se aproximar o período de exaustão da lavra open pit, passaremos a fazer um mix desse minério com o minério underground, sem interromper a operação.
ITM: A operação da nova mina será feita pela própria Atlantic Nickel? Haverá algum ajuste das equipes do open pit após sua exaustão?
Mundim: Inicialmente faremos a operação underground através de uma empresa terceirizada, possivelmente internacional, que associe sua expertise a uma empresa brasileira. Na segunda fase do projeto, devemos assumir a operação realizando a transição da mão de obra até então empregada na mina open pit para o novo modelo. Projetamos o aproveitamento de cerca de 90% de nossa mão de obra atual, com uma fricção de 10% de pessoas que não vão querer continuar na mineradora ou trabalhar em subsolo, por exemplo. Hoje temos 540 funcionários próprios e cerca de 2.500 terceirizados, somando mais de 3 mil funcionários. Desse total, 80% é do estado da Bahia e 75% do entorno da mina. Com a mina subterrânea devemos saltar para a casa de 3.500 a 4 mil pessoas, sendo que as equipes permanecerão as mesmas na planta de beneficiamento e nas áreas de ESG (Ambiental, Social e de Governança), Recursos Humanos, administrativas e outras.
ITM: Quais são os principais investimentos em programas ambientais e sociais na região?
Mundim: Em termos ambientais temos investimentos em recuperação de áreas e em projetos de reflorestamento, contando com um viveiro próprio que produz cerca de 120 mil mudas por ano. Na área social, o maior foco está nos programas de desenvolvimento da população local. Como o Projeto Cacau, em que fornecemos mudas, cedemos uma área dentro da mina e capacitamos agricultores, fortalecendo a cultura existente na região para o cultivo e beneficiamento do cacau Temos o projeto de educação STEM, de preparação de multiplicadores de Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática, que são os professores da rede escolar pública de Ipiaú e Itagibá. E também programas de desenvolvimento de fornecedores locais. Um exemplo de sucesso é o de um rapaz que possuía um food truck e ficou sem serviço quando a mina foi paralisada. Ele foi chamado para fornecer as refeições quando retomamos a operação e hoje nos atende com 2.500 refeições industriais, estando capacitado para trabalhar em qualquer mina, inclusive disputando com grandes multinacionais de Catering.
ITM: O senhor foi CFO da Appian no Brasil de 2018 a 2025 e, antes, entre 2014 e 2018, da própria Mirabela Nickel. Sabe-se as dificuldades financeiras enfrentadas para a implantação e operação da mina Santa Rita. Qual a sua receita de sucesso?
Mundim: A reestruturação financeira da Atlantic Nickel, que aconteceu entre os anos de 2015 e 2017, sem dúvida foi um dos projetos profissionais mais desafiadores da minha carreira. Foi uma combinação de fatores. O mercado de níquel entrou em crise por causa da superoferta da Indonésia e, ao mesmo tempo, a empresa tinha problemas operacionais e de alto endividamento. Foi preciso mudar o modelo operacional para que os custos fossem mais baixos, reestruturar as dívidas fazendo uma conversão em capital (equity) e mudar todos os contratos de fornecimento e venda, de forma a tornar a empresa economicamente sustentável de novo. Esse processo, ainda que tenha levado a alguma fricção com a comunidade e os stakeholders, acabou sedimentando as bases para o sucesso atual da empresa que hoje, por vocação, funciona com uma disciplina de controle de custos muito rígida. Por isso, mesmo sendo uma mina de baixo teor, ela está entre as mais competitivas do mundo.

Perfil:
Nasceu em: 29/11/1968
Mora em: Belo Horizonte (MG)
Formação acadêmica: Economista pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e mestre em Finanças pela Arizona State University (EUA)
Trajetória profissional: Mais de 30 anos em project e corporate finance, com passagens por investment banking (Deutsche Bank e IFC/Banco Mundial), setor de energia (Enron e Engie), mineradoras como a Vale e a Kinross e private equity em fundos como a Patria Investimentos e a Appian Capital Brazil. Nesta última, fui CFO entre 2018 e abril de 2025 e, desde então, ocupo o cargo de Country Manager
Família: Casado, um filho
Um time de futebol: Atlético Mineiro
Um hobby: Tênis
Um mestre ou ídolo: Paul McCartney
Maior decepção: Nenhuma que seja digna de nota. Sou resiliente
Maior realização: Completar o mestrado no top 1% da turma
Um projeto: Trabalhar com mentoring de jovens pro-bono para promover talentos com poucas oportunidades
Um “conselho” a jovens economistas: Muito estudo e muito trabalho. E nas horas vagas, mais estudo e mais trabalho!
