O Projeto Morro do Ferro, em Poços de Caldas (MG), está sendo desenvolvido pela Mineração Terras Raras (MTR), uma sociedade anônima brasileira de capital fechado, 100% nacional, focada exclusivamente nessa atividade. A área foi explorada para urânio, tório e terras raras entre 1956 e 1981 e adquirida pela MTR para a extração de terras raras em 2012. O projeto possui 3,55 Mt em recursos estimados, com cerca de 138.500 t de TREO (óxidos de terras raras totais) contidos, o que lhe coloca entre os dez projetos com maior tero no mundo.
Em fase de estudos de viabilidade econômica, a futura mina produzirá um concentrado de óxidos de terras raras misto (MREC), obtido por rota hidrometalúrgica. Em razão do alto teor, a mina terá operação simples, a céu aberto, sem uso de explosivos e de pequeno porte, explica o diretor da MTR, Elmer Prata Salomão. O projeto vem sendo conduzido com recursos próprios dos sócios, mas já evoluiu nas negociações com a Power Minerals que, em 13 de abril, anunciou estar próxima de concluir a aquisição do ativo através da assinatura de um acordo vinculativo.

A empresa australiana realizou uma due diligence que confirmou o potencial de recursos e as características favoráveis ao desenvolvimento do depósito. Segundo o diretor geral Mena Habib, “com a bem-sucedida conclusão de nossa due diligence corporativa, financeira e técnica em Morro do Ferro, temos o prazer de anunciar que prosseguiremos com o acordo definitivo para concluir a aquisição do projeto. Os dados de exploração reunidos demonstram grande potencial de recursos minerais, com oportunidades significativas de expansão, incluindo condições topográficas favoráveis a seu futuro desenvolvimento”.
Mercado
Salomão diz que, até o momento, o planejamento do projeto prevê a produção de 6 mtpa de uma cesta mista de óxidos de terras raras com boa concentração de terras raras magnéticas, sendo que os elementos neodímio, praseodímio, disprósio e térbio representam cerca de 90% do valor da cesta. A possibilidade de verticalização para a produção de óxidos separados não está descartada, mas a produção de um concentrado é a alternativa mais adequada no momento para a empresa. “As etapas seguintes da cadeia produtiva (separação de óxidos e fabricação de metais, ligas e imãs) demandam tecnologia refinada e cara, com processos químicos e metalúrgicos sofisticados, fortemente dominados pela China. Ademais, o primeiro e indispensável passo para evoluir na cadeia produtiva é a garantia de suprimento da matéria prima”, justifica o diretor.
Ainda assim, a MTR habilitou-se na chamada pública do BNDES-FINEP (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social-Financiadora de Estudos e Projetos), que selecionou planos de negócio para investimentos na transformação de minerais estratégicos para a transição energética e descarbonização. No caso, a proposta aprovada consistiu da construção de uma planta piloto, mas, no estágio atual, diz Salomão, a empresa não consegue cumprir as exigências de edital, especialmente quanto à apresentação das garantias necessárias à obtenção do financiamento.
Em termos de cotação, o preço do MREC (concentrado misto de terras raras) é bastante variável, sendo determinado pelo balanço dos diversos óxidos presentes, que têm mostrado significativa volatilidade nos últimos anos. De modo geral, explica Salomão, a cesta mista de óxidos é negociada a preços entre 60% e 80% do valor dos óxidos mais importantes nela contidos (neodímio, praseodímio, disprósio e térbio). Atualmente, há franca demanda para offtakes das cestas mistas de óxidos e as perspectivas de longo prazo permanecem robustas uma vez que a transição energética, a indústria bélica e a eletrônica de consumo continuam ampliando a necessidade de terras raras. “Os riscos da dependência do Ocidente ao fornecimento chinês têm determinado ações vigorosas dos EUA e Europa, no sentido de desenvolver fornecedores fora da China. Essa disputa geopolítica representa uma janela estratégica importante para acelerar os projetos brasileiros como o Morro do Ferro”, conclui o diretor.

Aquisição
Poucos dias após a concessão da entrevista de Salomão à revista In the Mine, a “janela estratégica” de que ele falava surgiu: o interesse da Power Minerals na aquisição de Morro do Ferro. Recuperando o histórico dos resultados de perfurações realizados no projeto, a empresa informa ter confirmado a presença de mineralização em larga escala e de alto teor, enriquecida em elementos de terras raras magnéticos, no depósito
A potencial aquisição, diz o comunicado, apoia a estratégia da Power Minerals de aumentar sua exposição a minerais críticos, particularmente elementos de terras raras de alto valor utilizados na eletrificação e na manufatura avançada.
Em vez de visar todo o conjunto de terras raras, a empresa está focada em elementos magnéticos como o NdPr (neodímio-praseodímio), insumos essenciais para ímãs permanentes usados em veículos elétricos, turbinas eólicas e tecnologias de defesa.
Habib lembra, ainda, que as perfurações históricas realizadas no projeto testaram apenas parte do depósito principal, o que permitirá sua expansão ao longo da direção e em profundidade. Formalizado o acordo vinculativo de compra com a MTR, as próximas etapas, já a cargo da Power Minerals, devem incluir perfurações RC (Circulação Reversa) e diamantadas mais profundas em toda a jazida principal, juntamente com perfurações a ar comprimido para testar alvos satélites em áreas em grande parte inexploradas.
Foto em destaque: Trabalhos de exploração mineral realizados em 2014 -MTR/Divulgação
