O Projeto Colina é um depósito de espodumênio em rocha dura (hard rock), localizado a 10 km da cidade de Salinas, em Minas Gerais, integralmente detido pelo PLS Group (ex-Pilbara Minerals) desde fevereiro de 2025, após a aquisição da Latin Resources, que descobriu e desenvolveu o ativo. Segundo Leandro Gobbo, vice-presidente da PLS Brasil Mineração, o projeto encontra-se em fase de Estudo de Viabilidade (Feasibility Study), com conclusão prevista para o quarto trimestre de 2027. Estão em andamento campanhas adicionais de sondagem, programas de testes metalúrgicos, estudos de engenharia, infraestrutura e avaliações ambientais e sociais.

O principal produto a ser gerado é o concentrado de espodumênio, com potencial evolução para a produção de um produto intermediário de maior valor agregado (midstream), com alto teor de lítio, destinado ao processamento químico para aplicação em baterias e outras tecnologias ligadas à transição energética. “A verticalização da produção, com a incorporação de etapas de midstream e, potencialmente, downstream, é um objetivo estratégico de longo prazo, alinhado ao papel do lítio na cadeia de valor da transição energética”, justifica Gobbo.
A companhia pretende incorporar ao Projeto Colina a expertise técnica desenvolvida em sua operação de classe mundial em Pilgangoora, na Austrália, incluindo tecnologias avançadas de processamento mineral, como flotação e otimização da recuperação metalúrgica. De toda forma, acrescenta o vice-presidente, a definição da configuração final do processo de refino considerará fatores técnicos, econômicos, logísticos e regulatórios, bem como as oportunidades de maximização de valor agregado local, estando sujeita à aprovação do Conselho de Administração da empresa no momento oportuno.
Mesmo tendo a verticalização como uma estratégia de longo prazo, a PLS foi classificada, ainda como Belo Lithium Mineração, antiga subsidiária da Latin Resources, na chamada pública BNDES-FINEP (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social-Financiadora de Estudos e Projetos), que selecionou planos de negócio para investimentos na transformação de minerais estratégicos para a transição energética e descarbonização. Além do BNDES, a empresa tem mantido um diálogo contínuo com instituições financeiras e agências de desenvolvimento visando avaliar alternativas de financiamento para a verticalização de sua produção.
“A análise sobre financiamento encontra-se em andamento e considera tanto os instrumentos disponíveis no Brasil, quanto linhas internacionais às quais a companhia já possui acesso em função de seu posicionamento global. Essas iniciativas integram um processo mais amplo de avaliação de viabilidade econômica e tecnológica para projetos de maior valor agregado, sempre alinhado às condições de mercado e ao ambiente regulatório”, considera o executivo.
Gobbo avalia que o mercado de lítio segue sustentado por uma demanda estrutural forte. Como exemplos, ele destaca que, globalmente, os investimentos em energia atingiram cerca de US$ 3,3 trilhões, sendo aproximadamente US$ 2,2 trilhões (67%) direcionados à energia limpa, o que reforça o papel central dos minerais críticos nessa transição.
No caso específico do lítio, a demanda continua impulsionada principalmente pela expansão dos veículos elétricos e dos sistemas de armazenamento de energia. “Embora os preços apresentem volatilidade no curto prazo, característica típica de commodities em fase de ajuste, os fundamentos permanecem sólidos, com crescimento consistente da demanda global.
Esse cenário indica a necessidade de novos projetos e reforça o posicionamento estratégico do lítio como insumo essencial para a descarbonização da economia”, acredita Gobbo.
Configurações
As principais etapas de beneficiamento do minério compreendem a lavra, britagem, moagem e concentração do espodumênio. Em uma fase posterior, outras etapas de processamento, como a flotação e a calcinação elétrica, poderão ser implantadas, não apenas com o objetivo de melhorar a recuperação do minério como, inclusive, viabilizar a produção de insumos intermediários para a cadeia de valor do lítio.
A definição final da escala do projeto, da vida útil da mina (Life of Mine – LoM), bem como da implementação da etapa de midstream, dependerá dos resultados do Estudo de Viabilidade e será objeto de aprovação pelo Conselho da companhia.
Conforme EIA-RIMA (Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Ambiental) apresentados ao órgão ambiental de Minas Gerais, para a obtenção da Licença Prévia (LP) e de Instalação (LI) do projeto, concedidas em fevereiro de 2025, a futura mina será operada a partir de uma cava a céu aberto, com produção ROM de 3,6 Mtpa, Unidade de Tratamento de Minério – UTM, com capacidade para processar 1,5 Mtpa, pilha de rejeito/estéril em área de 240.867 hectares e disposição de estéril ou rejeito em cava, com capacidade de 15 Mm³.
Para o beneficiamento, com base nas características do minério, foi definido o método de britagem a seco e de separação do minério a úmido. As etapas de processo incluem britagem em quatro estágios (primária, secundária, terciária e quaternária), peneiramento, jigagem, separação magnética, centrifugação, sedimentação e filtragem.
A planta concentradora a úmido consiste em cinco principais processos: classificação por tamanho, circuito de separação em meio denso (DMS), circuito espiral, filtração e espessamento. A partir da classificação serão obtidas três frações para alimentação da DMS grossa (12,5 mm a +3,35 mm), DMS fina (-3,35 mm a +0,6 mm) e circuito espiral (-0,6 mm). O sistema de separação em meio denso (DMS) irá separar o espodumênio de densidade mais alta dos minerais de ganga, de densidade mais baixa, para produzir um concentrado de espodumênio (SC) enriquecido em óxido de lítio (Li2O).
O circuito DMS será constituído por transportadores, hidrociclones, peneiras, separadores magnéticos, bobinas desmagnetizadoras, corretores, britador de rolos, direcionadores de fluxos e bombas. A fração fina (-0,6 mm) será deslamada pelos hidrociclones e separada em duas frações de tamanho, uma para alimentação de espiral grossa e outra para alimentação de espiral fina. As frações de alimentação da espiral serão processadas por três estágios de concentradores de espirais para produzir um concentrado de grau intermediário (~3% Li2O).
A fração de lama será direcionada para o espessador, enquanto as de concentrado de espiral e de rejeitos seguirão para o circuito de filtragem, onde serão desaguadas por meio de hidrociclones e correias de filtro a vácuo. As lamas do processo serão removidas por meio do overflow de hidrociclones, direcionados para o distribuidor de alimentação do espessador e, em seguida, para um espessador de lamas. Serão adicionadas doses de floculante e coagulante para promover a aglomeração das partículas finas, aumentando sua capacidade de sedimentação. A medida resultará em um underflow de maior densidade que será alimentado em um filtro-prensa de pressão. O overflow do espessador, com baixo teor de sólidos, será transferido por gravidade para um tanque de água para ser reutilizado no processo. O rejeito desaguado oriundo do filtro-prensa terá aproximadamente 20% de água e será encaminhado junto aos rejeitos de espiral para a pilha e disposição final. A planta foi projetada para não gerar efluentes líquidos, permitindo sua recuperação e reciclagem no circuito.
Para a disposição de rejeito e estéril haverá duas pilhas distintas – PDE e rejeitos da UTM (PDR). Além da PDE, 0,52% do estéril a ser armazenado será destinado para o preenchimento de uma parte da cava, totalizando cerca de 1,8 Mt de material a partir de 2035, quando se dará a exaustão da área.

Parte da equipe da PLS no evento LIthium Business, em MG

