Por Luciano Alves, CEO da Companhia Brasileira de Alumínio (CBA)
O mercado global de alumínio vive uma fase de transformação especialmente promissora, impulsionada pela transição energética e pelo avanço das agendas de descarbonização. Esse movimento eleva o patamar de competitividade, eficiência e inovação do setor e abre uma janela inédita de oportunidades para países e empresas que desejam participar e liderar essa nova etapa. Nesse futuro dinâmico e cheio de potencial, o alumínio ocupa uma posição cada vez mais estratégica em soluções sustentáveis e no crescimento da economia global.
E o Brasil parte de uma posição particularmente favorável por sua abundância de recursos naturais, matriz energética majoritariamente renovável, grandes reservas de bauxita, indústria consolidada, mercado consumidor relevante e uma localização geopolítica distante de zonas de conflito. Com políticas públicas que reforcem essas vantagens comparativas, o país tem plenas condições de ocupar um papel central na produção de alumínio para uma economia mais sustentável, aproveitando o potencial de crescimento.
De acordo com o CRU Group, consultoria especializada na análise para os mercados globais de mineração, metais e fertilizantes, a demanda mundial por alumínio irá crescer 1,7% nos próximos 5 anos, impulsionada por frentes que devem se expandir rapidamente: energia solar e eólica, veículos elétricos, que utilizam cerca de 40% mais alumínio do que os modelos a combustão, redes de transmissão e outras aplicações ligadas à transição energética.
Posição privilegiada
A CBA vem avançando de forma consistente para atender a um mercado cada vez mais atento às novas demandas, com progressos relevantes em ESG, inovação e digitalização. Em novembro, a companhia atualizou seu Plano Estratégico e reforçou metas até 2030, apoiadas em pilares robustos: integração vertical com participação em todas as etapas da cadeia, matriz energética renovável e diversificada, produção de baixo carbono, flexibilidade industrial, disciplina financeira, inovação e sustentabilidade. Essas frentes fortalecem a competitividade da empresa tanto na curva global de custos quanto na de emissões, preparando-a para capturar as oportunidades.
No alumínio primário, por exemplo, a estratégia privilegia itens de maior valor agregado, garantindo margens saudáveis e maior resiliência. Em transformados, o foco segue em produtos de alta rentabilidade. Já na reciclagem, a companhia amplia sua atuação para aproveitar o crescimento do alumínio reciclado.
A autossuficiência energética permanece como diferencial. O portfólio renovável, inclui 21 usinas hidrelétricas e dois parques eólicos, totalizando 1,6 GW de capacidade. Em 2025, essa base foi fortalecida com dois acordos de autoprodução de energia eólica, acrescentando 115 MW à matriz energética da empresa, um deles com fornecimento antecipado ainda para 2025, e o outro previsto para 2027. Com esse incremento, a CBA assegura previsibilidade e segurança ao abastecimento da fábrica de Alumínio (SP), além de atender uma de suas metas ESG que é a diversificação da matriz energética.
O uso de fontes de energia renovável é um importante fator que faz da CBA referência em alumínio de baixo carbono, com emissões cerca de quatro vezes menores que a média global. Desde 2019, a empresa reduziu 33% de suas emissões e mantém a meta de chegar a 40% até 2030. Projetos estruturantes, como a substituição de combustíveis fósseis por biomassa na Refinaria de Alumina, a modernização tecnológica nas Salas de Fornos e investimentos robustos em reciclagem reforçam esse caminho. Só em 2024, o uso de 243 mil toneladas de sucata evitou a emissão de 800 mil tCO₂e.
A CBA segue, portanto, fortalecendo sua competitividade e se preparando para transformar as dinâmicas globais em crescimento sustentável, inovação e liderança porque não há dúvidas que o alumínio tende a ocupar um espaço ainda mais decisivo na economia global de baixo carbono.
