O preço do neodímio e dos ímãs de alta performance não reflete o impacto real que esses materiais têm sobre a indústria moderna, onde seguem tratados como custo marginal. “O mercado olha para o preço unitário do ímã e ignora seu custo sistêmico. Quando o produto falta, o impacto não aparece na planilha de compras, mas sim na paralisação da produção, que implica em custos muito maiores que os de aquisição do insumo”, explica Rodolfo Midea, especialista em importação de imãs de neodímio.
Citando dados do USGS (serviço geológico dos Estados Unidos), ele diz que o mercado global de terras raras movimenta valores entre US$ 10 e 15 bilhões por ano, contra mais de US$ 300 bilhões/ano de setores como o de automação industrial e mais de US$ 3 trilhões/ano do automotivo, altamente dependentes do produto.
A concentração da oferta de terras raras e de imãs de neodímio na China – 60% e 90% da produção mundial, respectivamente -, só aumenta a fragilidade dessa cadeia produtiva. Para Midea, é preciso que a discussão sobre terras raras passe a incorporar o chamado conceito de custo econômico ampliado, abrangendo os impactos da interrupção produtiva, da perda de contratos e da quebra de previsibilidade.
