Por Valdir Silveira, diretor-presidente interino do Serviço Geológico do Brasil
O ano de 2025 consolidou a centralidade dos recursos minerais no tabuleiro geopolítico global. Esse movimento destacou o que o Serviço Geológico do Brasil (SGB) defende há 56 anos: os minerais críticos e estratégicos são pilares para a soberania nacional e para o protagonismo internacional de uma nação.
Impulsionadas pelas relações entre China, Estados Unidos e União Europeia, as discussões sobre terras raras e outros minerais essenciais para as tecnologias verdes saíram dos círculos especializados e ingressaram no debate público. Quem não conhecia, passou a ouvir falar; quem já tinha alguma noção, aprofundou seu entendimento.
Neste contexto, o Brasil emerge com um papel de destaque no ocidente. Nossa excepcional geodiversidade, com ambientes geológicos propícios à descoberta de novos depósitos, nos coloca em uma posição estratégica para atender à demanda global por minérios que viabilizam a transição energética. Somamos a isso um ambiente regulatório robusto, segurança jurídica e uma democracia consolidada, fatores que criam um cenário seguro e atrativo para investimentos.
Ganhou força, portanto, o debate sobre o potencial mineral do país e a necessidade urgente de investir em conhecimento geológico. Foi amplamente comentado que menos de 30% do território nacional possui mapeamento na escala 1:100.000, considerada o mínimo ideal para uma avaliação preliminar do potencial mineral.
Para reverter esse quadro, é fundamental fortalecer o SGB, instituição do Estado brasileiro responsável pelo mapeamento geológico do país. Suas atividades prioritárias – o mapeamento geológico e os levantamentos geofísicos e geoquímicos – formam uma tríade indispensável, que consolida a base de conhecimento geocientífico, reduz os riscos da exploração mineral e atrai investimentos, orientando tanto políticas públicas quanto decisões do setor privado.
Apesar de restrições orçamentárias, 2025 foi um ano de conquistas significativas: retomamos os eficientes levantamentos aerogeofísicos, demos início ao Plano Decenal de Mapeamento Geológico Básico (PlanGeo 2025-2034) e estruturamos o Plano Decenal de Pesquisa de Recursos Minerais (PlanGeo 2026-2035). Esses instrumentos, alinhados às diretrizes do Ministério de Minas e Energia (MME), permitem um planejamento de longo prazo.
Outro marco foi o início das obras do Centro Científico e Cultural da Urca, no Rio de Janeiro, que abrigará o Centro de Referência em Geociências (CRG). Com laboratórios de ponta, o centro potencializará nossa atuação e consolidará o SGB como uma Instituição de Ciência e Tecnologia estratégica para o país.
Contudo, os desafios persistem. Nosso corpo técnico, altamente qualificado com mestres e doutores, é numericamente insuficiente para a dimensão continental do Brasil. Com pouco mais de 250 geólogos e geofísicos dedicados à pesquisa geológica, levaremos décadas para completar o mapeamento necessário.
Em um escopo mais amplo, a instalação do Conselho Nacional de Política Mineral (CNPM), presidido pelo MME, representou um grande avanço. O conselho, que reúne 17 ministérios, o SGB e representantes de diversos setores, debaterá temas como minerais críticos, mineração sustentável e segurança energética – áreas em que o SGB possui total aderência e expertise.
O Brasil reúne condições únicas para se consolidar como um grande produtor de bens minerais do ocidente: potencial geológico, capacidade técnica e um ambiente político-regulatório favorável para toda a cadeia produtiva, da extração ao desenvolvimento de tecnologias e da indústria.
Neste cenário promissor, o Serviço Geológico do Brasil está pronto para contribuir decisivamente, transformando o potencial mineral brasileiro em oportunidades concretas de desenvolvimento sustentável, inovação e soberania. E 2026 será um ano decisivo para consolidarmos esse caminho.
