Por Sérgio Mileipe, diretor de Operações da Samarco
O ano de 2025 marca um ponto importante na trajetória da Samarco. Em dezembro estamos completando cinco anos de retomada gradual de nossas operações, orientada por inovação, mais segurança e sustentabilidade. Trata-se de um ciclo em que a mineração vem sendo repensada a partir de lições aprendidas, novas tecnologias e compromissos que se estendem para além das rotinas industriais.
Neste ciclo, vivenciamos o primeiro ano do Novo Acordo do Rio Doce, homologado pelo Supremo Tribunal Federal em novembro de 2024. O acordo redefine as ações de reparação e fortalece o compromisso da Samarco com as comunidades impactadas. Em 2025 destinamos R$ 30,4 bilhões à reparação, sendo R$ 19,5 bilhões em ações diretas e R$ 10,9 bilhões em repasses ao poder público. Somados aos valores executados pela extinta Fundação Renova, alcançamos R$ 68,4 bilhões aplicados na reparação, no pagamento de indenizações e auxílios financeiros, reassentamentos e recuperação socioambiental e econômica ao longo da bacia do Rio Doce.
Para a retomada das operações adotamos um novo modelo de disposição de rejeitos, sem uso de barragens. Os rejeitos arenosos, 80% do total, são filtrados e empilhados a seco. Os ultrafinos, cerca de 20% do volume, são destinados à cava Alegria Sul, uma estrutura rochosa confinada. Além disso, avançamos na descaracterização das estruturas alteadas a montante: as obras na cava do Germano foram concluídas em 2023 e as da barragem do Germano têm previsão de término em 2026, antes do prazo acordado.
Paralelamente, em 2025 consolidamos iniciativas que reforçam nossa visão de futuro. Redução de emissões, eficiência energética, economia circular e mitigação de riscos climáticos são elementos incorporados à nossa estratégia operacional. Destaca-se a utilização do coproduto do mármore produzido pelo polo capixaba de rochas ornamentais. Ele substitui parcialmente o calcário na pelotização do minério, ampliando a circularidade da economia e reduzindo as emissões de carbono, ao mesmo tempo em que contribui para a destinação desses rejeitos.
Os resultados operacionais refletem todo esse avanço. Entre dezembro de 2020 e outubro de 2025, produzimos 47,81 Mt de pelotas e finos, com 470 navios embarcados no Porto de Ubu, em Anchieta (ES), o que evidencia nossa relevância no mercado internacional de minério de ferro. E em outubro, atingimos, ainda, o marco de 500 Mt embarcadas desde a inauguração da Samarco, há 48 anos.
Atualmente, operamos com cerca de 60% da capacidade produtiva instalada e estamos prontos para avançar. Em novembro de 2025 aprovamos o “Momento 3” – última etapa da retomada gradual. Com investimento de R$ 13,8 bilhões – um dos maiores do setor privado no país, devemos alcançar 100% de nossa capacidade instalada até 2028 no Complexo de Germano (MG) e até 2029 no Complexo de Ubu (ES), produzindo entre 26 e 27 Mtpa de pelotas e finos. O projeto contempla a reativação das usinas de pelotização 1 e 2, a modernização do Concentrador 1 e novas áreas de filtragem, além da revitalização de ativos.
Esse novo ciclo também impulsionará o desenvolvimento socioeconômico regional, com a geração de cerca de 12.900 empregos diretos e contratados em Minas Gerais e no Espírito Santo nos próximos anos, priorizando a contratação de profissionais locais e grupos minorizados. Atualmente, contamos com cerca mais de 20.500 empregados diretos e contratados nos dois estados.
A conclusão da retomada gradual, mais do que um projeto para alcançar 100% da capacidade produtiva, é a consolidação de uma operação que integra segurança, governança robusta, inovação de processos, compromisso com a função social, eficiência operacional e sustentabilidade de longo prazo. Conscientes dos compromissos assumidos e dos desafios, reafirmamos nosso propósito: ser uma mineradora moderna, alinhada às melhores práticas e capaz de transformar desafios em valor para a sociedade, para o ambiente e futuras gerações.
