Com o emprego de apenas três guindastes e de duas pranchas acopladas a dois cavalos mecânicos, a Montcalm Montagens Industriais, de São Paulo (SP), realizou o planejamento, transporte, içamento e montagem eletromecânica dos componentes de uma britagem primária em uma produtora de minério de ferro de Minas Gerais, entre janeiro e setembro de 2025. O escopo do contrato abrangeu a peneira vibratória, a casa de transferência, a estrutura metálica dos eixos longitudinais 1 e 2 e 3 e 4 das filas transversais B e G da planta e a estrutura metálica de proteção para passagem de veículos.

No caso da peneira vibratória, o trabalho executado foi o de remoção técnica, com a desmontagem do equipamento no ponto de origem, transporte por um trajeto de 11 km e içamento e montagem na nova planta de britagem. O componente de maior peso foi a estrutura metálica dos eixos 1 e 2 das filas B e G da britagem, com 85 t (veja Tabela 01). No entanto, a operação com maior grau de dificuldade foi a de transporte da estrutura de proteção para passagem de veículos, cujas dimensões irregulares de 7 m de largura e 15 m de comprimento exigiram um estudo minucioso para a definição dos modos de travamento da peça e de um equipamento de transporte adequado, além de superar restrições no trajeto e impeditivos como o espaço físico insuficiente para seu descarregamento, pelos guindastes, no local de montagem, abaixo da correia transportadora.

Caso a caso
Embora com o menor peso (15 t) entre os componentes da britagem, mas com largura que excedia em um metro cada uma das laterais da prancha acoplada a um cavalo mecânico 6×4 onde foi carregada, a peneira vibratória enfrentou dificuldades para atravessar um percurso com cerca de 11 km de extensão no interior da mina, após sua desmontagem no local original de instalação.
Em função do tráfego intenso de caminhões off road na via e da passagem por uma pilha de minério, a Montcalm alinhou com os supervisores da mineradora a execução do translado durante o intervalo de troca de turno dos operadores dos caminhões, reduzindo riscos operacionais e, ao mesmo tempo, minimizando impactos na produção da mina. Foi autorizada, ainda, a abertura de uma leira na pilha de minério, viabilizando a passagem segura da carreta.
A área de descarregamento limitada também foi um obstáculo, tanto que a lança do guindaste LTR 1100 (capacidade de 100 t) Liebherr, sobre esteiras, realizou o içamento da peneira a uma altura acima da correia transportadora existente no local, executando seu posicionamento final no interior da planta através de um vão lateral do prédio, sem necessidade de remoção de sua cobertura.
| Britagem Primária | ||||
| Içamento e Montagem | ||||
| Componente | Peso | Altura de Içamento | Execução | |
| Casa de Transferência | 32 t | 26,40 m | 1 dia | |
| Estrutura metálica dos eixos 1 e 2 das filas B e G | 85 t | 22,60 m (carga negativa de 15 m) | 1 dia | |
| Estrutura metálica dos eixos 3 e 4 das filas B e G | 62 t | 36,10 m (carga negativa de 15 m) | 1 dia | |
| Remoção Técnica | ||||
| Peneira Vibratória | 15 t | 19 m | 2 dias | |
| Transporte, Içamento e Montagem | ||||
| Componente | Peso | Operação | Execução | |
| Estrutura metálica de proteção para passagem de veículos | 32 t | Transporte: 4 km (Ouro Preto/Mariana)
Içamento: a 27,40 m de altura |
8 dias | |
Tabela 01: Componentes da britagem primária, com especificações de peso, altura de içamento, distância de transporte e prazo de execução dos serviços contratados
Fonte: Montcalm Montagens Industriais

O içamento e posicionamento final da casa de transferência da britagem foram realizados com o mesmo guindaste LTR 1100, com apoio do LTM 1250 (250 t), sobre pneus, também Liebherr. O uso do modelo de menor porte como equipamento principal da operação solucionou o problema de limitação física da área para patolamento da máquina. A verticalização da carga, também com restrições de espaço, foi feita em um pátio próximo ao local definitivo da montagem, para onde o LTR 1100 se deslocou com a carga içada, recebendo apoio do LTM 1250 para sua verticalização e realizando o posicionamento final do componente. Para mitigar os riscos associados ao desnível e ao acúmulo de água no trecho, foram instaladas chapas metálicas que asseguraram maior estabilidade para a movimentação das esteiras do guindaste.
Já para o içamento das estruturas metálicas dos eixos longitudinais 1 e 2 e 3 e 4 das filas transversais B e G da planta, foram necessários dois guindastes sobre pneus de 250 t – LTM 1250 (Liebherr) e SAC2500S (Sany) -, com apoio do LTR 1100. A Montcalm desenvolveu um estudo de viabilidade para otimizar o espaço físico, que impedia a aproximação da peça do local de pré-montagem para o ponto de pega da montagem final. A carga negativa de 15 m exigia içar a peça sobre uma estrutura existente baixando-a para um nível inferior ao da patola do guindaste, o que aumentava a complexidade e os riscos do trabalho. A Montcalm, então, fez uma simulação do içamento em 3D, além de um levantamento topográfico da área, que auxiliaram no estudo dos raios da operação, mitigando os riscos associados ao nível inferior da patola. O atraso na liberação das bases civis foi resolvido com a pré-montagem das estruturas, reduzindo o prazo final definido para o projeto.
O transporte da estrutura metálica de proteção para passagem de veículos foi feito por uma carreta de três eixos extensível (26 m), configuração mais adequada às dimensões irregulares da peça (7 m de largura x 15 m de comprimento). Para o carregamento foi usado o guindaste LTM 1250. O trajeto de 4 km entre a origem, onde a peça foi pré-montada, e o destino da carga também precisou ser adequado, com a remoção de leiras e abertura de acessos com o emprego de uma retroescavadeira, além do uso de uma via off road. O plano de descarregamento e içamento obedeceu a uma sequência operacional específica, dada a limitação do espaço físico local: patolamento inicial do guindaste LTM 1250 para posicionamento da carreta entre os dormentes; utilização do guindaste SAC2500S para içar a peça e apoiá-la sobre os dormentes; o despatolamento do LTM 1250 para retirada da carreta; seguido de um novo patolamento para execução do içamento final juntamente com o SAC2500S.

Para atender ao contrato, a Montcalm mobilizou uma equipe própria com um engenheiro mecânico, um supervisor de Obras; um técnico e um encarregado mecânicos, um encarregado de movimentação de cargas, oito mecânicos montadores, quatro riggers, dois operadores de guindaste, um motorista de carreta, dois motoristas batedores, um técnico de segurança e um operador de retroescavadeira. Os planos de rigging para os içamentos foram elaborados pela área de rigging da empresa, cuja equipe possui experiência profissional de 13 anos na concepção desses estudos. A equipe de engenharia, por sua vez, composta de engenheiros Civil, Mecânico e de Produção, realizou a avaliação preliminar das locadoras subcontratadas, visando assegurar a qualidade dos equipamentos e a qualificação dos profissionais de operação.

Foto em destaque: Instalação dos eixos longitudinais 3 e 4, içados a 36,10 m de altura
Fotos: Montcalm/Divulgação
