A Ferroport, responsável pelo terminal de minério de ferro do Porto do Açu, em São João da Barra (RJ), registrou em 2024 seu maior volume de exportação desde seu primeiro embarque, em outubro de 2014, atingindo 25 milhões de toneladas movimentadas. A companhia é uma joint venture entre a Anglo American e a Prumo Logística e atua como elo logístico da produção de minério de ferro vinda de Conceição do Mato Dentro (MG) por meio de um mineroduto de 529 km de extensão.
Com uma operação ininterrupta, equipamentos automatizados e equipe especializada, o terminal alcança um alto padrão de eficiência e segurança. A estrutura instalada no Terminal 1 opera 24 horas por dia, sete dias por semana, com capacidade para estocar até 1,6 milhão toneladas e embarcar 10 mil toneladas por hora. Em 2024, foram embarcados 148 navios — 17 em um único mês, marca inédita. A capacidade total de movimentação é de 26,5 milhões toneladas por ano, tanto em recebimento quanto em exportação.

Além da excelência operacional, a Ferroport avança em inovação tecnológica, preservação ambiental e ações sociais. Segundo o gerente geral de Operações, Luiz Francisco Silva, a empresa investiu mais de R$ 500 milhões na última década e já planeja mais R$ 100 milhões para 2025. “Buscamos operar com segurança, eficiência e compromisso com o território e o meio ambiente”, afirma.
Processo integrado
A operação da Ferroport é resultado de um processo logístico integrado. O minério de ferro é extraído em Minas Gerais e bombeado em forma de polpa liquefeita, mistura de água e minério, através do mineroduto Minas-Rio, cruzando 33 municípios até o terminal instalado no Porto do Açu. Ao chegar, o material passa por um sistema de filtragem para remoção da água presente na polpa e separação do minério seco, sendo estocado ao ar livre. No pátio, o produto passa por um processo de blend, que é a mescla de diferentes batches, e é submetido a um controle de qualidade com análises de seu teor de ferro, sílica, alumina e percentual de umidade.
O posicionamento do minério que chega ao pátio é realizado por duas empilhadeiras, enquanto uma recuperadora alimenta o sistema de correias transportadoras com 6 km de extensão até o píer. Lá, um carregador realiza o embarque nos porões dos navios com destino a países como China e Bahrain. Todo o processo é automatizado e assistido por sistemas de controle e segurança operacional.
Segundo Silva, os principais custos operacionais estão relacionados a pessoal, consumo de materiais, serviços de manutenção para garantir a disponibilidade dos equipamentos, consumo de energia e serviços de apoio à operação.

Já os maiores desafios são garantir a segurança das pessoas, da navegação e das operações, bem como sua conformidade ambiental. “Buscamos prevenir e minimizar os riscos por meio de uma gestão de riscos estruturada. São várias ações que permitem operar de forma segura, como o treinamento contínuo dos colaboradores, controle de acesso as zonas de segurança, programas de manutenção preditiva e preventiva e estoque de peças críticas, entre outros”, detalha o gerente. Atualmente, a empresa conta com cerca de 300 colaboradores diretos.
Investimentos e inovação
Para manter a performance e garantir a disponibilidade dos ativos, a Ferroport direciona recursos para manutenção preditiva, prevenção e combate a incêndios, ações anticorrosivas e aquisição de sobressalentes críticos. Em 2025, mais R$ 100 milhões serão aplicados em automação, integridade estrutural e inovação.
“Estamos automatizando todos os equipamentos do pátio e implementando Inteligência Artificial (IA) para detectar corpos estranhos nas linhas de embarque”, afirma o gerente. A empresa também utiliza drones subaquáticos para inspeção de cascos de navios e drones aéreos georreferenciados para segurança patrimonial e cumprimento do ISPS Code (Código Internacional para a Segurança de Navios e Instalações Portuárias). As iniciativas fazem parte do programa “Rumo aos 30!”, que tem como meta alcançar a movimentação de até 30 milhões de toneladas por ano com sustentabilidade e eficiência.
Programas socioambientais
A Ferroport mantém uma estratégia de sustentabilidade alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU (Organização das Nações Unidas) e aos direcionamentos de seus acionistas, com foco em princípios ESG (Ambientais, Sociais e de Governança), que serve de base a programas estruturados de preservação ambiental e responsabilidade social. Entre os destaques estão o uso de 100% de energia renovável, reaproveitamento de 93% da água e o recebimento do Selo Ouro do Programa Brasileiro GHG Protocol por três anos consecutivos.
Os programas ambientais incluem o monitoramento da morfologia costeira, da qualidade da água, solo e ar, além de reflorestamento, educação ambiental, eficiência hídrica, descarbonização e aterro zero. A empresa figura entre os dois melhores terminais privados do país, segundo o Índice de Desempenho Ambiental da ANTAQ (Agência Nacional de Transportes Aquaviários) em 2024. O sistema de Gestão Ambiental é certificado com base na norma ABNT ISO 14001:2015. Não há registros de acidentes ambientais na área da Ferroport. que mantém um sistema rigoroso de prevenção, controle e resposta a emergências ambientais, com brigadas treinadas e atendimento de prontidão disponível 24 horas por dia.

No campo social, a operadora atua fortemente nas comunidades do entorno. São realizadas mensalmente feiras com produtores locais, ações como o Junho Verde, de conscientização ambiental, e a Caminhada das Tartarugas ao Mar, para a proteção de tartarugas marinhas durante sua jornada de retorno ao oceano.
A empresa desenvolve, ainda, programas de qualificação profissional em parceria com a Firjan (Federação das Indústrias do Rio de Janeiro), e mantém um relacionamento permanente com a comunidade pesqueira por meio do Comitê de Pesca, com iniciativas como o curso POP, de capacitação dos pescadores locais para o exercício legal e seguro da atividade pesqueira. A formação inclui aulas teóricas e práticas sobre navegação, segurança no mar, primeiros socorros, técnicas de pesca, legislação marítima e preservação ambiental, seguindo os critérios estabelecidos pela autoridade marítima para a emissão da Carteira de Inscrição e Registro (CIR). O comitê também dá suporte aos presidentes das colônias pesqueiras para a realização do Fórum de Pesca do Norte Fluminense, evento dirigido ao diálogo e articulação entre pescadores artesanais, colônias de pesca, instituições públicas e empresas que atuam na região.
Já por meio das leis de incentivo (Rouanet, Esporte, Fundo da Infância e Adolescência), a Ferroport promove projetos sociais nas áreas de educação, cultura, saúde, meio ambiente e assistência social. Anualmente, a empresa investe cerca de R$ 7 milhões em projetos que são executados em suas áreas de influência.
“Temos uma escuta ativa e constante com a comunidade. Somente em 2024, cerca de 20 mil pessoas foram beneficiadas pelas nossas ações sociais. Promovemos diálogo, fortalecemos a economia local e geramos oportunidades com foco em inclusão e desenvolvimento”, conclui Silva.
