DESENVOLVIMENTO INDUSTRIAL COM RESPEITO À AMAZÔNIA

DESENVOLVIMENTO INDUSTRIAL COM RESPEITO À AMAZÔNIA

Por Anderson Baranov, CEO da Norsk Hydro Brasil

O ano de 2025 foi marcado por avanços fundamentais do setor de mineração rumo à transição energética justa e a uma economia de baixo carbono. Com a COP30 realizada na Amazônia, o setor deixou de debater possibilidades e passou a apresentar entregas concretas: descarbonização em escala, inovação aplicada e novas formas de colaboração com sociedade civil, academia e governos. Para a Hydro, que mantém operações estratégicas no estado do Pará, foi o cenário ideal para mostrar ao mundo que desenvolvimento industrial e respeito à Amazônia podem e devem caminhar juntos.

Chegamos à COP30 com ações mensuráveis. Na Alunorte, a substituição de óleo por gás natural e a troca do carvão por caldeiras elétricas alimentadas por fontes renováveis têm potencial para evitar a emissão de até 1,4 Mtpa de CO2. Na Mineração Paragominas avançamos em reabilitação de áreas com soluções baseadas na natureza e na ambição de perda líquida zero de biodiversidade. A Albras, por sua vez, utiliza majoritariamente energia renovável, com predominância de fontes hidrelétricas e crescente participação de energia solar. Hoje, 87% e 90% da energia elétrica de Alunorte e Paragominas, respectivamente, vêm de fontes renováveis.

Essas conquistas são resultado de investimentos robustos. Desde 2022 participamos de aportes de R$ 12,6 bilhões em soluções de baixo carbono, o que inclui o investimento em usinas solares e eólicas para autogeração de energia renovável. São exemplos as três novas caldeiras elétricas instaladas na Alunorte; inauguração do Complexo Eólico Ventos de São Zacarias, na divisa entre Piauí e Pernambuco, que destina 75% de sua produção, com capacidade para 456 megawatts (MW), para a Alunorte e a Mineração Paragominas; e a expansão do uso da biomassa produzida a partir do caroço de açaí nas caldeiras a carvão da Alunorte, chegando a um consumo de 125 mil toneladas do fruto. Tais inovações são essenciais no cumprimento de metas globais claras traçadas pela Hydro: redução de até 30% nas emissões de carbono até 2030 e atingir emissões líquidas zero (net zero) até 2050 ou antes.

Em 2026, seguiremos avançando em prol de um futuro mais sustentável, com investimentos significativos em descarbonização e outras frentes. Em parceria com a Wave Aluminium, pretendemos inaugurar uma planta semi-industrial na Alunorte para transformar, de forma pioneira, o resíduo de bauxita em ferro metálico de baixo carbono, com aproximadamente 50% menos CO2 que o convencional. Esse projeto, que é um marco na economia circular, tem o objetivo estratégico de eliminar, no futuro, com a ampliação da planta para uma escala industrial, a necessidade de novas áreas de armazenamento permanente de resíduos de bauxita até 2050.

Nossa agenda tecnológica é inseparável de uma agenda social robusta. Desde 2016 investimos mais de R$ 800 milhões em iniciativas socioeconômicas e de educação ambiental, incluindo o Fundo Hydro. E, em 2026, pretendemos ir além, com a implementação do primeiro edital do Programa Corredor, uma coalizão multissetorial formada em 2024 que conecta empresas, ONGs e comunidades ao longo dos 244 km entre Paragominas e Barcarena, para combater desafios urgentes de pobreza, IDH e desmatamento, em uma região com cerca de 650 mil habitantes e dois milhões de hectares de floresta tropical de alta biodiversidade. Com IPAM, Imazon e CEA como parceiros técnicos, e coinvestimentos de MercedesBenz, Mitsui & Co., Fundação Mitsui e Instituto Belterra, o programa busca ampliar impacto social e ambiental com governança, métricas e transparência.

No Pará, a Hydro abriga uma cadeia de valor integrada e de grande escala, que prova ser possível produzir com responsabilidade, inovação e visão de longo prazo. Acreditamos que, em um futuro de baixo carbono, o mercado valorizará ainda mais quem consegue descarbonizar suas operações de modo a conciliá-las com respeito aos Direitos Humanos, biodiversidade e inclusão produtiva.

Foto: Hydro/Divulgação

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