DESAFIOS E OPORTUNIDADES PARA A LIDERANÇA BRASILEIRA

DESAFIOS E OPORTUNIDADES PARA A LIDERANÇA BRASILEIRA

Por Milson Mundim, country manager da Appian Capital Brazil

O setor de mineração do Brasil consolidou-se em 2025 como um dos principais atores globais na produção de minerais estratégicos para a transição energética. Segundo o Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), o faturamento com minerais críticos e estratégicos cresceu 41,6% no primeiro semestre, alcançando R$ 21,6 bilhões, ante R$ 15,2 bilhões no mesmo período de 2024. O desempenho reflete tanto a valorização das commodities no mercado internacional quanto o avanço de projetos nacionais voltados à oferta de insumos essenciais para a geração renovável, a mobilidade elétrica e para tecnologias de armazenamento.

Nesse contexto, a demanda internacional por matérias-primas críticas segue em aceleração, impulsionada por metas climáticas mais ambiciosas e pela expansão das fontes renováveis. O Brasil, com suas reservas expressivas e vantagem geológica, encontra-se em condições privilegiadas para desempenhar papel relevante nesse mercado. No entanto, transformar potencial mineral em protagonismo ainda exige superar barreiras históricas ligadas à infraestrutura, ao licenciamento e à previsibilidade regulatória.

Um cenário em que ganha força o fundo global de US$ 1 bilhão anunciado em outubro pela Appian Capital Advisory em parceria com a International Finance Corporation (IFC), braço do Banco Mundial, destinado ao desenvolvimento de projetos voltados a minerais essenciais para a transição energética em mercados emergentes.

A Atlantic Nickel, em Itagibá (BA), é a primeira empresa selecionada para receber investimentos do fundo. A aprovação do recurso chega em um momento de avanço nos estudos para implantação da mina subterrânea, através do método sublevel caving. Caso os estudos sejam aprovados, a transição subterrânea poderá elevar a produção a cerca de 30 mtpa de níquel equivalente.

Com uma expectativa robusta de investimentos da ordem de US$ 68,4 bilhões em aportes entre 2025 e 2029, segundo dados do IBRAM, o setor mineral brasileiro começa a responder de forma estratégica às novas exigências do mercado. Ao mesmo tempo, reforça o ESG como prioridade estratégica, impulsionando práticas como gestão avançada de rejeitos, reaproveitamento de água e ações alinhadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, que tendem a ampliar a confiança de investidores e a competitividade do país.

Para 2026, a tendência é o fortalecimento da presença brasileira no mercado de minerais críticos, impulsionada pela intensificação da agenda global de descarbonização. A demanda por níquel, lítio, grafita e terras raras deve seguir em alta, abrindo espaço para novos projetos e para a ampliação da participação do país nas cadeias globais.

O próximo ano, no entanto, pode trazer desafios mais complexos. A pressão internacional por práticas socioambientais responsáveis deve exigir maior aderência às metas ESG, enquanto a crescente competição por investimentos poderá testar a capacidade do Brasil de oferecer ambiente regulatório estável e previsível. O avanço tecnológico também será decisivo: soluções digitais, automação e mineração 4.0 serão diferenciais importantes para melhorar eficiência, produtividade e sustentabilidade.

Para consolidar seu protagonismo, o Brasil precisará avançar em uma estratégia integrada que valorize suas reservas, atraia investimentos, reduza gargalos operacionais e priorize práticas de mineração sustentável. A construção de parcerias internacionais, aliada à inovação tecnológica e ao fortalecimento de compromissos socioambientais, pode posicionar o país entre os principais fornecedores globais de minerais essenciais à transição energética. Operações mais responsáveis, colaborativas e inovadoras serão decisivas para que o país desempenhe o papel de liderança que o cenário global já começa a esperar dele.

Foto: Leo Drumond/NITRO

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