Com EIA (Estudo de Impacto Ambiental) apresentado em julho de 2021, seguido do RIMA (Relatório de Impacto Ambiental) em outubro do mesmo ano, o projeto de cobre Bacaba, da Vale, recebeu a Licença Prévia (LP) da Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Pará (SEMAS-PA) em 16 junho de 2025. No mesmo dia, as ações da empresa subiram 3,26%, sendo cotadas a R$ 53,83. Até a conclusão desta edição, a Licença de Instalação (LI) não havia sido concedida, embora sua solicitação tenha sido feita concomitantemente à da LP.
Bacaba integra o programa Novo Carajás da Vale, lançado em dezembro passado, que prevê investimentos de R$ 70 bilhões entre 2025 e 2030, nas operações da mineradora na região de Carajás, no Pará, visando a oferta de minerais críticos para o alcance de metas de descarbonização e para a transição energética. Nesse contexto, um dos focos da iniciativa é a ampliação da produção de minério de ferro para 200 Mtpa com a expansão do Complexo Serra Sul (antigo projeto S11D), em Canaã dos Carajás, em 20 Mt, passando de 100 para 120 Mtpa a partir de 2027.

Crédito: EIA/Vale/2021
Outra frente é o projeto Bacaba, que deve acrescentar 32%, elevando a produção atual de cobre para cerca de 350 mtpa. O empreendimento, orçado em US$ 290 milhões, alimentará a planta de beneficiamento do Complexo Sossego durante oito anos, a partir do primeiro semestre de 2028. O projeto dará sobrevida a Sossego, situado a cerca de 9 km de distância, que opera desde 2003 e deve atingir a exaustão total de minério até 2030. A produção anual da mina será de 12,5 Mt e seu cronograma de implantação é de 21 meses a partir da obtenção da LI.

Crédito: EIA/Vale/2021
A nova mina é a primeira a integrar o chamado conceito operacional Hub Sul e Alvos Satélites, em implantação pela Vale, que consiste do processamento, em Sossego, de minérios de cobre de outras origens. A mineradora já estuda a viabilidade de outros alvos satélites próximos, com características semelhantes às de Bacaba, como Jatobá, Bacuri, Meia Lua, Mata, Barão/Visconde e Cristalino. O mais avançado, em termos de desenvolvimento, é o de Barão/Visconde, que deve ser objeto do próximo processo de licenciamento ambiental.
Histórico e projeto
O então alvo Bacaba foi objeto das primeiras sondagens entre 1998 e 1999, retomadas apenas em 2002 pelo Programa Cu-Au Polo Sossego (PPS), executados pela Mineração Serra do Sossego (MSS). No final de 2009, a Vale obteve a Licença de Operação (LO) da SEMAS-PA para realizar pesquisa mineral no Bloco Carajás Leste. Em decorrência dos dados coletados na área, em 2012 a mineradora adquiriu a Fazenda São Luiz, onde fica o depósito Bacaba, e renovou a LO recebida em 2009. Em 2013, um novo programa, o Carajás Cu-Au (PKC) contemplou mais sondagens em Bacaba, continuadas nos dois anos seguintes pelo Projeto Satélites Sossego (PSO). Em 2015 foram elaborados os estudos técnicos de engenharia para criar o Plano Diretor da futura mina. Uma campanha infill de sondagem, com a realização de novos furos em áreas já sondadas, visando aprofundar a investigação geológica do depósito, foi executada.
O Plano Diretor da futura mina, que ocupará uma área com cerca de 641,88 ha, compreende, além da cava, a implantação das seguintes estruturas: uma pilha de estéril; duas pilhas temporárias de minério de cobre, localizadas no interior da área de projeção da pilha de estéril; dois diques de contenção de sedimentos; um platô para instalações de apoio industrial e administrativas; sistemas de controle ambiental (ETE – Estação de Tratamento de Esgoto – e FS/FA – Fossa Séptica/Filtro Anaeróbio); uma área de fornecimento de materiais (AF); pátios de estocagem de materiais (PEM); e subestações de energia e respectivas linhas de distribuição de energia, além de vias de circulação internas e de uma estrada entre a mina e a rodovia VS-45, já construída pela Vale para acesso a Sossego.
Já para a montagem eletromecânica, a previsão é que sejam consumidas cerca de 15 t de estruturas metálicas e montadas e instaladas 47 t de equipamentos, incluindo instalações e redes elétricas e sistemas de aterramento e proteção contra descargas atmosféricas, redes de fibra ótica e telefonia, equipamentos mecânicos e de caldeiraria, rede hidráulica, com tanques e bomba para drenagem da cava e respectivas tubulações e sistemas interligados de ETE’s, além dos contêineres de apoio operacional, escritório, apoio a emergências, portaria, vestiário e refeitório.
O concentrado produzido em Sossego continuará a ser transportado por caminhões rodoviários até o Terminal de Parauapebas (PA), seguindo para o Terminal Portuário de Ponta da Madeira em São Luís (MA).
Operação
O empreendimento será uma mina a céu aberto com atividades de lavra e transporte do minério a partir das reservas de cobre da jazida, estimadas para 8 anos de vida útil e equivalentes a 68,8 Mt de ROM, com teores médios de 0,69% de cobre e 0,08 g/t de ouro, produção de 12,5 Mtpa de minério e geração de 173,4 Mt (95,6 Mm3) de estéril, considerando uma REM (Relação de Estéril Minério) de 2.63. As operações unitárias de lavra serão as usuais em operações de mina a céu aberto, em bancadas: supressão vegetal; limpeza das áreas de lavra; remoção e disposição do solo orgânico superficial e do estéril; e lavra do minério.
A supressão de vegetação compreenderá as atividades de limpeza, corte, remoção, transporte e estocagem da madeira e solo orgânico nos PEM. Esse trabalho ocorrerá, basicamente, nas áreas de acesso à lavra a céu aberto e às pilhas de estéril e temporárias de minério, além do platô das futuras edificações da infraestrutura de apoio administrativo, via de acesso dos caminhões off road e acessos internos entre as demais estruturas do plano diretor, incluindo sistemas de drenagem e diques de contenção de finos. Na remoção do solo orgânico, junto com a vegetação rasteira e material lenhoso fino serão empregados tratores de esteira, escavadeiras, pás carregadeiras, caminhões basculantes e equipamentos auxiliares, a depender das condições locais.

Crédito: EIA/Vale/2021
No decapeamento para acessar as áreas mineralizadas na região da futura cava será removida a camada de saprólito existente, com espessura entre 10 e 20 m, abrangendo uma área inicial de 36,6 ha (41,3 ha em superfície real), com retirada de material estéril e preparação das frentes de lavra, durante um período estimado de 12 meses. O estéril gerado durante o decapeamento da cava será disposto de forma controlada e ascendente, formando bancos e bermas com plataformas, numa área situada ao norte da cava.
O minério será lavrado a partir do início do pré stripping, com disposição em duas pilhas temporárias: uma para minérios de baixo teor (0,25<%Cueq<0,6) e uma para os de alto teor (%Cueq>0,60), ambas localizadas na mesma área da pilha de estéril (PDE). A remoção do estéril e lavra do minério compreenderá as etapas de perfuração, desmonte, escavação, carregamento e transporte. Das pilhas, o minério lavrado será transportado por caminhões off road de 240 t numa via de acesso dedicada, por cerca de 9 km. Os rejeitos gerados no beneficiamento serão dispostos em estruturas já existentes na mina de Sossego, com posterior licenciamento para essa finalidade.

Crédito: EIA/Vale/2021
O decapeamento no restante da área da lavra será executado conforme o avanço da lavra, nos três primeiros anos de operação. É previsto que o desenvolvimento máximo da lavra, em superfície, seja alcançado durante o quarto ano de operação. O limite econômico de cava estimado para o projeto corresponderá a uma lavra sequenciada ano a ano, ocupando uma área total de 72,16 ha, com profundidade de 420 m considerando a encosta norte, largura de 785 m e 1.285 m de comprimento. Já as pilhas temporárias de minério de baixo e alto teor serão formadas nos primeiros quatro anos e retomadas sempre que necessário para compor a massa total enviada ao beneficiamento em Sossego.
Equipamentos
Nas operações de decapeamento serão utilizadas escavadeiras hidráulicas, movidas a diesel. Para a abertura de acessos até a frente de lavra e desenvolvimento das praças de escavação e carregamento serão empregados, inicialmente, equipamentos de pequeno porte terceirizados. Perto da fase final do decapeamento e de implantação do projeto, já em condições seguras de operação, prevê-se a substituição gradual desses equipamentos por outros de grande porte primarizados.
Ao longo da implantação e dos oito anos de operação da mina, serão adotadas perfuratrizes elétricas e a diesel, com diâmetros de 12 1/2″ (4 máquinas, no período de maior utilização) , para perfuração de estéril e minério, e auxiliares, com diâmetros de 6″ (2 máquinas) e 4” (1 máquina), dedicadas a operações de pré-corte dos taludes da lavra e fogo secundário (desmonte de grandes blocos de rocha), respectivamente.
Nos materiais saprolíticos moles, a lavra será feita por desmonte mecânico com escavadeiras ou trator de esteira e eventual emprego de explosivos em áreas com presença de blocos rochosos de menor grau de alteração intempérica. O uso intensivo de explosivos se dará a partir da transição entre o perfil saprolítico e rochoso do materia. Os principais explosivos – Emulsão (mistura de nitrato de amônio, diluído em água e óleos combustíveis, por meio de um agente emulsificante) e ANFO – serão produzidos em Sossego e transportados em caminhões-tanque especiais. O consumo estimado, na fase de plena operação de Bacaba, é de 21 mtpa ou 1.770 t/mês.
O transporte de estéril e minério prevê o uso de caminhões off road de 240 t em quantidades crescentes a partir do ano de implantação (3 equipamentos), primeiro e segundo anos de operação (14 e 19, respectivamente) e terceiro e quatro anos (22), passando a decrescer entre o quinto e oitavo anos (18, 14, 13 e 5 equipamentos). Veja tabelas 1 e 2.
Tabela 1: Frota de equipamentos principais e auxiliares de lavra
| Perfuração | Ano -1 | Ano 1 | Ano 2 | Ano 3 | Ano 4 | Ano 5 | Ano 6 | Ano 7 | Ano 8 |
| Perfuratriz 12 ½” | 1 | 4 | 4 | 4 | 4 | 4 | 3 | 2 | 1 |
| Perfuratriz 6” | 1 | 2 | 2 | 2 | 2 | 2 | 1 | 1 | 1 |
| Perfuratriz 4” | 1 | 1 | 1 | 1 | 1 | 1 | 1 | 1 | |
| Carregamento | Ano -1 | Ano 1 | Ano 2 | Ano 3 | Ano 4 | Ano 5 | Ano 6 | Ano 7 | Ano 8 |
| Escavadeira 29 m3 | 1 | 3 | 3 | 3 | 3 | 3 | 2 | 1 | 1 |
| Carregadeira 18 m3 | 1 | 1 | 1 | 1 | 1 | 1 | 1 | 1 | 1 |
| Transporte | Ano -1 | Ano 1 | Ano 2 | Ano 3 | Ano 4 | Ano 5 | Ano 6 | Ano 7 | Ano 8 |
| Caminhão 240 t | 3 | 14 | 19 | 22 | 22 | 18 | 14 | 13 | 5 |
| Equipamentos Auxiliares | Ano -1 | Ano 1 | Ano 2 | Ano 3 | Ano 4 | Ano 5 | Ano 6 | Ano 7 | Ano 8 |
| Carregadeira secundária 6,4 m3 | 1 | 1 | 1 | 1 | 1 | 1 | 1 | 1 | 1 |
| Tratores de esteira tipo 375 | 1 | 2 | 2 | 2 | 2 | 2 | 1 | 1 | 1 |
| Tratores de esteira tipo 475 | 1 | 3 | 3 | 3 | 3 | 3 | 2 | 1 | 0 |
| Tratores de esteira pequenos porte | 1 | 1 | 1 | 1 | 1 | 1 | 1 | 1 | 1 |
| Tratores de pneus tipo WD600 | 2 | 2 | 2 | 2 | 2 | 2 | 2 | 2 | 2 |
| Tratores de pneus tipo WD900 | 1 | 2 | 2 | 2 | 2 | 2 | 1 | 1 | 1 |
| Motoniveladora tipo CAT 24M | 2 | 3 | 3 | 3 | 4 | 4 | 4 | 4 | 4 |
| Retroescavadeira 3.5 m3 | 2 | 2 | 2 | 2 | 2 | 2 | 2 | 2 | 2 |
| Caminhão-pipa tipo CAT 785 | 2 | 2 | 3 | 3 | 3 | 3 | 3 | 3 | 3 |
Fonte: EIA Projeto Bacaba/Vale
Tabela 2: Frota de equipamentos de apoio operacional
| Equipamentos de Apoio | Ano
-1 |
Ano
1 |
Ano
2 |
Ano
3 |
Ano
4 |
Ano
5 |
Ano
6 |
Ano
7 |
Ano
8 |
| Caminhão Combustível/Lubrificante | 4 | 4 | 4 | 4 | 4 | 4 | 4 | 4 | 4 |
| Caminhão irrigador de pequeno porte | 1 | 1 | 1 | 1 | 1 | 1 | 1 | 1 | 1 |
| Caminhão de manutenção | 1 | 1 | 1 | 1 | 1 | 1 | 1 | 1 | 1 |
| Caminhão Munch 16 t | 3 | 3 | 3 | 3 | 3 | 3 | 3 | 3 | 3 |
| Caminhão para carretel | 2 | 2 | 2 | 2 | 2 | 2 | 2 | 2 | 2 |
| Caminhão Prancha | 3 | 3 | 3 | 3 | 3 | 3 | 3 | 3 | 3 |
| Guindaste 65 t | 3 | 3 | 3 | 3 | 3 | 3 | 3 | 3 | 3 |
| Manipuladora de Pneus | 1 | 1 | 1 | 1 | 1 | 1 | 1 | 1 | 1 |
| Torre de iluminação | 4 | 11 | 12 | 12 | 12 | 12 | 12 | 12 | 12 |
Fonte: EIA Projeto Bacaba/Vale
Imagem em destaque (abertura): Projeção da futura mina de Bacaba, com cava, PDE ao fundo e estrada de ligação com a rodovia VS-4 Crédito: Vale
