Por André Simão, CFO da Brazilian Nickel
O ano de 2025 representou um avanço significativo para a Brazilian Nickel. Mais do que um período de evolução técnica e institucional, foi quando consolidamos parcerias estratégicas e estruturamos as bases financeiras e comerciais que permitirão ao Projeto Piauí Níquel (PPN), em Capitão Gervásio Oliveira (PI), seguir com segurança rumo à construção em larga escala. Cada acordo firmado reforça a viabilidade do nosso modelo, ambientalmente responsável, tecnologicamente robusto e economicamente competitivo, e nos coloca em posição de liderança na cadeia global de minerais críticos para a transição energética.
Desde a nossa fundação, em 2013, temos como propósito atuar de forma responsável e inovadora para contribuir com a transição energética global. Nosso compromisso permanece firme: produzir níquel e cobalto de classe mundial, utilizando a tecnologia de lixiviação em pilhas – uma solução de baixo carbono, menor custo e comprovadamente eficiente para depósitos lateríticos. Em 2025, esse propósito avançou significativamente, com progressos importantes na estruturação do financiamento do PPN e no fortalecimento de nossas parcerias estratégicas internacionais. Dois acordos de fornecimento não vinculativos firmados neste ano tiveram papel central na expansão da credibilidade do nosso projeto perante investidores globais e instituições financeiras: a parceria com a Electro Mobility Materials Europe (EMME) e o acordo com a Pure Battery Technologies (PBT).
A EMME, sediada na França e focada em materiais de baterias, representa um parceiro ideal para o nosso projeto. Esse acordo, condicionado ao fechamento do financiamento do PPN, propõe o fornecimento de até 10 mtpa de níquel e 385 tpa de cobalto, durante 10 anos, a partir do início da produção planejada para 2029. Isso nos posiciona como um fornecedor estratégico para a cadeia de veículos elétricos na Europa, colocando o Brasil como um player competitivo e confiável.
Neste ano, também assinamos acordo de fornecimento com a PBT, por meio de sua subsidiária Königswarter & Ebell Chemische Fabrik, na Alemanha. O contrato prevê a entrega de 5 mtpa de níquel e 120 a 200 tpa de cobalto em MHP (Precipitado de Hidróxido Misto) para sua refinaria hidrometalúrgica. A parceria tem como foco o compromisso com a eficiência energética e com as práticas ESG.
Os acordos somam-se ao nosso pipeline de parcerias de longo prazo, demonstrando a forte demanda por níquel e cobalto de origem responsável e posicionando o PPN como um ativo altamente estratégico para o Ocidente.
Um marco significativo, ocorrido no final de 2024 e que teve implicações positivas ao longo de 2025, foi a Carta de Intenções (LOI) emitida pela U.S.Development Finance Corporation (DFC), para financiamento de até US$ 550 milhões, valor equivalente a cerca de 40% do pacote total de financiamento do projeto. Essa LOI é mais que uma formalidade: representa um reconhecimento técnico da solidez do PPN, da capacidade operacional da Brazilian Nickel e da relevância geoeconômica do níquel e do cobalto brasileiros para a transição energética global.
A DFC tem se consolidado como uma das principais instituições do Ocidente no apoio a iniciativas voltadas a minerais críticos. A seleção do projeto reafirma a competitividade da tecnologia de lixiviação em pilhas e o nosso compromisso com práticas ambientais e sociais, evidenciado pela conquista do Nickel Mark, reconhecimento internacional que atesta a adoção de elevados padrões ESG e que foi concedida pela primeira vez a uma operação no território brasileiro Estamos trabalhando de maneira intensa com a DFC para transformar essa LOI em um financiamento comprometido, etapa que representa uma das grandes expectativas para o próximo ano.
Seguiremos firmes em 2026 para transformar essas bases sólidas em realidade operacional. O futuro da mobilidade global está sendo construído agora e o Piauí tem tudo para ser protagonista dessa transformação.
