DEBATE SOBRE FINANCIAMENTO E INDUSTRIALIZAÇÃO DOS MINERAIS CRÍTICOS

DEBATE SOBRE FINANCIAMENTO E INDUSTRIALIZAÇÃO DOS MINERAIS CRÍTICOS

A ampliação do conhecimento geológico, o financiamento de projetos e a construção de uma cadeia industrial de minerais críticos no Brasil concentraram os debates do Minerais Críticos: Agenda 2030, realizado pela Associação de Minerais Críticos (AMC) em 30 de setembro de 2026, no Hotel Pullman São Paulo Vila Olímpia. O encontro reuniu representantes do governo federal, governos estaduais, empresas, instituições financeiras, consultorias e da Austrália para discutir como transformar o potencial mineral brasileiro em empreendimentos capazes de atender à demanda por transição energética, infraestrutura digital e novas tecnologias.

Ao longo da abertura institucional, da palestra magna e de cinco painéis, os participantes abordaram as condições necessárias para desenvolver projetos e ampliar o processamento mineral no país. Segurança regulatória, acesso a capital, domínio tecnológico, formação profissional e relacionamento com comunidades foram temas recorrentes. As discussões também evidenciaram que a agregação de valor exige estratégias específicas para cada mineral, articulação com compradores e participação de empresas de diferentes etapas industriais.

O evento marcou a assinatura de um protocolo de intenções entre a AMC e o Serviço Geológico do Brasil (SGB), voltado à cooperação e ao compartilhamento de conhecimento. Também trouxe informações sobre recursos para pesquisa geológica, instrumentos de garantia financeira e iniciativas empresariais de processamento de terras raras.

Pesquisa geológica e articulação institucional como bases para o investimento

A abertura reuniu Frederico Bedran, diretor executivo da AMC; Anderson Barreto Arruda, secretário nacional de Geologia, Mineração e Transformação Mineral do Ministério de Minas e Energia; Vilmar Medeiros Simões, diretor-presidente do SGB; e Luiz Curado, conselheiro superior da Agência para o Desenvolvimento e Inovação do Setor Mineral Brasileiro (ADIMB).

Frederico Bedran apresentou a Agenda 2030 da associação, composta por dez propostas encaminhadas a candidatos aos governos estaduais e à Presidência da República. Entre elas está a criação de polos de refino no Brasil. A entidade defendeu que a discussão sobre agregação de valor seja acompanhada de avaliações técnicas sobre quais cadeias e projetos podem avançar no país, considerando competitividade, mercado e condições de implantação.

Anderson Barreto Arruda e Vilmar Medeiros Simões informaram a destinação de R$ 50 milhões para levantamentos geológicos em 2026 e a previsão de R$ 300 milhões para 2027. O presidente do SGB relatou a retomada de levantamentos aerogeofísicos e a disponibilização de dados de trabalhos em Tocantins e Goiás. Apresentou, ainda, a perspectiva de ampliar, em quatro anos, a cobertura de pesquisa básica das províncias minerais, condicionada à continuidade dos investimentos.

A discussão ressaltou o papel da informação geológica na redução das incertezas que antecedem um empreendimento. O SGB manifestou abertura a parcerias com empresas e governos estaduais para avançar na pesquisa e na produção de dados, conciliando o desenvolvimento dos projetos com sua missão de disseminar conhecimento sobre o território nacional.

Na avaliação apresentada pelo Ministério de Minas e Energia, o desenvolvimento dos minerais críticos requer instrumentos adequados a empresas menores e ainda sem operação, cujo perfil difere do das grandes mineradoras. O secretário destacou o fundo garantidor e os incentivos ao processamento como mecanismos para compartilhar riscos e apoiar a implantação de projetos.

Luiz Curado, da ADIMB, chamou atenção para a necessidade de políticas de longo prazo e de uma interlocução nacional e internacional organizada. O debate situou a industrialização mineral como um processo que depende de investimentos continuados, desenvolvimento tecnológico e coordenação entre instituições.

Parceria AMC–SGB: dados e conhecimento para apoiar novas cadeias

A assinatura do protocolo de intenções entre a AMC e o SGB contou com Frederico Bedran, Vilmar Medeiros Simões, Marcelo Carvalho, vice-presidente do Conselho de Administração da AMC, e Rodrigo Fonseca, da Casa Civil.

O instrumento foi apresentado como uma etapa anterior a um acordo de cooperação técnica e como uma oportunidade para aproximar o conhecimento produzido pelo serviço geológico das demandas das empresas. Entre as frentes mencionadas estão o compartilhamento de dados geológicos, interpretações, tecnologias e iniciativas de inovação para minerais críticos e estratégicos.

Marcelo Carvalho relacionou a parceria ao compromisso da associação com o rigor técnico na interlocução com o governo. Também destacou o perfil de boa parte das associadas: empresas de menor porte, frequentemente em fase pré-operacional, que dependem de investidores, contratos de compra futura e mecanismos de compartilhamento de risco para financiar seus projetos.

Na ocasião, a AMC informou ter passado de nove para 35 empresas associadas em menos de um ano. A expansão foi apresentada como resultado da busca por uma representação coletiva para desafios que antes eram levados individualmente pelas companhias ao poder público.

Palestra magna: a experiência do alumínio e os limites da vantagem geológica

Na palestra O Brasil e a Nova Economia — o papel estratégico dos minerais críticos, Otavio Carvalheira, conselheiro e consultor sênior em mineração, metais e minerais críticos, utilizou a trajetória da indústria brasileira do alumínio para discutir o desenvolvimento de cadeias integradas.

A apresentação mostrou que a existência de reservas, infraestrutura e profissionais qualificados não assegura, isoladamente, a competitividade de uma indústria. Ao abordar a perda de capacidade produtiva e a posterior retomada de operações de alumínio no Brasil, Carvalheira destacou o custo da energia como um fator determinante para a viabilidade industrial.

A análise foi organizada em torno do papel do Estado, da tecnologia, do capital, da sustentabilidade e da conexão global. O palestrante defendeu um ambiente de segurança jurídica, mecanismos de financiamento compatíveis com o risco dos projetos e investimentos em universidades e formação profissional. Também chamou atenção para a necessidade de tornar a mineração mais atraente às novas gerações.

No licenciamento, a mensagem foi de que maior celeridade depende de processos claros e prazos previsíveis, preservando as exigências socioambientais. Para o investimento, a incerteza sobre a duração das etapas compromete o planejamento e a alocação de capital.

A palestra também ressaltou que a integração industrial brasileira precisa considerar as cadeias internacionais. A construção de parcerias, a escolha de etapas economicamente viáveis e a capacidade de execução foram apresentadas como condições para converter recursos minerais em resultados para o país e para os investidores.

Agenda de Estado: regulamentação proporcional e coordenação industrial

O painel Minerais Críticos: uma agenda de Estado para o Brasil teve moderação de Frederico Bedran e participação de Rodrigo Fonseca, secretário adjunto IV da Casa Civil; Pedro Guerra, chefe de gabinete da Vice-Presidência da República; e Marcelo Carvalho, diretor executivo da Meteoric Resources.

A AMC apresentou uma estimativa de investimentos potenciais da ordem de R$ 60 bilhões nos projetos de suas associadas. A discussão concentrou-se nas condições para que esses recursos avancem da intenção de investimento para a implantação de empreendimentos.

Marcelo Carvalho destacou três frentes: garantias para acesso a financiamento, previsibilidade no licenciamento ambiental e incentivos à industrialização. Segundo a perspectiva empresarial apresentada, companhias sem produção enfrentam dificuldades para oferecer as garantias exigidas pelos financiadores. Por isso, os contratos de compra futura e a participação de instituições públicas podem ter papel decisivo na estruturação financeira.

O executivo também chamou atenção para a frequência das operações de captação de capital nas empresas de pesquisa e desenvolvimento mineral. A regulamentação, nessa avaliação, precisa reconhecer as diferenças entre aportes financeiros, contratos comerciais e operações com implicações estratégicas, além de distinguir as fases dos projetos.

Rodrigo Fonseca organizou a atuação governamental em três frentes: regulamentação, fomento e fortalecimento institucional. Informou que a construção das regras de triagem considerava mecanismos de dispensa e procedimentos simplificados para preservar a dinâmica do setor. Também mencionou a necessidade de uma disciplina de transição para operações realizadas entre a aprovação da lei e a conclusão de sua regulamentação.

Outro ponto foi a estruturação de uma governança capaz de combinar orientação estratégica e capacidade operacional. A Casa Civil apresentou a intenção de utilizar informações de empresas e órgãos públicos para construir uma inteligência setorial, articulando instrumentos de pesquisa, financiamento e desenvolvimento industrial.

Pedro Guerra relacionou os minerais críticos às missões da Nova Indústria Brasil e às demandas de setores como energia, infraestrutura, transformação digital e defesa. Defendeu análises proporcionais às características de cada operação e destacou as possibilidades de integração produtiva com parceiros internacionais.

O painel apontou que a industrialização depende da coordenação entre as duas pontas da cadeia: a oferta mineral e a demanda industrial. O avanço no processamento requer compradores, tecnologia, incentivos e parceiros especializados, sem atribuir exclusivamente às mineradoras a responsabilidade por chegar ao produto final.

Tecnologia e industrialização: validar processos, conquistar clientes e ampliar aplicações

O painel Tecnologia e Industrialização foi moderado por Bruno Vartuli, diretor da Hatch Consultoria, e reuniu Klaus Petersen, diretor executivo da Viridis Mining and Minerals; Fernando Contadini, sócio e diretor-presidente da Nanum Nanotecnologia; e Gustavo Roque, da RCK Global.

Klaus Petersen relatou que a planta piloto da Viridis em Poços de Caldas demonstrou a capacidade de produzir carbonato de terras raras e permitiu solucionar questões operacionais antes da implantação industrial. Segundo a empresa, essa demonstração também apoiou avaliações de bancos e compradores, contribuindo para a estruturação comercial e financeira do projeto. A previsão apresentada foi de início da produção industrial em 2028.

A companhia informou ter incorporado ao projeto um investimento de US$ 50 milhões em uma etapa de extração por solventes para separar lantânio, associada a um contrato de compra futura da produção. Petersen explicou que a solução abre a possibilidade de atender o mercado brasileiro desse elemento, ampliando o aproveitamento comercial dos materiais produzidos.

Fernando Contadini apresentou a experiência da Nanum para mostrar que uma descoberta tecnológica precisa percorrer um caminho até se tornar um produto comprado regularmente pela indústria. O processo envolve adequação às especificações dos clientes, repetibilidade, controle de qualidade e capacidade de entrega. Entre os exemplos, relatou como o desenvolvimento de um material para a HP levou a um contrato de compra futura que apoiou o financiamento da primeira planta industrial da empresa.

Na cadeia de terras raras, Contadini destacou oportunidades em elementos que recebem menos atenção do que aqueles utilizados em ímãs. Apresentou aplicações de cério em catalisadores de combustão e revestimentos anticorrosivos, ainda em diferentes estágios de desenvolvimento e testes, e abordou a parceria com a St George Mining para ampliar mercados e agregar valor a materiais da cadeia.

O painel também discutiu o desenvolvimento regional. Petersen apresentou a participação da Viridis na criação da Invest Poços, iniciativa voltada à identificação de oportunidades econômicas associadas aos investimentos na região. Gustavo Roque abordou a proposta de conectar empresas, universidades, centros de pesquisa e fornecedores em um corredor de minerais críticos em Minas Gerais.

A partir de experiências internacionais, Roque defendeu que a inovação seja vinculada a problemas concretos das operações e tenha condições de avançar para contratação e aplicação comercial. O debate questionou modelos em que testes se repetem sem escala e destacou a necessidade de compromisso das empresas com equipes, recursos e utilização das soluções desenvolvidas.

A conclusão foi que a agregação de valor pode ocorrer em diferentes pontos: no processamento, em novos materiais, em equipamentos, em serviços tecnológicos e no aproveitamento de subprodutos. A escolha dessas oportunidades precisa considerar a existência de mercado e a capacidade de competir.

Sustentabilidade: antecipação de riscos e participação das comunidades

O painel Sustentabilidade da Cadeia de Minerais Críticos teve moderação de Rafael Marchi, diretor da Alvarez & Marsal, e participação de André Andrade, assessor especial do ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima; Thiago Amaral, country manager da St George Mining; Vítor Sandim, da gerência de Relações Institucionais e Comunidades da PLS; e Hilton Lucio, CEO da Antea Group.

André Andrade apresentou a aproximação do Ministério do Meio Ambiente com o setor mineral e relatou um diagnóstico que identificou desafios além dos procedimentos de licenciamento. Entre eles estão as diferenças de capacidade entre órgãos públicos, a necessidade de formação de equipes, o planejamento territorial e a articulação antecipada com comunidades.

Na avaliação apresentada pelo ministério, a priorização de projetos não substitui o fortalecimento das instituições responsáveis por analisá-los. A expansão da mineração e de outros setores de infraestrutura tende a aumentar a demanda sobre essas equipes, exigindo preparação e coordenação entre União, estados e municípios.

O representante do MMA também abordou oportunidades em rastreabilidade, mineração urbana, recuperação de áreas degradadas e financiamento sustentável. Indicou que a regulamentação de instrumentos associados à mineração de baixo carbono pode valorizar atributos da produção brasileira, mas ressaltou desafios como custos, integração de informações e reconhecimento comercial desses diferenciais.

Vítor Sandim relatou o trabalho de educação minerária e ambiental da PLS no entorno do Projeto Colina, em Salinas. A iniciativa busca explicar as etapas da mineração e os instrumentos de acompanhamento ambiental em linguagem acessível, associando informação técnica à escuta das dúvidas e necessidades locais.

A empresa também apresentou conversas com a Copasa sobre o uso de água de reúso e estudos para aproveitar material estéril em aplicações rodoviárias e ambientais. Essas iniciativas foram tratadas como possibilidades de reduzir impactos e aumentar a segurança operacional, e não como soluções já integralmente implantadas.

Thiago Amaral destacou a importância de incorporar compromissos ambientais, avaliação de riscos climáticos e relacionamento comunitário desde a fase pré-operacional. Ao comparar demandas de investidores, apontou que a organização desses processos ajuda a demonstrar como a empresa pretende reduzir os riscos futuros do empreendimento.

O executivo detalhou ainda um acordo para criar uma joint venture com uma empresa do setor químico, com apoio do governo mineiro e da Invest Minas, voltada à separação de terras raras em Uberlândia. A proposta considera utilizar infraestrutura industrial existente e receber material de Araxá e de outras regiões. A articulação regional foi apresentada como alternativa para ampliar o processamento sem exigir que cada mineradora desenvolva isoladamente toda a estrutura industrial.

Hilton Lucio enfatizou a necessidade de antecipar conflitos de uso da água e considerar cenários de escassez e excesso hídrico. Também defendeu a troca de experiências entre empresas sobre indicadores, relacionamento comunitário e soluções ambientais. O painel associou transparência e responsabilidade na comunicação à confiança de comunidades, investidores e compradores.

Financiamento: reduzir riscos por etapas e adequar o capital ao projeto

O painel Financiamento e Viabilidade de Projetos foi moderado por Tulio Rivadavia Amaral, CEO da Cabo Verde Mineração, e reuniu Amynthas Gallo, consultor sênior de Mineração, Transformação Mineral e Sustentabilidade do BNDES; Guto Quintella, conselheiro estratégico da Galápagos; Marcelo Del Giudice, diretor da SLR Consulting; e Rafael Barcellos, responsável pela cobertura de mineração, metais, papel e celulose da América Latina na área de análise de ações do Bradesco BBI.

A discussão partiu da distância entre o interesse dos investidores e a disponibilidade de projetos estruturados para receber recursos. Os participantes destacaram que a mineração exige capital compatível com longos períodos de desenvolvimento e com riscos que se modificam entre pesquisa, estudos de viabilidade, construção e operação.

Amynthas Gallo apresentou a construção do fundo garantidor da atividade mineral, com autorização de aporte de R$ 2 bilhões pelo governo federal e uma proposta de acumulação de recursos em torno de R$ 5 bilhões ao longo de seis anos. A expectativa exposta foi que o mecanismo pudesse viabilizar uma carteira de investimentos da ordem de R$ 30 bilhões, por meio da capacidade de alavancagem das garantias.

O representante do BNDES ressaltou que o desenho do instrumento ainda exige construção conjunta com o mercado e definição de governança e de níveis de risco. Os valores apresentados correspondem à estruturação e ao potencial do mecanismo, não a desembolsos já realizados.

Gallo também relatou que uma chamada voltada ao desenvolvimento da cadeia recebeu 120 propostas, somando R$ 84 bilhões em investimentos previstos. O montante expressa os projetos apresentados, e não financiamentos aprovados. A exposição abordou ainda instrumentos de participação em empresas e fundos, crédito e a busca por soluções de financiamento estruturadas a partir dos próprios projetos.

Marcelo Del Giudice destacou que a redução de risco precisa ocorrer por etapas, com comprovação geológica, testes de processamento, estudos de alternativas e premissas econômicas consistentes. Indicadores financeiros atraentes, isoladamente, não substituem a demonstração técnica de que o empreendimento pode produzir e entregar o que foi projetado.

Nos contratos de compra futura, a avaliação envolve tanto o preço quanto a capacidade de manter especificações e volumes durante a operação. O executivo alertou para a necessidade de compatibilidade entre jazida, plano de lavra e processamento ao longo da vida do projeto.

Guto Quintella defendeu maior organização na apresentação das oportunidades ao mercado e aproximação com os compradores desde o desenvolvimento. O debate também ressaltou a necessidade de ampliar o conhecimento dos investidores brasileiros sobre empresas minerais em estágio inicial e de desenvolver mecanismos locais de acesso ao capital.

Rafael Barcellos relacionou o interesse crescente pelo setor aos investimentos em inteligência artificial, centros de dados e infraestrutura energética. No cobre, destacou uma combinação de perspectivas de demanda e dificuldades para desenvolver novas fontes de oferta. A análise também apontou diferenças entre o mercado brasileiro e os mercados canadense e australiano, onde há investidores mais habituados aos prazos e riscos da mineração.

A formação profissional foi outro ponto de atenção. Além de recursos financeiros, a execução dos projetos dependerá de engenheiros, geólogos, profissionais de construção e equipes capazes de avaliar tecnicamente os empreendimentos nas instituições financiadoras.

Geopolítica: parcerias para diversificar fornecimento e desenvolver capacidades

O painel Minerais Críticos e Geopolítica: o Brasil e as Novas Fronteiras da Cooperação Internacional foi moderado por José Roberto Bueno, da NADINA Minerals, e reuniu Samo Tosati, chefe da Assessoria Internacional do governo de São Paulo; Gabrielle Hall, cônsul-geral da Austrália e comissária de Comércio e Investimento da Austrade; e Willian Concentino, diretor técnico da Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM).

A discussão situou os minerais críticos no contexto da competição tecnológica e da busca por cadeias de fornecimento mais diversificadas. O foco esteve em como o Brasil pode converter essa demanda em capital, conhecimento, acesso a mercados e desenvolvimento industrial.

Gabrielle Hall estimou a existência de cerca de 30 projetos com capital australiano no Brasil. Apresentou a relação entre os países como uma parceria de longo prazo, com oportunidades que abrangem extração, processamento, tecnologia, inovação e serviços especializados.

A representante australiana destacou a complementaridade entre a experiência mineral e tecnológica da Austrália e a base industrial brasileira. Também identificou a complexidade regulatória, a imprevisibilidade de alguns processos e a compreensão da divisão de competências entre os níveis de governo como desafios para os investidores.

Samo Tosati informou que os minerais críticos integram a elaboração do plano de inserção internacional de São Paulo para os próximos quatro anos. As frentes mencionadas incluem aproximação com parceiros tecnológicos, intercâmbio de conhecimento e acesso a mercados, utilizando a capacidade das instituições de pesquisa e da indústria paulista.

O representante estadual defendeu uma coordenação nacional que identifique as contribuições de cada estado e as etapas industriais que podem ser desenvolvidas com as capacidades existentes. Também ressaltou que a implementação das políticas depende de recursos e de instituições preparadas para executar suas atribuições.

Willian Concentino apresentou o modelo da CBPM, que realiza pesquisa, organiza informações e estrutura ativos minerais antes da entrada de parceiros privados. Segundo a exposição, a entrega de dados de sondagem, análises químicas e caracterização tecnológica contribui para reduzir os riscos iniciais dos empreendimentos.

A companhia também relatou sua atuação na articulação entre investidores e órgãos estaduais para desenvolver projetos e atrair etapas industriais para a Bahia. A organização e a revisão de acervos geológicos foram apontadas como oportunidades para identificar novos depósitos e aplicações a partir de informações já disponíveis.

A cooperação internacional foi discutida, portanto, como uma agenda que vai além do financiamento e do comércio. Inclui formação de profissionais, organização de dados, pesquisa aplicada, laboratórios e desenvolvimento de competências que permitam ampliar a participação brasileira nas cadeias industriais.

No encerramento, Frederico Bedran defendeu a diversificação das parcerias internacionais e a união do setor para oferecer contribuições técnicas à regulação. A AMC destacou a continuidade do diálogo entre empresas e instituições públicas como parte do trabalho necessário para transformar as oportunidades discutidas em projetos e produção.

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