LEILÃO INÉDITO NO BRASIL COLOCA À VENDA ATIVOS MINERÁRIOS

Já estão abertos os lances para um dos maiores leilões de ativos minerários já realizados no país. Os lotes à venda estão localizados nas cidades do Polo Gesseiro do Araripe, em Pernambuco, como Ibupi, Itaquetinga, Ipojuca e Jaboatão dos Guararapes. O evento é resultado do maior acordo de transação tributária da história do Brasil, firmado entre a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) e o Grupo João Santos. Nele é possível arrematar um lote de granito, em Jaboatão dos Guararapes, com lances a partir de R$ 644.927,59, valor que é comparável ao de um imóvel na região. O leilão é conduzido pelo leiloeiro oficial Renato Gracie, da Gracie Leilões.

Ao todo, os ativos somam cerca de 165,2 milhões de toneladas de reservas lavráveis, incluindo gipsita, calcário, traquito e granito, um volume expressivo que reforça o potencial econômico da operação. Um diferencial do leilão é que as concessões de lavra da Agência Nacional de Minérios, que normalmente levam de 5 a 10 anos para serem obtidas, já chegam ao mercado em estágio avançado: 4 lotes com Portaria de Lavra concedida e 6 com Relatório Final de Pesquisa aprovado, todos com laudos técnicos e plano de negócios detalhando retorno do investimento e custos operacionais. “São ativos que raramente chegam ao público — as grandes mineradoras costumam absorvê-los antes. Desta vez, qualquer cidadão ou empresa pode disputar. O comprador entra com anos de burocracia já vencidos, em um mercado bilionário que raramente se abre. É uma chance que vale ouro,” destaca o leiloeiro Renato Gracie.

O leilão ocorre em três praças: a 1ª praça encerra em 30 de setembro de 2026, às 15h, admitindo-se lances iguais ou superiores a 100% do valor de avaliação do bem. Caso não haja arremate, os interessados ainda podem tentar nova oportunidade na 2ª praça, que termina em 2 de outubro de 2026, às 15h, admitindo-se lances iguais ou superiores a 50% do valor de avaliação. E por fim, a 3ª praça que terá início em 2 de outubro, às 15h, exclusivamente para os lotes não arrematados nas praças anteriores, e será encerrada no dia 6 de outubro, também às 15h, ocasião em que os bens poderão ser alienados admitindo-se lances iguais ou superiores a 10% do valor de avaliação do bem.

Essa é uma oportunidade que cumpre os termos do art. 142, § 3º-A, inciso III, da Lei nº 11.101/2005, incluído pela Lei nº 14.112/2020, que diz que a alienação em terceira chamada poderá ocorrer por qualquer preço, não se sujeitando à aplicação do conceito de preço vil, conforme estabelece o inciso V do § 2º-A do mesmo artigo. Para todas as praças, o pagamento pode ser feito parcelado em até 12x, corrigidas pela Tabela Encoge, que em 2025 acumulou abaixo de 5% ao ano. Os lances são realizados exclusivamente pela internet, no site oficial do leiloeiro  www.gracieleiloes.com.br onde estão disponíveis edital, laudos técnicos e orientações para habilitação.

O leiloeiro Renato Gracie explica que essa é uma chance muito lucrativa para quem compra: “Entre as ofertas individuais, o menor lance mínimo previsto é o do lote 10, de granito, em Itaquitinga, por R$ 12.640,46 na 3ª etapa, se também não houver arrematação anterior, diante de uma avaliação de R$ 126.404,60. Para esse direito, o laudo técnico projeta lucro líquido de R$ 72.745,20 por ano.

Para quem compara a aquisição de um lote de minério, com a locação de um imóvel, o laudo do lote 6 projeta lucro líquido anual de R$ 3.812.379,66, equivalente a 5,9 vezes o lance mínimo possível de R$ 644.927,59, na 3ª praça. Já o Índice FipeZAP estimou em Recife rentabilidade bruta de 8,40% ao ano em agosto de 2026, equivalente a cerca de 0,70% ao mês em cálculo simples. Um imóvel comprado pelo mesmo valor do lance mínimo renderia cerca de R$ 4,5 mil mensais brutos, ou aproximadamente R$ 54,2 mil por ano, se alcançasse essa média. Nesse ritmo, seriam aproximadamente 11,9 anos de aluguéis brutos para igualar o preço de compra, sem contar vacância, despesas e eventual valorização.

A condução técnica do processo conta com a atuação da LRF, sob responsabilidade da especialista Natália Pimentel Lopes, garantindo segurança jurídica e transparência. A expectativa é que a operação atraia investidores e impulsione a economia, consolidando a região como um dos principais polos minerais do país, assim como represente um forte impacto social, já que o leilão é parte da estratégia para pagamento de créditos da recuperação judicial e do maior acordo tributário da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN).

Destaques técnicos dos lotes:

Comparativo financeiro, lote a lote: os valores mínimos abaixo correspondem à 3ª praça e dependem de os direitos não serem arrematados nas etapas anteriores. A projeção de lucro líquido consta dos respectivos laudos técnicos, conforme as premissas de produção, custos e preços de venda adotadas em cada estudo.

Lote 3 — calcário: 3ª praça: R$ 1.005.123,20. Lucro líquido projetado no laudo: R$ 1.917.510,37 por ano, cerca de R$ 159.792,53 por mês.

Lote 4 — gipsita: 3ª praça: R$ 473.768,54. Lucro líquido projetado no laudo: R$ 645.920,73 por ano, cerca de R$ 53.826,73 por mês.

Lote 6 — granito: 3ª praça: R$ 644.927,59. Lucro líquido projetado no laudo: R$ 3.812.379,66 por ano, cerca de R$ 317.698,31 por mês.

Lote 10 — granito: 3ª praça: R$ 12.640,46. Lucro líquido projetado no laudo: R$ 72.745,20 por ano, cerca de R$ 6.062,10 por mês.

 

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