AMC PROMOVERÁ ENCONTRO PARA DISCUSSÃO DE MINERAIS CRÍTICOS

AMC PROMOVERÁ ENCONTRO PARA DISCUSSÃO DE MINERAIS CRÍTICOS

Promovido pela Associação de Minerais Críticos (AMC), encontro reunirá C-levels e dirigentes do setor, Governo Federal, investidores, instituições financeiras, representantes diplomáticos e autoridades internacionais para discutir industrialização, investimentos e as novas fronteiras da cooperação internacional

Em um momento de profunda reorganização das cadeias globais de suprimento e apenas duas semanas após o Senado Federal aprovar a criação da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, São Paulo receberá, no dia 16 de setembro de 2026, um encontro de alto nível dedicado a discutir qual posição o Brasil pretende ocupar nessa nova economia mundial.

Promovido pela Associação de Minerais Críticos (AMC), o “Minerais Críticos – Agenda 2030″ reunirá, das 8h às 18h, no Hotel Pullman São Paulo Vila Olímpia, C-levels e dirigentes do setor de empresas do setor mineral e industrial, representantes do Governo Federal, instituições financeiras e de fomento, investidores, especialistas, diplomatas e autoridades internacionais.

A dimensão global estará entre os principais eixos do encontro. A programação contará com representantes de diferentes países e instituições internacionais, para discutir como o avanço dos minerais críticos está redesenhando alianças econômicas, políticas industriais e relações comerciais em todo o mundo.

O evento acontece em uma conjuntura especialmente relevante. Na quarta-feira, 2 de setembro, o Senado aprovou o PL 2.780/2024, que institui a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos e cria o Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos (CIMCE). A proposta foi aprovada sem alterações de mérito em relação ao texto da Câmara e segue para sanção presidencial.

Para a AMC, o avanço legislativo inaugura uma nova etapa do debate: mais do que reconhecer a importância estratégica desses recursos, o país passa a enfrentar o desafio de transformar a política pública em investimento, pesquisa mineral, capacidade industrial, desenvolvimento tecnológico e participação efetiva nas cadeias globais de maior valor agregado.

“A aprovação da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos pelo Congresso Nacional torna essa discussão ainda mais urgente. O Brasil está diante de uma oportunidade que não se limita à mineração. Estamos falando de política industrial, tecnologia, transição energética, atração de capital e posicionamento geopolítico. O Agenda 2030 foi estruturado justamente para colocar na mesma mesa quem participa dessas decisões. Teremos C-levels e dirigentes do setor, representantes de alto nível do Governo Federal, Agência Nacional de Mineração, Serviço Geológico Brasileiro e instituições financeiras, especialistas e autoridades internacionais. A intenção da AMC é criar um ambiente qualificado de diálogo entre o setor produtivo, o poder público e o mercado para discutir como transformar esse novo marco em uma agenda concreta de investimentos e desenvolvimento para o país”, afirma Frederico Bedran, diretor executivo da Associação de Minerais Críticos.

Uma política nacional em um mercado cada vez mais estratégico

A aprovação do PL ocorre em meio à intensificação da disputa internacional por minerais essenciais à transição energética, à digitalização e às indústrias de alta tecnologia. Terras raras, lítio, níquel, grafita, cobre, nióbio e outros minerais passaram a ocupar posição central nas estratégias industriais e de segurança econômica das principais potências.

São matérias-primas presentes em cadeias tão distintas quanto veículos elétricos, geração de energia renovável, redes de transmissão, baterias, semicondutores, equipamentos eletrônicos, infraestrutura digital, data centers, equipamentos médicos, indústria aeroespacial e sistemas de defesa.

Nesse ambiente, o acesso ao recurso mineral é apenas uma parte da equação. Países e blocos econômicos têm direcionado políticas públicas e grandes volumes de capital para desenvolver também beneficiamento, separação, refino, materiais avançados e manufatura, reduzindo vulnerabilidades e a dependência de cadeias excessivamente concentradas geograficamente.

É justamente nesse ponto que o Brasil enfrenta uma escolha estratégica. Detentor de uma das geologias mais diversificadas do mundo e de ocorrências relevantes de diversos minerais críticos, o país busca criar condições para deixar de participar dessas cadeias predominantemente como fornecedor de matéria-prima e ampliar sua presença nas etapas de maior intensidade tecnológica e agregação de valor.

O PL aprovado pelo Senado prevê instrumentos que podem mobilizar até R$ 7 bilhões: R$ 2 bilhões em aporte da União ao Fundo Garantidor da Atividade Mineral e R$ 5 bilhões destinados ao beneficiamento e à transformação de minerais críticos e estratégicos dentro do território nacional. O texto também amplia mecanismos de financiamento e inclui prospecção e pesquisa mineral entre os projetos elegíveis à emissão de debêntures incentivadas.

A nova política estabelece ainda instrumentos relacionados à inovação, pesquisa e desenvolvimento e à criação de um cadastro nacional de projetos, aproximando a agenda mineral das políticas industrial, tecnológica e de financiamento do país.

Cooperação internacional entra no centro do debate

Um dos principais painéis do Minerais Críticos – Agenda 2030 será dedicado à geopolítica e às novas fronteiras da cooperação internacional, reunindo representantes de diferentes governos, embaixadas e instituições internacionais.

O objetivo será discutir como o Brasil pode se posicionar diante da formação de novas alianças para minerais críticos, da diversificação das cadeias mundiais de fornecimento e da busca crescente por parceiros capazes de oferecer, além dos recursos minerais, estabilidade institucional, segurança de suprimento, energia competitiva e condições para industrialização.

O debate passa por uma questão central: qual modelo de cooperação internacional interessa ao Brasil? Em vez de uma relação baseada exclusivamente na exportação de concentrados ou matérias-primas, ganha espaço a discussão sobre parcerias que envolvam capital, desenvolvimento tecnológico, processamento local, pesquisa e desenvolvimento, formação de mão de obra e construção de capacidade industrial no país.

A presença de autoridades e instituições estrangeiras no evento permitirá confrontar diferentes modelos internacionais e discutir como o Brasil pode estabelecer relações de longo prazo com países consumidores e investidores sem perder de vista seus próprios objetivos de desenvolvimento econômico e tecnológico.

Capital estrangeiro, soberania e segurança jurídica

A discussão internacional ganha ainda maior relevância diante de um dos dispositivos do PL 2.780/2024 que deverá despertar atenção direta de investidores, empresas e governos estrangeiros.

O texto atribui ao futuro Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos (CIMCE) a competência de homologar mudanças de controle societário, diretas ou indiretas, inclusive decorrentes de reorganizações societárias, de empresas titulares de direitos minerários relativos a minerais críticos e estratégicos. citeturn817764search30

A medida coloca no centro da agenda brasileira um debate que já ocorre em algumas das principais economias produtoras e consumidoras de minerais críticos: como conciliar a proteção de ativos considerados estratégicos com a necessidade de manter o país competitivo na atração de capital internacional.

A questão é particularmente relevante para um setor marcado por projetos de longo prazo, elevados investimentos iniciais e participação expressiva de capital estrangeiro. Fusões e aquisições, joint ventures, investimentos estratégicos, acordos de fornecimento e estruturas internacionais de financiamento estão entre os mecanismos utilizados mundialmente para viabilizar novas minas e instalações de processamento.

A regulamentação desse novo ambiente poderá, portanto, produzir efeitos não apenas sobre a atividade mineral, mas sobre fluxos de investimento, estruturas societárias, relações diplomáticas e decisões de grandes grupos internacionais interessados nos ativos brasileiros.

No Agenda 2030, representantes do setor público, do mercado e da comunidade internacional discutirão justamente onde deve estar esse ponto de equilíbrio entre soberania, previsibilidade regulatória, segurança jurídica e abertura ao investimento estrangeiro.

Do potencial mineral à liderança industrial

Outro eixo central do encontro será a capacidade do Brasil de transformar sua vantagem geológica em liderança industrial.nA existência do minério no subsolo, isoladamente, não garante protagonismo econômico. A competição internacional ocorre cada vez mais em torno do conhecimento necessário para separar, purificar, transformar e aplicar esses elementos em produtos de alta tecnologia.

O desafio brasileiro passa, portanto, pela construção dos elos de midstream e downstream, pela disponibilidade de capital de longo prazo, pela consolidação de rotas tecnológicas, pelo desenvolvimento de fornecedores nacionais e pela criação de um ambiente regulatório capaz de dar previsibilidade a empreendimentos com horizonte de implantação de vários anos.

A programação do encontro colocará em diálogo esses diferentes componentes. Financiamento e garantias para novos projetos, política industrial, desenvolvimento tecnológico, sustentabilidade, descarbonização, licenciamento, segurança jurídica, cooperação internacional e atração de investimentos farão parte das discussões ao longo do dia.

Também estará em debate a possibilidade de o Brasil utilizar vantagens competitivas que vão além de sua geologia, como sua matriz elétrica predominantemente renovável, experiência mineral, estrutura industrial e capacidade científica, para desenvolver cadeias com menor intensidade de carbono.

Decisões tomadas agora definirão a posição brasileira em 2030

O horizonte de 2030 escolhido pela AMC não é apenas uma referência temporal. Ele reflete a velocidade com que as cadeias globais de minerais críticos estão sendo reorganizadas.

Projetos minerais e industriais exigem anos entre pesquisa, licenciamento, financiamento, construção e entrada em operação. Dessa forma, investimentos e políticas definidos nos próximos anos serão determinantes para estabelecer qual participação o Brasil terá nas cadeias mundiais ao fim da década.

“Existe uma janela de oportunidade concreta, mas ela não ficará aberta indefinidamente. Outros países também estão estruturando políticas, fundos, incentivos e acordos internacionais para disputar investimentos e desenvolver suas próprias cadeias. O Brasil precisa decidir agora se quer ser apenas um grande detentor de recursos minerais ou um dos protagonistas industriais dessa nova economia. O propósito do Agenda 2030 é contribuir para que essa decisão seja construída com diálogo, visão de longo prazo e participação de quem efetivamente pode transformar essa agenda em projetos”, afirma Bedran.

Ao aproximar empresas, Governo Federal, investidores, bancos, diplomatas, especialistas e representantes internacionais, a AMC pretende transformar o evento em um espaço de construção de convergências em torno de uma agenda que ultrapassa os limites tradicionais da mineração.

A disponibilidade de minerais críticos passou a interferir diretamente em temas como política industrial, transição energética, inovação, comércio exterior, infraestrutura, defesa e relações internacionais. Para a Associação, compreender essa transversalidade será fundamental para que o Brasil consiga converter sua riqueza mineral em desenvolvimento econômico, tecnologia e influência nas cadeias globais.

Sobre a AMC

A Associação de Minerais Críticos (AMC) reúne empresas e projetos ligados ao desenvolvimento de minerais considerados estratégicos para a economia, a transição energética e as novas tecnologias. A entidade atua na articulação institucional do setor, na formulação de propostas de políticas públicas e na promoção do diálogo entre empresas, governo, instituições financeiras, academia e demais agentes envolvidos no desenvolvimento das cadeias de minerais críticos no Brasil.

A Associação trabalha para contribuir para a construção de um ambiente capaz de atrair investimentos responsáveis, ampliar a segurança jurídica, estimular inovação e desenvolvimento tecnológico e favorecer maior agregação de valor aos recursos minerais brasileiros, fortalecendo a participação do país nas novas cadeias industriais globais.

 

SERVIÇO

  • Evento: Minerais Críticos – Agenda 2030
  • Data: 16 de setembro de 2026
  • Horário: 8h às 18h
  • Local: Hotel Pullman São Paulo Vila Olímpia – Rua Olimpíadas, 205, Vila Olímpia – São Paulo (SP)
  • Realização: Associação de Minerais Críticos (AMC)
  • Informações e inscrições: https://associacaodemineraiscriticos.com

 

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