SISTEMAS INTELIGENTES AMPLIAM CONFIABILIDADE

SISTEMAS INTELIGENTES AMPLIAM CONFIABILIDADE

Na Mineração Paragominas, produtora de bauxita da Hydro, as tecnologias de automação e Inteligência Artificial (IA) abrangem praticamente todas as etapas da operação. Segundo Clóvis Oliveira, vice-presidente de Operações de Mineração da Hydro, a estratégia combina tecnologias digitais, sensores inteligentes, equipamentos autônomos, plataformas analíticas e modelos de IA para elevar a produtividade, aumentar a disponibilidade dos ativos e ampliar o desempenho ambiental da operação.

Clóvis Oliveira, vice-presidente de Operações de Mineração da Hydro
Clóvis Oliveira, vice-presidente de Operações de Mineração da Hydro

A jornada de transformação digital ganhou escala a partir de 2019, quando a companhia realizou um diagnóstico para identificar oportunidades de melhoria operacional, aumento da confiabilidade e redução de custos. Os primeiros investimentos concentraram-se na implantação de um historiador industrial, plataforma responsável pela coleta e armazenamento centralizado dos dados operacionais, criando a base para o desenvolvimento de aplicações analíticas, modelos estatísticos e inteligência artificial.

Essa infraestrutura permitiu integrar informações provenientes da mina, usinas, mineroduto e refinaria em um ambiente único, resultando no monitoramento contínuo dos ativos e maior capacidade de análise dos processos industriais.

Ao longo dos anos seguintes, a digitalização incorporou o monitoramento preditivo de equipamentos críticos, aplicações de aprendizado de máquina, operações remotas, drones para inspeções e recuperação ambiental, imagens de satélite e projetos desenvolvidos em parceria com universidades e centros de pesquisa.

Nas operações de lavra, tratores de esteira Caterpillar D11 passaram a operar por meio de cabines remotas, enquanto rolos compactadores autônomos e caminhões autônomos ampliam gradualmente sua participação nas atividades. Paralelamente, a empresa realiza testes com caminhões rodoviários autônomos e novos equipamentos industriais controlados remotamente.

No processamento mineral, a digitalização também avança. O bombeamento do mineroduto já pode ser operado remotamente, enquanto gêmeos digitais são utilizados para apoiar o reinício da operação do mineroduto após paradas programadas ou intervenções. Empilhadeiras e retomadoras de minério operam em regime remoto e autônomo, complementadas por sensores inteligentes que monitoram continuamente as condições operacionais da planta de beneficiamento. Os sistemas automatizados permitem maior estabilidade do processo, redução da variabilidade operacional e ganhos em eficiência energética.

Conectividade

A implantação desse ambiente digital exigiu investimentos significativos em infraestrutura tecnológica. A operação passou a incorporar redes industriais de alta disponibilidade, servidores, sistemas de armazenamento de dados, computação em nuvem e plataformas integradas para gerenciamento das informações operacionais.

A base tecnológica inclui sensores industriais, câmeras, radares, scanners, sistemas de visão computacional e receptores GNSS para monitoramento preciso dos equipamentos e das operações em campo. Paralelamente, plataformas analíticas processam continuamente os dados provenientes dos ativos industriais, fornecendo indicadores para apoio às equipes de operação, manutenção e engenharia.

Segundo Oliveira, a engenharia de confiabilidade também evoluiu com a utilização de modelos estatísticos e algoritmos de aprendizado de máquina capazes de antecipar falhas, monitorar a condição de equipamentos críticos e apoiar a manutenção baseada em condição. Entre os principais indicadores monitorados estão o Tempo Médio Entre Falhas (MTBF), Tempo Médio para Reparo (MTTR), tempo até a falha, disponibilidade operacional e níveis de risco associados aos ativos. A estratégia contempla ainda um robusto programa de cibersegurança, incluindo segregação das redes industriais, controle de acesso aos sistemas, monitoramento contínuo e políticas específicas para proteção da infraestrutura digital.

Foto 2: Retomadora de minério com sensores inteligentes e operação remota
Foto 2: Retomadora de minério com sensores inteligentes e operação remota

A integração das informações permite transformar grandes volumes de dados operacionais em recomendações para tomada de decisão. Plataformas de inteligência operacional utilizam analytics e IA para identificar padrões de desempenho, detectar desvios operacionais e apontar oportunidades de otimização em tempo real.

Outro componente importante da estratégia é a capacitação das equipes. A empresa desenvolve programas voltados para operação remota, automação industrial, inteligência artificial, análise de dados, manutenção preditiva e gestão digital dos ativos. Como destaca Oliveira, a transformação digital busca ampliar a capacidade técnica dos profissionais, direcionando-os para atividades de maior valor agregado, sem que a tecnologia tenha como objetivo substituir pessoas.

Sustentabilidade

Os efeitos da digitalização também alcançam a agenda ambiental da companhia. Drones são utilizados para dispersão de sementes em áreas mineradas, enquanto imagens de satélite, radares e algoritmos de inteligência artificial monitoram a evolução da recomposição florestal e identificam alterações no uso do solo.

O acompanhamento automatizado da fauna e da flora nas áreas reabilitadas amplia a precisão dos programas ambientais e fornece informações que subsidiam a avaliação da recuperação dos ecossistemas. Segundo a empresa, a utilização dessas ferramentas aumenta a eficiência dos projetos de reabilitação e fortalece o monitoramento da biodiversidade.

O desempenho operacional é acompanhado continuamente por meio de sensores, sistemas supervisórios, historiadores industriais e plataformas digitais integradas. Entre os indicadores monitorados estão taxa de alimentação das plantas, vazão, produtividade, disponibilidade operacional, consumo específico de energia, demanda de potência, backlog de manutenção, aderência aos planos, custos de manutenção, emissões atmosféricas, indicadores ambientais e evolução da recuperação das áreas degradadas.

Na área de manutenção, o monitoramento contínuo da saúde dos equipamentos permite antecipar falhas, reduzir intervenções corretivas e aumentar a disponibilidade dos ativos. Na operação, o maior controle das variáveis de processo reduz paradas não programadas, melhora a estabilidade das plantas industriais e contribui para elevar a produtividade.

A companhia também avalia tecnologias associadas à transição energética, incluindo caminhões elétricos a bateria, escavadeiras elétricas, veículos leves eletrificados, ônibus elétricos para transporte interno e sistemas inteligentes de carregamento e gestão energética.

Foto em destaque: Operadora observa caminhão off road autônomo na mina de bauxita
Fotos: Hydro/Divulgação

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