SIMEXMIN REFLETE MOMENTO POSITIVO DA MINERAÇÃO BRASILEIRA

SIMEXMIN REFLETE MOMENTO POSITIVO DA MINERAÇÃO BRASILEIRA

Entrevista e foto: José Antônio Bicalho, enviado especial da revista In the Mine ao Simexmin

Marcos André Gonçalves (foto), presidente do Conselho Superior das Agência para o Desenvolvimento e Inovação do Setor Mineral Brasileiro (ADIMB), estava exultante no encerramento do Simexmin 2026 (Simpósio de Exploração Mineral promovido pela agência), em Ouro Preto (MG). Segundo ele, a edição deste ano foi superlativa em todos os sentidos. “O número de participantes e de empresas representadas por seus altos executivos, muitos deles estrangeiros, mostra o momento especial pelo qual passa o setor mineral brasileiro”, disse.

As terras raras e minerais estratégicos são o tema que atualmente domina as discussões técnicas e de negócios, mas não apenas. “As potencialidades da mineração de produtos tradicionais são igualmente enormes”, afirmou Gonçalves, acrescentando que a janela de oportunidades criada pelo atual boom da mineração não pode ser desperdiçada por entraves regulatórios e pela falta de agilidade na liberação dos pedidos de autorização de novas lavras. Confira na entrevista abaixo.

ITM: As terras raras dominaram as discussões técnicas do Simexmin. Elas merecem de fato toda essa atenção?

Gonçalves: Sim, mas em termos. Há cinco anos, ninguém falava sobre isso. Hoje está todo mundo apostando nos minérios críticos, o que transformou sua produção em uma corrida contra o tempo. Todos querendo entender e garantir o que têm em mãos. Mas é um tema ainda com muitas interrogações. Terras raras demandam uma série de etapas de processamento e sua viabilidade não depende apenas de teor, de forma que não basta só um excelente trabalho de geologia. Num projeto tradicional, de metal, você sabe quais são os caminhos e escolhe se será a rota A ou a rota B. Com terras raras isso não acontece. Os caminhos ainda estão por serem abertos.

ITM: Estamos falando de um futuro muito distante para terras raras?

Gonçalves: Depende muito. Normalmente, levamos de dois a três anos em pesquisa mineral e uma média de 16 anos para o início da operação de um projeto que sai do zero. São tempos que podem ser diminuídos, mas não vejo muito espaço para isso. Até porque terras raras dependem do processamento para a extração dos minerais, que é o que se quer tanto no Brasil.

ITM: As empresas estão de fato focando em projetos de terras raras?

Gonçalves: Na Adimb, cerca de um terço das empresas associadas estão vinculadas de alguma maneira a minerais críticos e estratégicos. O governo federal também tem conferido bastante importância ao tema. Então, acho que existe uma confluência de interesses que pode ser muito benéfica ao desenvolvimento desse segmento mineral.

ITM: Esse interesse vem também de empresas de fora do Brasil?

Gonçalves: Estamos sentindo um acercamento muito grande de Canadá e Austrália. No Simexmin, por exemplo, a Austrália montou um pavilhão, com a presença da Consul Geral do país e de um grande número de especialistas em comércio. O simpósio tem essa característica de conectar investidores, exploradores e empresas, sejam produtoras ou não. Identificamos mais de 40 empresas australianas vindo para o Brasil em projetos de terras raras, grafite, lítio, cobre e ouro.

ITM: É possível agilizar esses novos projetos?

Gonçalves: Estamos consumindo 90% do tempo em regulação e 10% em busca de eficácia. O problema é que, em breve, esse boom, a exemplos de outros que ocorreram na mineração, vai passar. É uma corrida contra o tempo, sem dúvida. Não adianta o país ter o segundo maior potencial do mundo em reservas de terras raras, por exemplo. É preciso viabilizar sua exploração.

ITM: Em sua opinião, qual seria a duração desse novo ciclo da demanda global?

Gonçalves: Estamos entrando nesse novo ciclo, que pode não ser bom para todo mundo. Vemos um boom para as terras raras e, sobretudo, para o lítio. No entanto, trata-se de um mercado ne nicho, com contratos de compra e venda com muitas especificações técnicas. Isso não acontece no cobre, no ferro, no ouro, no níquel ou no zinco.

ITM: Este Simexmin foi diferente em função do momento atual da mineração?

Gonçalves: Muito. Este foi a 12ª edição do Simexmim, que acontece a cada dois anos. E o evento refletiu essa espiral ascendente, porque a mineração evolui em ciclos.

ITM: A China pode interferir nesse movimento positivo?

Gonçalves: Eles têm uma escala enorme. Não é só uma questão de possuírem as melhores tecnologias, o domínio tecnológico de equipamentos. A China possui uma escala gigantesca de produção e pode sim interferir de fato no mercado, tanto positiva quanto negativamente. Mas não podemos ficar parados. Temos que tirar proveito dessa rivalidade.

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