Empresa canadense e brasileira de exploração e desenvolvimento mineral, a Bravo Mining é focada no avanço de seu Projeto Luanga PGM+Au+Ni (Metais do Grupo Platina+Ouro+Níquel), na Província Mineral de Carajás, no município de Curionópolis, Pará. A Vale explorou extensivamente o Projeto Luanga nas décadas de 1990 e 2000, perfurando 252 furos para um total de 50.352 m, trabalho que resultou em uma estimativa histórica de 142 Mt a 1,24 g/t Pd+Pt+Au – Paládio+Platina+Ouro – (ensaios 3E PGM) e 0,11% de Ni.

Presidente executivo e CEO da empresa, Luís Maurício Azevedo lembra que, embora fundada em 2022, no pior momento da indústria brasileira, a Bravo Mining conseguiu levantar capital nesse ano e novamente em 2023. Já foi escolhida duas vezes como empresa de exploração mineral do ano no Brasil; realizou mais de 60 mil m de sondagens sem um acidente; e foi eleita pela Bolsa de Valores de Toronto (TSX), Canadá, como melhor IPO (Oferta Pública Inicial) de 2022. Em 19 de janeiro de 2026 foi, ainda, considerada melhor empresa do ano pela OTC, mercado secundário americano de junior companies. “É uma empresa com grandes acionistas como a BlackRock, RCF Opportunities Fund e Tembo Capital, que conhecem o Brasil e conhecem mineração”, afirma o executivo.
Azevedo que é também acionista da Jangada Mines, detentora de um ativo de ferro-vanádio no Ceará, está iniciando dois projetos – de lítio e terras raras -, junto a outros empresários. Segundo ele, embora tenha recebido propostas de associação, a listagem em bolsa dos novos empreendimentos deverá ser realizada pelo próprio grupo, aproveitando sua experiência de 14 listagens bem-sucedidas de outros projetos.

Recentemente, a Bravo Mining foi escolhida como empresa-âncora da Zona de Processamento de Exportação (ZPE) a ser implantada em Barcarena (PA), onde pretende beneficiar 100% de seu concentrado de Ni e PGM, gerando um adicional anual de 120 a 150 mtpa de ácido sulfúrico, além das quase 500 mil oz de PGM. A rota de processo para essa produção está sob análise técnica e econômica, pois além da própria mineradora, a unidade poderia atender a outras indústrias com depósitos de Ni e Cu (níquel e cobre) na região. A empresa também foi classificada na chamada pública BNDES-FINEP (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social-Financiadora de Estudos e Projetos), que selecionou planos de negócio para investimentos na transformação de minerais estratégicos para a transição energética e descarbonização. “Atualmente trabalhamos para obter as garantias exigidas para prosseguir com o financiamento”, explica Azevedo.
O produto planejado para a nova mina – matte de PGM e Níquel – tem como destino provável principalmente refinarias da China, Japão, Estados Unidos (EUA), Canadá, Finlândia ou África do Sul. Esse mercado é garantido, acredita o executivo, após a redução do fornecimento pela África, que responde por 70% dessa produção mundial, o que deve ampliar sua demanda já em tendência de crescimento.

Características
Luanga está inserido em um complexo máfico-ultramáfico proterozóico clássico, com uma expressão próxima à superfície de aproximadamente 7 x 3,5 km. A mineralização de sulfetos de PGM ocorre predominantemente no contato entre rochas ultramáficas basais e rochas máficas sobrejacentes, com mineralização minoritária hospedada em silicatos ocorrendo mais acima na unidade máfica invertida. As zonas mineralizadas têm entre 10 e 50 m de espessura e são dominadas por altas proporções de Pd:Pt, além de ródio, ouro e níquel. A estimativa de recursos minerais (MRE) para o projeto é de 10,4 Moz equivalentes de paládio (PdEq) medidas e indicadas e de 5 Moz de PdEq inferidas. Desse total, cerca de 86% da tonelagem total de MRE encontra-se acima do nível de 250 m, havendo um evidente potencial de crescimento substancial em maior profundidade, na medida em que a mineralização continua até cerca de 450 m em certas áreas do depósito.
Para Azevedo, Luanga é uma das pouquíssimas fontes potenciais de metais críticos e escassos, como PGM e níquel, fora de regiões afetadas por instabilidade política, deficiências de infraestrutura e complexidades de licenciamento. Em julho de 2025 foi concluído o Estudo de Avaliação Econômica Preliminar (PEA), que descreve uma operação a céu aberto de grande escala e longa vida útil, com resultado econômico atrativo, baixos custos operacionais e aproveitamento das vantagens excepcionais de infraestrutura. A previsão é que o Estudo de Pré-Viabilidade (PFS) seja divulgado publicamente entre julho e outubro de 2026.
A Bravo também identificou uma mineralização do tipo Óxido de Ferro-Cobre-Ouro (IOCG) ao interceptar dois furos de sondagem exploratórios: o DDH2405T002, com 11,5 m de mineralização de sulfeto de cobre maciço/semimaciço/brecha de alto teor, contendo 14,3% de Cu e 3,3 g/t de Au, e o DDH2405T004 com 8,8 m, contendo 9,5% de Cu e 2,1 g/t de Au. “Essas descobertas abriram uma nova fronteira de perspectivas para a Bravo, visto que é sabido que a Província Mineral de Carajás é uma área fértil para descobertas de cobre e Luanga está situada dentro de um corredor geológico que contém vários depósitos/operações IOCG de grande escala”, avalia Azevedo.
Foto em destaque: Vista aérea do projeto Luanga, em Curionópolis (PA)
