A Aliança Latino-Americana de Mineração (ALMA) deu início à sua agenda continental com uma apresentação institucional no Canadá, reunindo autoridades, líderes empresariais e representantes do ecossistema de mineração regional.
Em Toronto, durante a convenção anual da Associação de Prospectores e Desenvolvedores do Canadá (PDAC), a Aliança Latino-Americana de Mineração (ALMA) foi oficialmente lançada. Esta iniciativa busca unir os países da região em torno de uma visão compartilhada de mineração moderna e sustentável com forte legitimidade social.
O evento — realizado em formato híbrido com conexões internacionais para representantes de diversos países — reuniu autoridades públicas, CEOs de mineradoras, organizações multilaterais, acadêmicos, imprensa especializada e líderes do ecossistema de mineração latino-americano que estavam no Canadá para a PDAC.

Lançamento estratégico
A escolha de Toronto como sede não foi por acaso. A cada ano, a PDAC transforma a cidade na capital mundial da mineração, reunindo delegações governamentais, investidores, empresas de mineração, empresas de exploração e fornecedores estratégicos. Nesse contexto, a ALMA decidiu dar seu primeiro passo institucional perante uma plateia internacional e regional altamente qualificada.
Durante a cerimônia, a secretária-geral da ALMA, Adriana Aurazo, explicou as origens da iniciativa e enfatizou que a região enfrenta desafios comuns que exigem coordenação estratégica: “Durante décadas, nossos países têm sido atores-chave na produção de minerais essenciais para o desenvolvimento global. No entanto, a coordenação regional tem sido limitada. Hoje, diante do desafio de atrair investimentos responsáveis, fortalecer os padrões ambientais, combater a mineração ilegal e melhorar nosso relacionamento com os cidadãos, entendemos que era hora de agirmos juntos”, observou.
Aurazo enfatizou que a ALMA não foi criada como uma estrutura representativa tradicional, mas sim como uma plataforma de integração estratégica que reúne governos, empresas, especialistas, academia e sociedade civil. “A ALMA não foi criada por uma única instituição ou governo. Foi criada por pessoas. Por líderes experientes que entendem que a cooperação regional é o caminho para fortalecer nossa indústria”, afirmou.

Manifesto e objetivos
Um dos momentos-chave do dia foi a assinatura simbólica do Manifesto Fundador da ALMA, um documento que estabelece seus princípios orientadores e suas três áreas estratégicas prioritárias:
- Educação cidadã sobre mineração: promover maior compreensão pública da mineração moderna, seus padrões e sua contribuição para o desenvolvimento.
- Desenvolvimento de investimentos responsáveis: fomentar condições institucionais que proporcionem segurança jurídica, sustentabilidade ambiental e crescimento territorial.
- Combate à mineração ilegal: promover a cooperação técnica e política entre os países para enfrentar as redes que prejudicam os ecossistemas e as economias formais.
“Uma cidadania informada fortalece a democracia e a legitimidade da atividade mineradora. O mundo precisa de mais minerais, mas também precisa de mais confiança”, enfatizou o Secretário-Geral.
O manifesto estará disponível para endosso público e digital por meio dos canais institucionais da ALMA, consolidando assim uma rede continental de cooperação em mineração.

Integração com a identidade regional
O presidente da ALMA, Francisco Lecaros, destacou o papel estratégico que a América Latina deve desempenhar na transição energética e no desenvolvimento sustentável global.
Com uma trajetória de 10 anos como Presidente da Fundação Chilena de Mineração e vasta experiência no setor de energia e mineração, Lecaros declarou: “A América Latina detém reservas estratégicas de cobre, lítio e outros minerais essenciais para a eletrificação, a eletromobilidade e as energias renováveis. Mas nossa liderança não pode se basear apenas em recursos geológicos; ela deve se fundamentar em padrões, marcos institucionais e legitimidade social”.
Segundo ele, a entidade busca fortalecer uma narrativa regional comum, sem interferir nas agendas nacionais, mas sim aprimorando-as por meio de uma abordagem integrada. “A ALMA não foi criada para competir. Foi criada para unir. Não busca substituir as instituições nacionais, mas sim coordenar esforços, compartilhar boas práticas e projetar uma voz latino-americana forte em fóruns globais”, afirmou.
Lecaros também enfatizou a necessidade de avançar rumo a uma indústria de mineração cada vez mais humana e próxima das comunidades locais. “A mineração no século XXI deve dialogar, educar, ser transparente e gerar desenvolvimento integral nas regiões. Se alcançarmos essa coerência, a América Latina poderá liderar com padrões globais sem perder sua identidade”, disse o executivo.
Composição
Além de Lecaros e Adriana, a equipe executiva da associação conta com Juan Carlos Zegarra, diretor jurídico; Andrea Peralta, diretora de Estudos; Daniela Lepin, diretora de Comunicações; e Fernando Mena, diretor financeiro.
Em nível territorial, a ALMA será estruturada por meio de Vice-Presidentes de País em diversas nações latino-americanas, todos eles profissionais altamente experientes e reconhecidos em seus respectivos setores de mineração nacionais. São candidatos a esses postos Carlos Cuburu (Argentina), Tamara Leves (Chile), Ana Milena Vasquez (Colômbia), Alvaro Barrenechea (Peru), Marisol Barragan (México), Chafika Eddine (Panamá e Brasil), Mauricio Pernia (Venezuela), Carolina Orozco (Equador), Pamela Sarmiento (Honduras) e Silvia Perez Carrasco (Nicarágua). Além deles, candidatos de outros países estão atualmente em análise.
Em breve, ainda, a ALMA deve iniciar o processo de nomeação de Secretários-Gerais Adjuntos, com o objetivo de consolidar sua estrutura institucional e fortalecer a coordenação regional para enfrentar os desafios estratégicos da mineração latino-americana.
