Iniciado em setembro de 2024 e com conclusão prevista para março de 2026, com a mobilização de até 2.300 colaboradores no pico da obra, o projeto de construção de uma nova planta de beneficiamento mineral, a UTM 2 (Unidade de Tratamento de Minério 2), incluindo sua montagem eletromecânica, da mina Miguel Burnier, da Gerdau, em em Ouro Preto (MG), foi planejado e está sendo executado pela Construcap CCPS Engenharia e Comércio.
O escopo do contrato da empresa é amplo, abrangendo a definição de premissas, estudos de viabilidade, orçamentação, histograma e cronograma na etapa de planejamento. Já a etapa de execução compreendeu a mobilização de funcionários e máquinas, algumas fundações, montagem de estruturas e equipamentos, instalações, acabamentos e monitoramento contínuo (PDCA), além de ajustes estruturais no canteiro de obras, para garantir prazos, custos, segurança e qualidade, finalizando com a entrega técnica que está em andamento.

Segundo Ivan Mombeli Desidério, Supervisor Riger de Setor da Construcap, a diretriz durante o processo de pré-montagem dos principais equipamentos e/ou estruturas metálicas no solo foi executá-lo em módulos e com o maior número possível de componentes, desde que houvesse resistência autoportante para tanto, diminuindo o número de montagens aéreas, o que reduziria o grau de dificuldade e risco durante a realização dos trabalhos.

O equipamento de maior dimensão foi o Moinho de Bolas 1, um dos dois montados e instalados, composto da virola, com 6,9 m de diâmetro, 3,7 m de altura e peso de 58 t; da tampa, com 6,9 m de diâmetro, altura de 3 m e peso de 94 t; e da engrenagem bipartida, com comprimento (raio) de 8,49 m, largura de 4,3 m, altura de 1 m e peso de 32 t por módulo (veja Tabela 1).
Ao todo foram mobilizados 12 guindastes, sendo 10 da marca Sany, de 30 (modelo SRC35), 55 (SR55), 80 (STC 800), 110 (STC1100T6), 220 (SAC2200S), 250 (SAC2500S) e 600 (SAC6000C8-8) t; um da Tadano (ATF 90G-4) e um da XCMG (QY90_BR), ambos de 90 t e um Groove (RT350E) de 30 t, além de duas empilhadeiras, de 10 e 16 t. Entre os equipamentos de apoio foram empregados manipuladores telescópicos, plataformas elevatórias, carretas prancha, uma carreta Munck e um guindauto.

O guindaste Sany de 600 t, locado junto à Primax Transportes Pesados, sediada em São Paulo (SP) e habitual parceira da Construcap em equipamentos de içamento e movimentação de cargas pesadas, foi um verdadeiro “achado” na definição de Desidério. “É um guindaste novo, o que reduz o risco de manutenção, com tecnologia de ponta e comprimento compacto do carro inferior de seis eixos, em comparação a modelos de 500 t que possuem nove eixos, com a limitação de, justamente pelo número menor de eixos, não percorrer longas distâncias com a lança acoplada. Outro diferencial é o comprimento da lança, que chega a 95 m, mantendo capacidade igual ou mesmo superior à de outros guindastes com lanças mais curtas”, justifica o supervisor. O equipamento permaneceu no projeto entre 26/05/2025 e 28/10/2025, totalizando cinco meses de operação.
| Tabela 1: Principais Equipamentos e Instalações | |
| Equipamento/Instalação | Dimensões |
| Eletrocentro (14 Módulos) | Variadas, com a maior parte seguindo o padrão de 17 m de comprimento, 4,8 m de largura, 4,14 m de altura e peso de 45 t |
| 2 Moinhos de Bolas (Principal e Auxiliar) | Moinho 1 (principal): virola com 6,9 m de diâmetro, altura de 3,7 m e peso de 58 t; tampa com 6,9 m de diâmetro, altura de 3 m e peso de 94 t; engrenagem bipartida com raio de 8,49 m, largura de 4,3 m, altura de 1 m e peso de 32 t por módulo |
| Cobertura do Prédio do Peneiramento (pré-montagem da última elevação da estrutura metálica da unidade) | 32 m de comprimento, 8,61 m de largura, 7,425 m de altura e peso de 62 t |
| Silo da Moagem (trapézio inferior) | 6,75 m de comprimento, 6,7 m de largura, 6,91 m de altura e peso de 48 t |
| Transportador de Correia (Galeria) | 62 m de comprimento, 3,9 m de largura, 3,2 m de altura e peso de 52,2 t |
| Cavalete Tubular | 22,2 m de comprimento, 10,86 m de largura, 0,84 m de altura e peso de 28,2 t |
| Plataformas de Sustentação | – Silo da Britagem Secundária/Classificação: 48 t
– Silo da Moagem: 40 t |
Desafios e soluções
Desidério elenca os três principais desafios da obra, que foram solucionados com a pré-montagem das estruturas em solo. O primeiro deles foi a movimentação da tampa do Moinho de Bolas 1 (MO-01), cujo peso de 94 t exigiu o emprego de duas talhas de corrente, com capacidade de 25 t, de manilhas de 2 1/2”, com capacidade de 55 t, e de cintas de 40 e 80 t, totalizando um peso bruto de 97,5 t.

Outro complicador foi a elevação da cobertura do prédio de Classificação (Peneiramento), cujas dimensões e geometria inviabilizavam o uso de dispositivos de içamento. “Fizemos as amarrações com cintas enforcadas (choker hitch) nas colunas principais da estrutura, com auxílio de um balancim, e dividimos o módulo, durante o içamento, em 1/3 e 2/3 de seu comprimento longitudinal, garantindo que um guindaste carregasse menos peso que o outro”, explica o supervisor. Na movimentação das peças foram utilizados um guindaste de 250 t e o guindaste de 600 t. Ao lado do maior guindaste foi posicionada uma mão francesa de recuo da viga da ponte rolante, que serve como ponto de carga e descarga. A distribuição de cargas permitiu a montagem completa de todo o módulo da cobertura do prédio, sem que o suporte tocasse a lança do guindaste de 600 t. Devido às grandes dimensões da estrutura foi necessário estender a lança a um comprimento de 81,2 m, com a utilização do superlift (sistema de contrapeso adicional que estabiliza o guindaste em situações de cargas extremas e grandes raios de operação).
Mas o trabalho de maior grau de dificuldade, segundo Desidério, foi a montagem do transportador de correia, que abastece a pilha pulmão de minério, e de suas colunas, sem o uso de estruturas de suporte provisórias, como pórticos e andaimes, substituídas por um guindaste de 90 t. A pré-montagem do equipamento foi dividida em sete etapas.
A verticalização da primeira coluna foi realizada com a utilização de um guindaste de 250 t, com posterior apoio sobre as suas bases. O transportador foi dividido em dois módulos, cada um deles montados com o emprego de um guindaste de 250 t sobre um par de cavaletes tubulares principais, interligados por tubos secundários, que funcionaram como tirantes, criando um sistema de suportação da galeria em “balanço”. A lança de um guindaste de 90 t ficou sob o transportador içado para que fosse feito o acoplamento entre o módulo da galeria e um dos cavaletes principais. Mesmo após executado o acoplamento, o guindaste de 250 t permaneceu suportando a galeria até que o tirante secundário fosse anexado com o guindaste de 90 t, formando um “Y”, o que finalizou a execução de 50% do conjunto.

A sequência de montagem da galeria foi realizada com a verticalização da segunda coluna principal utilizando dois guindastes, um de 250 t e um de 220 t, sendo que um deles sustentou o cavalete até seu travamento. Com um guindaste de 90 t foram montados os tubos de interligação (tirantes) e, após os cavaletes estarem fixados foi iniciada a montagem final da segunda parte da galeria. O içamento do conjunto foi feito pelos guindastes de 250 e 220 t. Com essa solução, não foi necessário utilizar o guindaste de 600 t para o içamento da lança do transportador, resultando na redução de custos com a mobilização do equipamento de maior capacidade da obra.
Embora não definido como um desafio, a pré-montagem do silo (trapézio inferior) da moagem foi considerada um trabalho crítico pela equipe de movimentação de cargas do projeto. Isso porque sua pré-montagem foi feita em posição contrária à da instalação, aproveitando a estabilidade assegurada pela dimensão maior de sua face superior em relação à inferior. Para o içamento, foi preciso, então, confeccionar dispositivos especiais – oito olhais aparafusados em pontos específicos e dois munhões – para possibilitar o giro da peça em dois movimentos de 180º, de forma a posicioná-la para a montagem final.
